Adelson Elias Vasconcellos
Viva a democracia. Salve, salve povo indignado!
No primeiro comentário que fiz sobre as primeiras manifestações, ainda restritas à cidade de São Paulo, afirmei categórico: os R 0,20 até podia ser o pano de fundo, o tal transporte público gratuito até podia de pano de fundo, mas tanto um mote quanto outro não representava o tamanho da indignação que começava a tomar corpo. Do mesmo modo, como os manifestantes não se circunscrevem apenas aos jovens. Podia até representar a força motriz, mas não a única.
Tentou-se inutilmente dar aos protestos um cunho político ou até bestial. De fato, a violência exercida nas primeiras manifestações por parte de seus integrantes, deram um tom de pouca importância pela maioria. Depois, na quinta-feira, com atos de repressão policial violenta, rapidamente se mudou o sentimento. Os manifestantes colheram em cheio a simpatia de outros mais indignados, juntando-se aí o protesto contra os gastos da copa.
Mas não creio que ficaremos apenas nisso. Hoje, multidões começaram a tomar conta das grandes cidades, e as forças de segurança tentaram evitar, a qualquer custo, agir de forma precipitada.
Assim, bem vindo povo indignado, sem violência, sem depredações, fazendo ouvir apenas sua voz de repúdio a tudo o que está sendo feito no país nestes últimos anos. Já que o povo que é contra o governo federal, e são milhões, não encontram nos políticos seus legítimos representantes e porta-vozes, então que façamos nós, que detestamos este Brasil degradante que vem sendo construído e erguido desde 2003, faremos nós mesmos a oposição que o país precisa e merece.
Vejam que não se restringem os protestos apenas ao aumento das passagens do transporte público, mas também à sua péssima qualidade, cuja fiscalização os governantes se omitem em fazer. Não se restringem à inflação fora de controle há três anos, e sem perspectivas de redução no curto prazo. Não se restringem, também, apenas aos gastos imorais com a realização da copa das confederações e do Mundo. Não restringem às mentiras do discurso político, à sua corrupção endêmica, a sua impunidade permissiva e permanente, mas a um conjunto de valores que são sagrados para grande parte do povo brasileiro, e que o governo petista, por seus diferentes aparelhos espalhados na sociedade, tenta destruir a qualquer custo, por entender que, sua destruição, lhe abrirá o caminho do poder eterno.
A indignação é generalizada, em todas as faixas de renda, de idade, em todas as regiões do país, em todas as almas honestas e trabalhadoras, QUE ESTÃO CANSADAS DE SEREM EXPLORADAS por um Estado irresponsável e negligente, entupido de corrupção até a alma. Creio que a prorrogação do final do processo do mensalão, em que se percebe o quanto será difícil ver os condenados cumprindo as penas estabelecidas pelo STF, pode ter sido o estopim final da indignação. Assim, qualquer meio motivo seria a gota d’água a transbordar o copo.
Adoraria ver estes mais de duzentos mil de manifestantes invadindo a praça dos Três Poderes, estendendo faixas com seus diferentes tipos de palavras de ordem, gritando contra os ladrões gigolôs da Nação, e colocando os políticos todos que por lá habitam, sob o domínio do medo. Somente no dia em que TODOS os políticos brasileiros sentirem medo do povo, da sua reação, da sua incontida capacidade de indignação, de seu repúdio, poderemos vê-los respeitando nossos desejos. Somos nós, o povo, e não eles, os políticos, os verdadeiros donos deste país, e do cofre do Tesouro Nacional que eles adoram assaltar dia e noite.
Eles devem ter medo do nosso grito, da nossa voz e do nosso voto. Do mesmo modo, este Judiciário onde a elite encontra o melhor caminho e salvo conduto para a prática de seus crimes. Também o Executivo Federal deve temer nossa indignação pela farra que comete com o dinheiro público que deveria qualificar os serviços essenciais e são desviados para alimentar a nababesca corte de servidores inúteis com seus privilégios imorais.
Devemos gritar um basta a tudo isto!
Basta à morte por falta de assistência médica.
Basta de analfabetos jogados aos milhares nas universidades apenas para engordar as estatísticas.
