domingo, junho 23, 2013

Com quais lideranças Dilma pretende dialogar? O Facebook?

Adelson Elias Vasconcellos


Além do Movimento do Passe livre, o leitor ou leitora conseguiu identificar algum outro movimento organizado nas passeatas?

Vejamos: observei que a turma do LGBT estava brandindo sua bandeira multicolorida protestando com o projeto que o senhor Marcos Feliciano aprovou, na calada da noite, de maneira sorrateira,  e que ficou conhecida como “cura gay”. 

Além deles, vi alguns representantes do Ministério Público, em uma das passeatas em São Paulo protestando contra a PEC 37, que retira do Ministério Público os poderes de investigar (principalmente os políticos).

Vi, ainda, alguns partidecos de esquerda querendo se infiltrar  no meio de uma manifestação que não tinha coloração partidária de espécie alguma e, cujo objetivo maior, era a de protestar contra os partidos políticos. Na mesma linha, a CUT, braço armado sindical do PT, quase que uma extensão do próprio partido, também foi repelida pelas mesmas razões. Afinal , foram eles os maiores beneficiários das prebendas distribuídas por Lula. Acabar com o imposto sindical obrigatório, nem pensar, mesmo que se trata de uma herança maldita do getulismo. Recebem milhões de dinheiro público, mas prestar contas do destino que dão a um dinheiro que, no fundo, é arrancado da sociedade que trabalha, nem pensar. Agora querem  do quê mesmo?

Além disto, vi, por todo o país, infiltrados nas manifestações, imensos grupos de vândalos, marginais, bandidos de todas as espécies, praticando inomináveis atos de vandalismo, depredação e saques.

Pois bem, fora estes grupos, na consegui   destacar nenhuma outra liderança. Em seu pronunciamento, Dilma se propõe a chamar para o diálogo as lideranças das manifestações. Mas quais lideranças a lideranças a presidente está a se referir,  a do Passe Livre, sabidamente financiada pelo governo e com estreita vinculação ao PT?

Dilma diz que ouve a voz das ruas. Afirmei aqui em outro comentário, que Dilma não está acostumado a esta virtude. As únicas vozes que a soberana até hoje deu real atenção, além da sua própria, são a de Lula, o ex-presidente em exercício, e seu marqueteiro de estimação, João Santana, a quem a presidente pede opinião até sobre seu vestuário, o que dizer, o que fazer, etc.

Se, de fato, DIlma quer ouvir a voz das ruas, que peça às emissoras de TV, cópias das transmissões ao vivo das passeatas. Ouvirá milhões de pessoas reclamando do seu governo, por exemplo.  

Se, de fato,  está interessada em saber o que a população quer exige,  é bom saber que ela deseja presidida por um governante que lhe apresente um projeto de país, e não uma tentativa de perenização de um partido no poder.  Quer igualdade de oportunidades, um crescimento compatível comas riquezas e potencialidades que o Brasil sempre teve, que este crescimento seja benéfico e repartido com TODOS, e não apenas com os empresários doadores de campanha e a classe política mal acostumada em vampirizar o país .

Quer o fim da miséria real, e não o seu fim firmado em propaganda mentirosa e decreto presidencial. Até porque, olhando-se para as demandas, e nem são tantas assim, , a não a do passe livre,  as demais não perfeitamente viáveis de serem atendidas.

Exemplo de algo perfeitamente viável, e que a população está a reclamar, além de um basta à corrupção, é que político safado, julgado  pelo Supremo Tribunal Federal, cumpra a  pena de prisão  a que foi condenado. Que nos hospitais públicos não faltem gaze, esparadrapo,  essas coisinhas simples, e que a rede hospitalar seja ampliada nacionalmente. Afinal, mais vale um bom hospital público, do que 1 elefante branco erguidos perto do palacete presidencial. 

Ou, quem sabe, Dona Dilma, para quem se ufana de haver assinado a Lei de Transparência, a regra valha também para si mesma. Ou será transparência decretar sigilo sobre suas despesas de viagens internacionais, acompanhada de imensa corte de vagabundos e inúteis? Ou, também, paras as milionárias verbas torradas com cartões corporativos da presidência da República, com injustificáveis e elevados saques em espécie?

Como pode notar a senhora dona Presidente, são pequeninas coisas que a população deseja e que não custa lembrar, foram promessas de campanha, foram compromissos assumidos também por todos os políticos eleitos, e que foram sendo esquecidas e abandonadas ao longo do mandato. Ou seja, nada que não possa ser cumprido para agradar a massa, de saco cheio do pão e circo que o PT vem oferecendo há mais de dez anos.  

Assim, a presidente não precisa chamar “liderança“ nenhuma. É só fazer o básico, e para isto, creio, já se perdeu tempo demais com papo furado. Queremos é mais ação em benefício do povo e que venha justificar o assalto de cinco meses em nossos ganhos a que somos obrigados a repassar aos cofres públicos. 

Por enquanto, presidente, estamos nos sentindo enganados por aqueles que se diziam nos representar, e cuja atuação, no final das contas, não nos representa e a eles parece não interessar. Eles se dedicam a representar apenas seus exclusivos interesses pessoais. 

De se pronunciamento, na qualidade de maior e mais representativa mandatária da Nação,  transborda interesse em nos ouvir.  Pois bem, as vozes e os cartazes já deram seu recado. O país está ansioso pela resposta que será dada aos anseios apresentados nas ruas de todo o Brasil. Porém, fica o recado: não tente nos trair. Creio que nem vossa excelência, tampouco o restante dos que ocupam cargos em todos os níveis e esferas de poder apreciariam a reação que possa advir de um povo revoltado. Por enquanto, estamos apenas insatisfeitos. Não tentem ultrapassar os limites da nossa paciência.