Sérgio Roxo
O Globo
Redução da jornada de trabalho e fim do fator previdenciário não serão discutidos
SÃO PAULO — Depois das críticas de falta de diálogo, o governo federal aceitou abrir negociação sobre a pauta de reivindicações apresentada pelas centrais sindicais em razão das comemorações do 1º de Maio. Mas os dois itens mais polêmicos das demandas os trabalhadores, o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho, não entrarão nas discussões.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, foi recebido nesta quinta-feira pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Na semana passada, havia afirmado que o governo vinha tendo um tratamento “desrespeitoso” com os trabalhadores por não responder a um documento de reivindicações entregue no dia 3 de março.
Segundo a CUT, Carvalho não aceitou discutir o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho semanal para 40 horas porque o governo federal não teria uma proposta formulada para esses temas. Os assuntos que entrarão em negociação são: a terceirização, alternativas para combater a alta rotatividade do trabalho, informalidade, fortalecimento do Sistema Nacional de Intermediação de Mão de Obra (SINE), política de apoio a aposentados, regulamentação do trabalho doméstico, participação das centrais sindicais nos programas de ensino técnico do governo e a regulamentação do direito de negociação do serviço público. A primeira reunião foi marcada para o dia 14 de maio.
Após o encontro, Freitas ligou para os presidentes das demais centrais para relatar a decisão do governo de abrir negociação. Para o presidente da CUT, central ligada ao PT, o governo aceitou levar para mesa de negociação questões que são "caras" ao movimento sindical. Já o presidente da Força, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse que o governo só concordou em discutir "migalhas".