Basta de formar analfabetos semi letrados, por falta de qualidade do ensino brasileiro.
Basta de transporte público transformado em carreta de animais maltrapilhos.
Basta de ver metade do país com esgoto a céu aberto correndo fétido ao lado de suas casas.
Basta de velhos abandonados, sobrevivendo às duras penas com aposentadorias imorais e indignas, depois de 30, 40 anos de trabalho e que veem suas contribuições de muitos anos servirem não para si, mas para cobrir o rombo das gordas aposentadorias dos servidores e políticos vagabundos .
Basta de insegurança nas cidades, onde nossos filhos não conseguem andar a salvo dos bandidos tratados a pão de ló pelos governos irresponsáveis e o Judiciário corrupto e ineficiente.
Basta de estradas esburacadas, basta de servidores tratando mal aqueles que lhes pagam o gordo salário.
Basta de se jogar, eternamente, bilhões de reais para sustentar a vida fácil de milhões de beneficiários, sem que se lhes cobre uma única e miserável contrapartida.
Há muitos “basta!” para indignar toda a nação. Há muitos motivos para protestar, pra gritar, berrar, se indignar. Façamos isto de forma ordeira, sem quebra-quebra, sem por fogo no circo. Vamos recrutar também os policiais militares que põe em risco sua própria vida para nos proteger da bandidagem abençoada pelos governantes e políticos, e que recebem salários miseráveis. Vamos recrutar os professores cansados de serem humilhados pelo exercício de sua nobre missão. Vamos recrutar também os motoristas dos ônibus, explorados em jornadas exaustivas de trabalho.
O povo brasileiro repele a censura, que o PT defende.
O povo brasileiro repele a legalização do aborto, que o PT defende.
O povo brasileiro repele a legalização das drogas, que o PT defende.
O povo brasileiro repele a intolerância religiosa, que o PT semeia.
O povo brasileiro repele o preconceito, e não aceita concessão de privilégios a determinados grupos isolados da população.
O povo brasileiro aceita o homossexualismo, mas repele o gaysismo e sua ostentação explícita.
O povo brasileiro repele qualquer tentativa de desmanche dos valores cristãos em que se formou, valores que o PT detesta. O único Deus que o petismo deseja impor ao povo brasileiro é a da obediência cega ao partido hegemônico que ele quer representar.
O povo brasileiro repele o racialismo que o PT pretende impor a qualquer preço.
O povo brasileiro defende, com unhas e dentes, direitos e oportunidades iguais para todos. Detesta que uns sejam mais do que os outros perante a Lei e o Estado. Assim, repele leis brandas para a criminalidade que se espalha por todo o país, incentivada pelo petismo que vê na criminalidade livre, leve e solta sua grande aliada no poder. Detestamos o terrorismo tanto urbano quanto rural, que o petismo financia com recursos públicos.
Ver manifestações de insatisfação se espalhando por todo o país, de forma pacífica e sem politização e tutela de partidos ou políticos vinculados ao status quo, dá-nos a esperança de que o Brasil tem jeito, e pode construir um futuro muito melhor do que o retrocesso que o PT nos oferece e quer impor. E este futuro, quem tem a força para lhe dar régua e compasso é o povo brasileiro, e somente ele.
Deste modo, vamos recrutar todos os que trabalham e pagam impostos na iniciativa privada e algumas poucas categorias de servidores, como policiais e professores. Vamos sacudir o Brasil e vamos exigir mudanças. Não estes pacotinhos incipientes que só servem para empurrar os problemas atuais com a barriga e mascarar a realidade que atormenta a vida de todos nós. Vamos exigir mudanças de políticas e de políticos, de atitudes e de tratamento.
É claro que numa horas dessas, bandidos de todas as cores se aproveitam do tumulto, mesmo que pacífico como foi na maior parte do tempo em que duraram as manifestações, para promoverem sua delinquência, seu banditismo. E aí, pergunto aos críticos das forças de segurança: como devem agir os policiais, deixar a baderna, o quebra-quebra tomar conta, pondo em risco a segurança das pessoas honestas, ou devem agir para, se possível, prender os vândalos, os baderneiros, os predadores do patrimônio que é público, acabando com o banditismo? E como tratar os delinquentes, entregando-lhes buquês de flores perfumadas?
