quarta-feira, agosto 21, 2013

Após “farra do caviar”, grupo convoca buchada no Facebook

Marina Pinhoni
Exame.com

Manifestantes organizam protesto contra o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), devido a contrato de R$ 3,4 milhões com buffet que serve lagosta e caviar

EDUARDO QUEIROGA/VEJA 
Buchada de bode: o prato típico nordestino será oferecido 
em protesto contra o governador do Ceará Cid Gomes

São Paulo - Indignados com a notícia de que o governo do Ceará firmou contrato de R$ 3,44 milhões com buffet que serve pratos refinados como escargot e caviar, um grupo resolveu organizar um banquete popular, com direito a buchada, na porta do governador Cid Gomes (PSB).

Por meio do Facebook, o grupo intitulado “Buchada no Palácio!” organiza para este sábado, 24, um protesto nas dependências do Palácio da Abolição, sede do governo do estado. De acordo com a descrição do evento, a ideia de servir os pratos típicos nordestinos veio após a declaração do deputado estadual Fernando Hugo (PSDB), que saiu em defesa do governador.

Ao Jornal Nacional, o parlamentar afirmou que a presença de itens refinados no cardápio do cerimonial do governo se justificava porque fazia parte da alimentação de pessoas “internacionais”.

“O governador não pode oferecer buchada somente”, disse o deputado. Em resposta, os manifestantes afirmam: “Se o governador não pode oferecer buchada, panelada, sarrabulho, tripa de porco e paçoca somente, nós podemos!”.

Até o fim da manhã desta terça-feira, mais de 1.400 pessoas haviam confirmado presença no protesto que também convoca o povo cearense a “tomar banho de piscina” e “se bronzear” no Palácio da Abolição.

Contrato polêmico
 
Reprodução de evento no Facebook  organizado pelo grupo "Buchada no Palácio"

Sob a justificativa de atender às necessidades do Cerimonial do Gabinete, Cid Gomes assinou o contrato de R$ 3,44 milhões com a empresa Anita Serviços de Alimentos para a prestação de serviços de buffet e decoração. A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado no dia 1º de agosto, e prevê que o valor seja gasto no período de um ano.

Em nota oficial, no entanto, o governo justificou que o prazo do contrato deve ser “aditivado até o período de quatro anos” e que não há a obrigatoriedade de pagamento do valor completo. “Os valores são pagos conforme a demanda e não existe um valor fixo/mínimo mensal”, disse a nota.

Independentemente se o contrato será cumprido na íntegra ou não, o que chama a atenção é o luxo presente nas especificações exigidas para a contratação da empresa fornecedora. Além do refinado cardápio, o documento também lista a utilização de bandejas de prata e taças de cristal, além de decoração com arranjos de orquídeas e lírios e uma enorme equipe para servir os convidados.

Após a repercussão do caso, o governador afirmou que pretende retirar todos os "nomes exóticos" do cardápio. "Tudo que for em inglês, francês, está fora", afirmou durante evento, sem garantir a diminuição do valor do contrato.