sábado, maio 18, 2013

O inimigo número um da imprensa


Carlos Chagas  
Tribuna da Imprensa   

                                         
Na reunião do PT na noite de terça-feira, em Porto Alegre, o Lula exagerou. Disse  que a imprensa é inimiga dos governos do PT e  inverteu a equação, transformando-se em  inimigo número um dos  meios de comunicação,  que acusa  de “inventar” candidatos contra Dilma Rousseff. Será que  foram “inventados” Aécio Neves, Marina Silva, Eduardo Campos e agora até  o pastor Enivaldo? Caso Joaquim Barbosa venha a ser lançado, será resultado de alguma “invenção”?

O primeiro-companheiro  foi adiante. Declarou que os meios de comunicação fazem crítica às conquistas sociais do seu governo e da sucessora. Também não é assim, porque o que se faz é cobrar pelo que não foi conquistado.

O perigo aberto pelo  ex-presidente é de levar o PT e a presidente Dilma a concordarem com suas divagações emocionais, aumentando ainda mais a temperatura no relacionamento entre a candidatura e  o partido, de um lado, e a mídia, do outro. Será mais material para a tentativa de controle da imprensa, proposta sempre presente nos conciliábulos petistas. Em boa coisa não vai dar essa provocação.

Muita gente fica pensando se não são os companheiros que começam  a duvidar da reeleição de Dilma, apesar de seus amplos índices de aceitação e popularidade. Estaria em desenvolvimento uma trama digna do Capeta, para desestabilizar  a conquista do segundo mandato  promover aquilo que no fundo grande parte dos petistas espera, no caso a substituição de Dilma pelo próprio Lula?  Comprar briga com a imprensa nunca deu certo, exceção dos períodos em que ela foi censurada e sufocada.  Apesar de nossos erros e vícios monumentais, ainda prevalece a natureza das coisas, ou seja, fatos são fatos. Como candidaturas são candidaturas.  

SENADORES EM SACRIFÍCIO
É sempre a velha história: a Câmara demora o tempo que quer na apreciação e votação de projetos, mas  quando os prazos vão ficando fatais, transfere a responsabilidade para o Senado trabalhar pressionado pelo tempo.

Era de indignação o clima entre os senadores, ontem, que terão até a meia-noite de hoje para aprovar ou rejeitar a Medida Provisória dos Portos, recebida ontem no Senado.

O rolo compressor dos interesses do  governo tem prevalecido, mas um dia a corda arrebenta. Vale aguardar  como se desenvolverá a questão, hoje, mas se os senadores deixarem de votar a MP antes que ela caduque, a responsabilidade não terá sido deles. 

INCÓGNITA JURÍDICA 
A qualquer momento o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, poderá apresentar a seus colegas a questão dos embargos apresentados pelos réus do  mensalão. Para ele, não há hipótese de esses recursos darem início a um segundo julgamento dos mensaleiros. Ministros como Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes pensam diferente. Entendem que as sentenças poderão ser revistas, de acordo com a argumentação constante dos embargos.

Barbosa poderá decidir de forma monocrática  ou dividir a responsabilidade com os demais ministros. Coisa para os próximos dias ou as próximas horas.

OS LIMITES DE GÓES MONTEIRO
É grande o folclore sobre o general Góes Monteiro, todo-poderoso chefe militar de 1930 a 1945, responsável pelo sucesso do movimento que derrubou a República Velha, depois ministro da Guerra, sustentáculo da ditadura do Estado Novo e,  por fim,  algoz de Getúlio Vargas. Acabou senador.

Quando o Brasil ainda oscilava diante do apoio à  Alemanha Nazista ou  aos Aliados, Góes Monteiro foi convidado de honra a visitar o exército alemão. Para demonstrar como a disciplina era férrea, diante da tropa formada, um general teria chamado um soldado e ordenado que ele empunhasse seu revólver e desse um tiro no ouvido. Assim aconteceu.

De volta ao Brasil, Góes Monteiro tentou fazer o mesmo, mas o recruta, diante da ordem, exclamou: “mas tão cedo assim, general, e o senhor já bebeu?…”

A historinha se conta a propósito do que aconteceu na Câmara, na noite de terça-feira, quando o líder Eduardo Cunha tentou obrigar deputados do PMDB a votarem contra o governo…