Mesmo na democracia, há LIMITES PARA TUDO. Não podem vagabundos desordeiros colocar em risco a segurança das pessoas, fazer o que, à noite, por exemplo, fizeram nos arredores da ALERJ, Rio de Janeiro, em que se jogaram vários coquetéis molotov para dentro do prédio da Assembleia, quebrando tudo o que encontraram pela frente, diante de uma força policial que se viu acuada e sem poder reagir e defender os patrimônios públicos e privados. As imagens falam por si: cenário de caos total, de guerra urbana.
É imperioso que algumas redes de notícias, tevês e imprensa em geral, sejam criteriosas em suas análises e críticas. Devem saber separar o que é protesto legítimo do que é banditismo explícito. A pior coisa que podem fazer é, em nome do seu direito informar, fazer futrica, sensacionalismo barato e rasteiro, e condenar a ação legítima e legal das forças policiais na sua missão de resguardar a segurança de bens e pessoas. Ouviu-se muita gritaria histérica e fora de tom, muito tentativa de linchamento moral da polícia militar na tentativa de impedir a violência e o vandalismo. Portanto, se o exagero de um lado é condenável e merece ser investigado e punido, também de outro, em nome do direito de protestar, não se pode compactuar com a ação criminosa de aproveitadores em seu comportamento delinquente.
Quero ainda destacar outro ponto: mesmo enquanto esteve na oposição, o petismo apostou no quanto pior melhor. Sabotou todos os governos que se seguiram à ditadura militar. Renegou a própria constituição que nos rege. Negou-se em participar do colégio eleitoral que decretou o fim do regime repressivo. No poder, semeou em tempo integral, aquilo que já fazia na oposição: a divisão da sociedade, intrigando uns contra os outros, pois entendia, como ainda entende, que quanto mais fragmentada a nação, mais fácil seria sua dominação. O PT jamais trouxe consigo um projeto de país, trouxe apenas um projeto de poder, de partido único hegemônico, e semeou o ódio de classes, norte contra sul, negros contra brancos, MST e índios contra agropecuaristas, patrões contra empregados, e na política cultivou o “nós” contra “eles”, além de incentivar a “destruição” dos adversários.
Coisa que aqui sempre desafiei foi que se comparasse o Brasil que FHC recebeu com o Brasil que ele entregou a Lula. Comparar “feitos” como se fez, é mistificação, porque Lula colheu em seus mandatos a obra iniciada pelo seu antecessor. Porém, comparando a condição brasileira recebida por um e por outro, seria possível constatar todas as mentiras que Lula se encarregou de plantar desde 2003.
Quando do impeachment de Fernando Collor, foi o PT o fio condutor do levante e da derrubada e aquele que mais insuflou o povo a ir às ruas protestar. Lembram dos caras pintadas? Não que Collor não merecesse. Pagou caro por desafiar e desprezar a força popular.
As manifestações de pura insatisfação contra o Brasil que vivemos neste ano de 2013, não é um movimento dirigido por partido nenhum. Ele nasceu, cresceu e se desenvolveu por dentro da sociedade, aquela voz rouca das ruas. Daí, talvez, sua maior legitimidade. Mas é preciso ficar atento para que oportunistas políticos não tentem assumir a paternidade dos movimentos. Aliás, devemos mantê-los longe, bem longe das manifestações.
O povo é o único dono que o Brasil possui. Chega de vermos o Estado privatizado pela canalhada e assaltado pelas ratazanas. Que o Estado nos sirva, porque sua única missão é justamente esta, é sua obrigação, sua maior prioridade, a sua razão de existir.
Acorde e levante, povo brasileiro. Não precisamos ser tutelados por um Estado que, além de tudo, é ineficiente. Somos nós, sociedade, quem devemos tutelá-lo, sem meias medidas, por sermos cidadãos livres e donos da nossa vontade. Um povo livre não aceita cabresto de quem quer que seja, muito menos de quem jamais estendeu a mão ao entendimento e à construção de um país melhor, moderno e mais democrático, como é o caso do PT. Portanto, Viva a democracia!