terça-feira, junho 18, 2013

Cadê Eduardo Cardozo para condenar as polícias do Rio e do Distrito Federal? Cadê Sérgio Cabral? E o Eduardo Paes, sumiu também?

Adelson  Elias Vasconcellos

Não precisa o blog se transformar em porta-voz do noticiário. As televisões, cada uma à sua maneira e com a linguagem tão característica que as caracteriza, estão o dia todo exibindo imagens, versões, opiniões do que acontece no país que, até  duas semanas parece tão cordeiro, tão passivo, tão acovardado e, de repente, resolveu mostrar a sua cara, espalhar a sua voz de indignação contra a política, os políticos, as mazelas, a inépcia, a corrupção, os desmandos e  as mentiras que enojam, assolam e infernizam a vida de todos os brasileiros.

O que espanta é a politização cafajeste que Eduardo Cardozo, que deveria agir como Ministro da Justiça, mas se portou na sexta feira como mero militante político, ao condenar  em seu púlpito, a forma como alguns Policiais de São Paulo reagiram às manifestações de quinta feira.  Porém, demonstrando sua capacidade de cr´tiica carregada de dois pesos e duas medidas, não levantou um pio para também condenar o comportamento dos policiais do Distrito Federal no sábado, e do Rio, no domingo. Nada. Silêncio absoluto. Aliás, sequer deu as caras, sumiu no noticiário. Aliás, este é bem o estilo covarde como agem os petistas. Lula, na presidência, nos momentos de crise contra seu governo, simplesmente calava e sumia. Continua assim até hoje.  O caso da Rosemery ainda aguarda uma palavra, uma explicação do ex-presidente. Mas nada. Fernando Haddad, hoje prefeito, também sumia quanto estouravam problemas no ENEM Na prefeitura de São Paulo, então, parece ter aperfeiçoado o método.

Mas Sérgio Cabral, governador do Rio, tem se mostrado aluno do petismo mais rombudo e covarde.  Basta uma nuvem escura apontar no horizonte, ele dá no pé, inventa uma viagem, some de vez. Eduardo Paes, o prefeito da Cidade Maravilhosa, parece querer aderir ao mesmo figurino. 

Estas mais de 200 mil pessoas que saíram às ruas para protestar, já exibem o quanto a insatisfação é disseminada, e quantas são as razões que as movem. 

Pode ser que neste 17 de junho, o Brasil tenha marcado a sua história. Vamos ver qual será a reação da classe política. Quais medidas advirão dos governantes de todas as esferas. Mas o fato é que o povo deu seu recado: os abusos, os desmandos, a ausência do Estado,  a ação nefasta dos maus políticos e dos péssimos servidores, inclusive os do Judiciário, em todas as esferas do poder chegaram ao seu limite. O povo mostrou a fronteira entre o aceitável e o inaceitável. Até aonde ele pode aturar os desaforos que vem sofrendo ao longo dos anos.

Mas, muito mais do que a reação dos governantes e políticos de todas as quadrilhas, não será tão importante quanto a reação deste mesmo povo nas urnas do ano que vem.  Reeleger a mesma escumalha que desgovernou e desgoverna o país em 2014, é jogar no lixo a força que ora se levanta.  Força que terá o dom, se mantida no tempo e nas urnas, terá o dom de mudar o país para melhor. 

Há tevês e jornais que insistem na história do aumento dos transportes. Outros, acham que a mobilização gigantesca de hoje é em represália à repressão de quinta feira,em São Paulo. Nada mais distante da realidade. 

Como dissemos aqui, quem tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir, saberá ler nas manifestações e protestos as lições e o recado que elas estão dando à elite política. A primeira, a de que o povo não aceita mais cabresto. A segunda, a de que o povo quer o retorno devido na qualificação dos serviços públicos. A terceira, a de que o povo quer punição exemplar para a corrupção. Ou seja, o povo quer mais governo, não menos, em favor do próprio povo. 

Se tais recados não foram bem decifrados pela elite política, ela pagará alto preço em futuro próximo. A Lei da Ficha Limpa já foi um recado singelo da população de que ela deseja uma depuração na vida política do país. 

A mobilização popular  destes últimos dias mostra que o limite de paciência contra este Estado degradante e degradado chegou ao seu ponto de máxima tolerância. 

Por enquanto, são só protestos, com atos de vandalismo isolados. Se nada for feito, se o Estado, em todos os seus níveis de poder, insistir na negligência, desmandos e descalabros, estaremos a um passo da revolta.  Os atos de vandalismo e violência por parte de grupos isolados, tendem a se acentuar em quantidade e força.

Assim, portanto, que os palácios ouçam e gravem bem o recado que vem das ruas. Que políticos como Eduardo Cardozo sejam mais republicanos, e menos passionais. Se este gigante conseguir se manter de pé, um novo tempo na nossa história acaba de nascer.  Para o bem de todos.

E quanto a Cabral, Paes e Cardozo, que tenham coragem de mostrarem a cara. É feio esconderem-se debaixo das saias de uma soberana... Depois que a poeira baixar, provavelmente aparecerão exibindo suas carrancas de pau, cheios de hipocrisia e cinismo. Depois não entendem  por que o brasileiro está tão indignado!