Adelson Elias Vasconcellos
O Futebol é o mais popular dos esportes. Ali, não existem diferenças de classes, a rigor, não existem diferenças. Jogam o nanico e o grandão com as mesmas possibilidades de consagração. Ou Messi, por exemplo, não seria o melhor do mundo, certo?
Pois então. O Brasil, mesmo sem ter condições, ofereceu-se à FIFA para sediar o Mundial de 2014 e, por tabela, a Copa das Confederações que teve início no sábado.
Para sediar os dois eventos, apesar de todas as coisas erradas cometidas pelos governos além dos que foram escolhidos para serem os organizadores, sabemos que está sendo medido esforços para fazermos bom papel. Estamos tirando uma fortuna da saúde, da segurança, da educação, da infraestrurtura para bancar as duas copas. Abrimos mão até da nossa soberania com uma regulação de exceção que sobrepõe até as leis brasileiras.
O mínimo que se espera da senhora FIFA é um pouco de respeito. Afinal, se a Copa é da FIFA, a casa ainda é nossa, o povo ainda é o brasileiro, os investimentos que sendo feitos estão sendo bancados com o nosso dinheiro, já que a FIFA não põe nada de seu bolso, pelo contrário, só leva embora. E a reputação, afinal de contas, que está em jogo é a nossa.
Assim, achar que pode vir aqui e mandar o público no estádio calar a boca e deixar de protestar é, no mínimo deselegante. O futebol, por mais popular que seja, não será nunca maior do que o Brasil que, aliás, não vive apenas deste esporte. Outros esportes também já se tornaram tão populares quanto, e nos dão as mesmas alegrias que antigamente o futebol já nos deu.
Portanto, quem deve calar-se é Blatter. Chega de constranger e humilhar o nosso país e seu povo. Não somos primitivos, somos um país em construção, mas aqui ainda respiramos a democracia plena, apesar de suas mazelas. E na democracia, senhor Blatter, o direito primeiro é o de manifestar-se, seja contra ou favor dos governantes . Portanto não será um presidentezinho insignificante de uma federação de futebol que terá poder de calar nossa voz, de protesto ou a favor, não importa.
Não estamos satisfeitos com a copa no Brasil, e todas as negociatas e safadezas que em torno dela foram realizadas. Não estamos satisfeitos com a fortuna que está sendo gasta, fortuna que está sendo desviada da educação, da segurança, da saúde, do saneamento básico, da infraestrutura. Não estamos satisfeitos com as exigências, muitas delas absurdas e esquizofrênicas, impostas pela FIFA, colocando nossas leis e soberania de joelhos para um ente privado transnacional. Seja como cidadão, seja como torcedor, a vaia é um direito que não será um personagem caricato qualquer que nos negará. Superamos mais de 20 anos de ditadura para agora o senhor Blatter vir aqui nos destratar? Nem a pau, Juvenal!.
E tenha isso em mente: se não estover satisfeito, é simples. Pode embarcar no primeiro aeroporto e voltar de onde veio. E se ainda acha pouco, fique a vontade: pode levar estas copas de qualquer coisa para longe daqui. Não precisamos dela para nos desenvolver, para nos orgulhar de nós mesmos, para mostrarmos ao mundo do que somos capazes. Acredite, meu caro, há coisas muito mais importantes e interessantes de serem feitas por aqui do que ficar aqui enchendo os cofres da FIFA, que ao fim e ao cabo destes eventos, baterá em retirada, deixando para o país imensos dívidas a serem saldadas através de muitos anos, além de fenomenais elefantes, inúteis e dispendiosos..
Portanto, Joseph, presidente da FIFA e toda a sua cambada de diretores: VÃO SE DANAR!