terça-feira, maio 07, 2013

Deputada apresenta à Justiça cópia de programa com denúncias contra Kirchner


O Globo 
Com Agências Internacionais

Ex-secretária afirma que sacolas de dinheiro eram entregues na Casa Rosada
Ex-presidente também ganhava barras de ouro, que estariam em cofre de casa dos Kirchner, de acordo com a ex-funcionária

Daniel Garcia / AFP 
Ex-presidente argentino Néstor Kirchner durante pronunciamento em 2008 

BUENOS AIRES - A deputada Elisa Carrió apresentou nesta segunda-feira à Justiça uma gravação do programa Periodismo Para Todos, no qual a ex-secretária de Néstor Kirchner afirma que o ex-presidente recebia bolsas de dinheiro na Casa Rosada durante o seu mandato. Miriam Quiroga, que foi demitida após a morte de Kirchner em 2010, disse que as sacolas com dinheiro eram mandadas para a província de Santa Cruz. Miriam também afirmou que o ex-presidente tinha relações com diversos empresários e disse ter escutado planos sobre a construção de um cofre na casa dos Kirchner em El Calafate.

- Miriam Quiroga descreveu com exatidão o que relatei ao juiz em 2008. Espero que agora o juiz reative o caso finalmente - disse a deputada opositora, referindo-se à denúncia de cinco anos atrás e que foi arquivada.

Miriam trabalhou por cerca de dez anos com Kirchner, parte deles na Presidência, mas foi demitida após a sua morte pela mulher e sucessora, Cristina. De acordo com a ex-secretária, as sacolas eram pesadas na Casa Rosada e depois seguiam para Río Gallegos ou El Calafate, a bordo do avião presidencial ou por terra. Ela também assegurou ter escutado o genro de Kirchner falar sobre o recebimento de barras de ouro.

- As sacolas pretas cheias de dinheiro eram recebidas por Daniel Muñoz (ex-secretário de Kirchner) - afirmou a ex-secretária. - Essas bolsas eram trazidas por alguém. Enquanto trabalhava lá, vi Lázaro Báez, Cristóbal López, Eskenazi. Simplesmente me diziam: “Toma, diga-me quanto pesa.” Mas nunca me deixaram abrir as sacolas.

Sobre o ouro, Miriam disse que os comentários diziam que barras saiam do Chile por um barco que passava pelo Pacífico. O destino era El Calafate.

Segundo a ex-funcionária, a atual presidente Cristina Kirchner tinha conhecimento de todos os supostos negócios do marido e era chamada por algumas de pessoas de “bruxa”.

- Néstor controlava Cristina, pois ela nunca teve manejo para o diálogo. Era ele que coordenava a situação e, cada vez que ela estava alterada, tinha que acalmá-la.

Quiroga começou começou a trabalhar com Kirchner na década de 90, quando ele era governador de Santa Cruz. Foi porta-voz de assuntos oficiais e também atuou com a imprensa provincial. Em 2003, assumiu a chefia da Documentação Presidencial e ocupou um escritório a poucos metros do gabinete do presidente na Casa Rosada. Era ela quem recebia a correspondência do presidente.