domingo, junho 23, 2013

Ao contrário do que Dilma afirmou, Tesouro tem, sim, gasto com a Copa do Mundo

Miriam Leitão
O Globo

Em pronunciamento em cadeia nacional na noite desta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que não há custo para as contas públicas com a Copa do Mundo porque as empresas precisam pagar pelos empréstimos recebidos. O problema é que isso é feito via BNDES, com juros mais baixos do que os praticados pelo mercado. O banco público tem sido capitalizado pelo Tesouro Nacional, que faz captações pagando taxa Selic, mais alta.

Esse diferencial de juros - entre o que as empresas pagam ao BNDES, e o que o Tesouro paga aos bancos - é gasto público. Muitos economistas têm dito que esse gasto não está sequer sendo contabilizado no Orçamento da União. No site do BNDES (clique aqui), é possível obter mais informações sobre os financiamentos. No caso do estádio Beira Rio, por exemplo, houve empréstimos também do Banco do Brasil, que também foi capitalizado pelo Tesouro Nacional recentemente.

Além das taxas de juros, há outra diferença. O BNDES dá um prazo de carência de 36 meses para o início dos pagamentos, e parcelamento em até 180 meses. O Tesouro, quando vai a mercado, não consegue as mesmas condições.

Outro ponto do pronunciamento já foi tema aqui no blog, o incentivo ao transporte público. Tanto o governo Lula quanto o governo Dilma priorizaram o transporte individual. Somente com a redução da Cide, o imposto que incide sobre a gasolina, o governo deixou de arrecadar R$ 22 bilhões desde 2008. Esse dinheiro deveria ter sido investido em infraestrutura de transporte. Outros incentivos foram dados via redução do IPI e também pelo congelamento da gasolina, que traz prejuízos à Petrobras.