terça-feira, maio 07, 2013

Dilma e Maduro conversarão sobre Paraguai no Mercosul

Exame.com
Renata Giraldi, Agência Brasil

O Mercosul é um dos principais temas das reuniões que Maduro terá no Brasil, no Uruguai e na Argentina

Norberto Duarte/AFP 
Bandeiras do Mercosul: o giro de Maduro pelos países do Mercosul 
começa no Uruguai, depois segue até a Argentina e acaba no Brasil.

Brasília – A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que estará em Brasília, no próximo dia 9, deverão analisar o caso da suspensão do Paraguai do Mercosul. Há 11 meses, o Paraguai foi suspenso do bloco porque os líderes da região concluíram que o processo de impeachment do então presidente paraguaio Fernando Lugo transgrediu a ordem democrática.

O Mercosul é um dos principais temas das reuniões que Maduro terá no Brasil, no Uruguai e na Argentina. É a primeira viagem ao exterior do venezuelano, desde sua eleição em abril. Em 28 de junho, a Venezuela assume a presidência pro-tempore do Mercosul.

Em agosto, o presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, assume o governo substituindo o atual presidente Federico Franco. O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, que está no comando do Mercosul, convidou Cartes para participar da reunião de junho, em Montevidéu (Uruguai).

“O teor da conversa [de Maduro com Dilma] vai ser muito mais vinculado às questões políticas e ao funcionamento do Mercosul”, ressaltou Marco Aurélio Garcia, assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.

O giro de Maduro pelos países do Mercosul começa no Uruguai, depois segue até a Argentina e acaba no Brasil. “[O objetivo das visitas] é seguir completando a integração perfeita”, disse ele, lembrando que o esforço é pela “busca da igualdade social de todos os povos que estão no bloco [Mercosul]”, disse o presidente venezuelano.

O Mercosul é formado pelo Brasil, pela Argentina, pelo Uruguai, pela Venezuela e pelo Paraguai - que está suspenso do bloco até abril de 2013. O Chile, o Equador, a Colômbia, o Peru e a Bolívia estão no grupo como países associados. Com os venezuelanos, que ingressaram no bloco em dezembro de 2012, o Mercosul passa a contar com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 3,32 trilhões. A população é de 275 milhões de habitantes.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Creio ser antiético discutir com a Venezuela a questão paraguaia. As razões para a suspensão bem como a condição colocada por Brasil e Argentina para levantar o embargo já não existem. Portanto, esta suspensão deveria ter se tornado nula de imediato, o que não aconteceu. Agora, depois do golpe aplicado sobre o Paraguai com uma suspensão injustificada, querem condicionar sua readmissão a que aceite a Venezuela, intrometendo-se de forma vergonhosa e vexatória em assuntos internos de um país independente, ferindo-lhe a autonomia.  Esquecem que, mais do que qualquer outro país latino, o Paraguai merece estar no Mercosul. 

Não sei que decisão os paraguaios adotarão, mas se tiverem um pingo de amor próprio mandam o Mercosul para o espaço e formam um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, inclusive concedendo-lhe autorização para a instalação de uma base militar para controlar o tráfico de armas e drogas e combater o terrorismo no continente.  Talvez esta seja a maior arma política que o país tenha em mãos para barganhar com seus vizinhos, exigindo-lhes o respeito que lhe é devido.

O Paraguai não pode aceitar ser, eternamente, joguete nas mãos de tiranos do continente, e sequer precisa de "permissões especiais" de Maduro ou de quem quer seja para continuar a integrar o bloco que ajudou a fundar e cujos contratos e compromissos sempre soube respeitar, ao contrário do que faz a Argentina.