Isabel De Luca E Bruno Góes
O Globo
Manifestantes reclamam de repressão aos atos no Brasil
Facebook
Em Dublin: ‘Desculpe o transtorno, estamos construindo um novo Brasil’
RIO E NOVA YORK - Em sintonia com as últimas manifestações no país, centenas de brasileiros realizaram protestos no exterior neste domingo. Em Dublin, na Irlanda, manifestantes carregavam cartazes como “Desculpe o transtorno, nós estamos construindo um novo Brasil”; ou “Protesto não é crime, #vemprarua”. Em Berlim, na Alemanha, cerca de 300 pessoas também protestaram. “É por direitos, não por centavos”, dizia um cartaz. O ato também contou com a participação de turcos, que se uniram contra a reação da polícia às manifestações nos dois países. Em Montreal, no Canadá, manifestantes carregavam um grande cartaz, que dizia: ‘Democracia não tem fronteiras’. Já em Nova Yor, cerca de 100 pessoas se encontraram no Central Park.
Em Berlim, o protesto ocupou uma rua movimentada da cidade, a Kottbusser Damm, e a polícia acompanhou a manifestação pacífica. Já em Dublin, o grupo começou a passeata pela movimentada O’Connell Street, passou pela via Grafton e chegou a Stephen’s Green, parque público no centro da cidade.
Segundo o convite para a manifestação, os protestos “tratam sobre a democracia, sobre um governo que reprime sem ouvir e só funciona em cima de barganha política”.
Em Nova York, nos EUA, os brasileiros não tinham autorização da prefeitura para fazer a manifestação. Eles, então, não puderam continuar o protesto iniciado na tarde deste domingo. Com cartazes como "Primavera Brasileira" e “O povo acordou”, os manifestantes tiveram que empreender uma tática diferente: combinaram de ir ao show de Preta Gil, que ocorre por conta do Festival de Cinema Brasileiro, e soltar gritos de ordem após o fim da terceira música do show.
Apesar de a maioria não ser fã da cantora, a ideia ganhou força entre um grupo basicamente de estudantes, grande parte de São Paulo.
Estudantes brasileiros residentes em outros países também estão organizando, por meio do Facebook, ao menos 30 atos de apoio às manifestações que ocorreram nos últimos dias em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os atos estão previstos para serem realizados em cidades da Europa, EUA, América Latina, Japão e Austrália.
Na página Democracia Não Tem Fronteiras - Brasileiros no Exterior são listadas manifestações em cidades como Paris, Madrid, Londres, Lisboa, Barcelona, Nova York, Cidade do México, Chicago, Tóquio e Sidney. A maioria dos atos está sendo marcada para o próximo dia 18, em horários variados.
"Somos brasileiros que vivem fora do Brasil, mas que continuam acreditando que o nosso país pode ser um lugar mais justo, mais seguro, mais humano. Somos italianos, portugueses, alemães, ingleses, europeus, americanos, somos gente de todo o mundo que apoia o povo brasileiro nessa luta! Somos gente que não consegue ficar parada com a desculpa de que 'estamos longe', e que sente a necessidade de se manifestar, de agir, de lutar", declara uma publicação fixada na principal página dos protestos, que lista mais de 4 mil participantes.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Em razão do noticiários dos últimos meses, corre no exterior uma campanha contra a Copa: "Dont go to Brazil !".
O cartaz acima circula em Londres. É provável que se desenvolva apenas pela Internet e algumas redes sociais. A ideia é promover um boicote geral, global, em sintonia com os brasileiros que protestam dentro do Brasil.
O mote da campanha é a violência, que é real, porque mesmo em cidades médias do país, já é impossível sair à rua sem receio. As pessoas protegem-se atrás de grades, muros, cercas elétricas, cães ferozes, câmeras, alarmes, refletores presenciais, guardas armados. O que está escrito em inglês:
NÃO VÁ AO BRASIL
Lá o crime é livre e tem total suporte do governo
Os menores de 16 tem passe livre para todo tipo de crime. A justiça do país não tem lei para os crimes cruéis de morte e estupro em transporte público.
Alguém é capaz de ver na campanha alguma injustiça que se esteja cometendo contra o Brasil, ou alguma inverdade sobre o momento atual que vivemos?
Mas ainda voltaremos, ao final desta edição, para tratar deste fenômeno raro e histórico de indignação do povo brasileiro.

