sábado, maio 18, 2013

Videla tornou-se símbolo da ditadura argentina


Valor 
Com Associated Press

BUENOS AIRES - O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla foi encontrado morto nesta sexta-feira no módulo 4 do Complexo Penitenciário Federal 2, na província de Buenos Aires. Morto aos 87 anos, Videla tornou-se o símbolo da ditadura mais sangrenta da história argentina, ocorrida entre 1976 e 1983.



O general Jorge Rafael Videla em imagem de 1977, 
durante ato de comemoração do primeiro ano da ditadura argentina

Videla já cumpria duas condenações, uma de prisão perpétua e outra a 50 anos de prisão, na cadeia situada a 50 quilômetros da capital nacional. As penas foram impostas em 2010 e 2012, por diversas violações aos direitos humanos e por sua responsabilidade na desaparição de filhos de pessoas desaparecidas – as crianças eram entregues a pessoas que apoiavam o regime militar.

Atualmente, o general reformado era julgado com mais de 20 outros réus por violações aos direitos humanos cometidas durante a chamada Operação Condor, iniciativa conjunta de ditaduras sul-americanas nos anos 1970 (entre elas a do Brasil) para perseguir opositores na região.

O diretor-executivo do Centro de Estudos Legais e Sociais, uma entidade de apoio aos direitos humanos, afirmou que Videla “simbolizava o terrorismo de Estado praticado na última ditadura”. Segundo ele, as condenações recebidas representam “a consolidação do sistema de justiça para os crimes de lesa-humanidade implementado pelos tribunais nacionais, um processo que vários países da América Latina estão levando adiante”.

A presidente da entidade Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, disse à imprensa argentina que “a história avaliará o genocídio e o opróbrio da ditadura cívico-militar que Videla encabeçou e da qual não se arrependeu”. A entidade comandada por Estela tem buscado centenas de crianças retiradas de suas famílias durante a ditadura.

O ativista Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz, disse à rádio La Once Diez que Videla passou a vida “cometendo muitos danos e traiu os valores de todo um país”. Segundo ele, porém, “nenhuma morte me agrada”.

O secretário de Direitos Humanos da Argentina, Martín Fresneda, destacou hoje os julgamentos realizados nos últimos anos, no governo de Cristina Kirchner e do antecessor dela, seu ex-marido Néstor Kirchner (2003-2007). Os julgamentos ganharam impulso com a posse de Néstor (1950-2010), depois de ficarem durante anos paralisados por causa de leis de anistia que passaram a vigorar em 1986 e 1987.

Após a redemocratização do país, em 1983, Videla foi condenado junto com outros ex-presidentes militares à prisão perpétua, em um julgamento histórico realizado em 1985. Também perdeu a patente militar. Videla cumpriu cinco anos, porém em 1990 o presidente Carlos Menem deu um indulto a ele e a outras lideranças militares e também a guerrilheiros condenados.

Em 1998, Videla retornou brevemente à prisão no caso dos roubos de bebês, porém conseguiu ficar na prisão domiciliar, por causa de sua idade avançada. Dez anos depois perdeu o benefício e foi para a cadeia, sendo posteriormente ainda condenado em 2010 e 2012.