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Com Estadão Conteúdo
Viagem ao país asiático tem como objetivo descobrir o que faz da China uma potência mundial de ensino. Educadores querem trazer boas práticas ao Brasil
(Thinkstock)
Pesquisadores querem descobrir como a China
conseguiu transformar o seu sistema de ensino
Um grupo com 86 educadores brasileiros segue, nesta sexta-feira, para a China a fim de descobrir o que tornou o sistema educacional do país uma referência mundial. O objetivo é conhecer de perto boas práticas de ensino que, eventualmente, possam ser transpostas para escolas brasileiras. Na avaliação qualitativa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Pisa/OCDE), a China obteve resultados melhores do que a Finlândia, sempre no topo dos rankings mundiais de educação.
A delegação, coordenada pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) com apoio do Ministério da Educação e da embaixada brasileira, permanecerá até o dia 19 de maio no país. De acordo com o Sieeesp, a China investe menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, proporção inferior à do Brasil, no entanto vem obtendo resultados melhores que os nossos. "Não se trata de quanto, mas de como este dinheiro é gasto", avalia Andreas Schleicher, coordenador de pesquisas do Pisa/OCDE há 8 anos. "O progresso educacional da China deriva do não constrangimento em copiar as experiências de outros países que funcionam", acrescenta.
As autoridades chinesas, segundo ele, enviaram professores e estudantes em grande número ao exterior para buscar ideias e projetos. Acordos internacionais foram firmados com países como Finlândia e Canadá. Os especialistas brasileiros vão conhecer e pesquisar os principais projetos de formação de professores, avaliação escolar, gestão e outras inovações do modelo chinês. Serão visitadas escolas públicas e privadas do ensino infantil ao superior.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É claro que o Brasil tem muito a aprender com os chineses no campo da educação. Porém, é preciso que, ao se importar metodologias, se leve em conta as diferenças culturais entre os países. Nem tudo o que serve ou serviu para a China atingir a excelência, se enquadra às características brasileiras.
Deste modo, seria importante que o Brasil também buscasse exemplos de práticas empregadas na Europa, como Suécia, Dinamarca e Finlândia, e a partir deste conjunto de experiências, desenvolvesse uma metodologia voltada à nossa realidade. Outro país que promoveu uma revolução no seu sistema educacional, e do qual poderíamos extrair excelentes experiências e conhecimento, foi a Coréia do Sul, país também democrático.
O que me preocupa é a insistência com que o governo petista procura copiar modelos de países ditatoriais como China e Cuba, e não de países democráticos como o Brasil. Como vimos mais abaixo, o governo Dilma anunciou que pretende importar cerca de 6 mil médicos cubanos para preencher as lacunas existentes na saúde pública. Por que apenas cubanos, se existem profissionais em outros países até com melhor formação e qualificação?
