quinta-feira, julho 04, 2013

Alves reembolsará cofres públicos por viagem em avião da FAB. Só?

Exame.com
Ivan Richard, Agência Brasil

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Henrique Alves usou um avião da FAB para levar parentes ao jogo da Seleção Brasília no Maracanã

Antonio Cruz/ABr 
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves: 
em nota, o presidente reconheceu o erro e determinou que sua 
assessoria providencie o pagamento dos valores das passagens.

Brasília - O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), informou hoje (3), por meio de nota, que vai reembolsar aos cofres públicos os valores correspondentes às passagens aéreas dos parentes e amigos que viajaram em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), de Natal (RN) para o Rio de Janeiro, no último final de semana.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Henrique Alves usou um avião da FAB para levar a noiva, parentes dela, enteados e um filho ao jogo da Seleção Brasília no Maracanã, no domingo (30), quando foi disputada a final da Copa das Confederações. Ainda de acordo com o jornal, um jato C-99 da Força Aérea decolou da capital do Rio Grande do Norte às 19h30 de sexta-feira (28) rumo ao Rio de Janeiro e retornou no domingo, às 23h.

Em nota, o presidente reconheceu o erro e determinou que sua assessoria providencie o pagamento dos valores das passagens ao erário. “O deputado Henrique Eduardo Alves esteve no Rio de Janeiro cumprindo agenda previamente acertada com o prefeito da cidade, Eduardo Paes. No sábado, 29, os dois participaram de uma reunião almoço, na residência oficial, na Gávea Pequena. O presidente [da Câmara] reconhece que a concessão da carona foi um equívoco e que, por dever, imediatamente, corrige-o”, diz trecho da nota.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É impressionante a cara de pau do deputado. Nem em sua agenda a viagem ao Rio estava marcada, tampouco na agenda do prefeito Eduardo Paes constava registro do encontro. 

Esta pressa em reembolsar os cofres públicos pela safadeza cometida, só vai acontecer em razão de a notícia ter vazado na Folha de São Paulo. Do contrário, ele não teria se dado conta do “equívoco”. O diabo é que igual a Henrique Alves, o Congresso está cheio, como Renan Calheiros, por exemplo, que também usou avião oficial para compromisso particular. Foi à um casamento. Outro “equívoco”?  

Se a gente quiser traçar uma divisória entre um povo desenvolvido, e outro ainda no meio do caminho, basta ver a noção de moral da classe política de uma e de outra nação. Por aqui, o senhor Eduardo Alves (e amanhã deverá ser Renan Calheiros),  não se sentem nem um pouco constrangidos de se apropriar do bem público para uso particular. No caso em questão, somente após a denuncia, acham que, se reembolsarem os cofres públicos, já está bom. 

Errado. Deveria era perder o mandato porque, mesmo que não houvesse regra nenhuma disciplinando o uso de aviões oficiais  –e há –, senso moral é algo que todo o cidadão deve ter, quanto mais aquele que se pretende representar uma comunidade, um estado ou mesmo uma região no Congresso Nacional.  Outro motivo que deveria tirá-lo da vida pública é se justificar com mentiras. 

Talvez o leitor entenda que os R$ 9 mil que o deputado provocou de despesa “extra” ao erário, seja um valor insignificante. Só que não é: imaginem quantos voos “solo”  são feitos sem que não se noticie ou se descubra, e multiplique apenas neste item por 513 deputados e 81 senadores. Agora, imagine a estrutura do Executivo e seus milhares de “servidores” de si mesmos. Feito isso, ponha tudo dentro de um mesmo balaio e some para ver quantas escolas deixaram de ser construídas, quantas melhorias na rede pública de saúde foram postas de lado, quantas casas populares não puderam ser construídas, quantas delegacias não puderam ser ampliadas, e quantas reformas nos presídios deixaram de ser executadas. E tudo começou com “desprezíveis” R$ 9 mil!!! 

A tolerância com a corrupção e com o desperdício de dinheiro público não pode se permitir relevar nada, ou seja, a tolerância deve ser ZERO VEZES ZERO.   
        
São estes cínicos e aproveitadores que os eleitores brasileiros precisam varrer para fora da vida pública, se o desejo de mudanças para melhor prevalecer na alma de cada um.