Danielle Nogueira
O Globo
Volume atingirá 34,5 milhões de toneladas, o mesmo do ano passado, segundo revisão do Instituto Aço Brasil
Projeção anterior era de alta de 5,8% na produção nacional
Vendas internas também crescerão menos, diz presidente-executivo do instituto
RIO - O Instituto Aço Brasil (IABr) revisou para baixo as projeções para o desempenho da indústria siderúrgica em 2013. Dados divulgados nesta terça-feira mostram que a produção bruta de aço deverá atingir 34,5 milhões de toneladas este ano, igual volume ao registrado no ano passado. Na última projeção do instituto, feita em maio, a produção alcançaria 36,5 milhões de toneladas, um crescimento de 5,8%.
A acentuada queda nas exportações será o principal freio para a expansão do setor. A previsão é que as vendas externas despenquem 13% em 2013, para 8,5 milhões de toneladas, refletindo a fraca demanda internacional e o elevado excedente de aço no mundo. Há, hoje, uma capacidade ociosa de cerca de 600 milhões de toneladas de aço na indústria siderúrgica mundial. Na previsão feita em maio, a queda das exportações era de 8,8%.
De acordo com Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do IABr, a recente valorização do dólar pode levar a uma leve melhora desse quadro nos próximos meses — com o dólar alto, os produtos brasileiros se tornam mais competitivos no mercado externo — mas não será suficiente para inverter o quadro. De janeiro a julho, as exportações caíram 17%. No mesmo período, a produção de aço bruto recuou 2,2%.
— Pode haver uma melhora com o câmbio, mas com esse volume (excedente) de 600 milhões de toneladas, você bota a cabeça do lado de fora e o que você vê são práticas predatórias — disse o executivo.
Ele lembrou ainda que, se por um lado, o dólar alto ajuda nas exportações, por outro, pressiona as siderúrgicas na questão dos insumos. Mais de 50% da estrutura de custo do aço são relacionadas a matérias-primas com preço dolarizado, como minério de ferro e carvão.
O mercado interno também não está respondendo como esperado. As vendas vão crescer 5,3% este ano, para 22,7 milhões de toneladas, segundo as previsões revisadas. A projeção feita em maio apontava para alta de 7,6% nas vendas domésticas. As importações também devem cair 14,4% (na projeção anterior, a queda era de 15,4%), reforçando o apetite menor do mercado nacional.
— O mercado interno não levantou como se imaginava. Havia boas perspectivas com o pré-sal, a Copa de 2014 e programas como o Minha Casa, Minha Vida. Mas eles não levaram a um aumento expressivo da demanda — afirmou Marco Polo.
Aço importado em estádios da Copa
Segundo ele, quatro estádios (nos estados de RS, CE, AM e BA) que estão sendo construídos ou reformados para a Copa vão usar aço importado. Marco Polo defende que seja criado o Compre Brasil, um programa que determinasse percentuais de conteúdo nacional nos projetos. A inspiração vem dos Estados Unidos, onde existe o Buy America (Compre América).
Marco Polo também criticou a possibilidade de revogação da Resolução 70/2012 da Câmera de Comércio Exterior (Camex), como deu a entender o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em declarações recentes à imprensa. A resolução, que entrou em vigor em outubro do ano passado, determinou a aplicação do imposto de importação a cem produtos brasileiros por um período de um ano. Entre eles, estão dez produtos siderúrgicos. A medida foi tomada para proteger itens nacionais que estavam sofrendo forte concorrência de produtos importados.
A alegação da Fazenda foi a de que a valorização do dólar compensaria o impacto da não prorrogação da resolução, uma vez que o dólar alto torna as importações menos competitivas. Para Marco Polo, a alegação “não procede”, pois o encarecimento do dólar ocorreu no mundo todo, não apenas no Brasil.
— A notícia nos pegou de surpresa. Estamos dispostos a reduzir o imposto (de importação), se o governo caminhar na linha da desoneração dos produtos siderúrgicos nacionais. O governo estava indo nessa direção, mas com as manifestações de junho decidiu rever prioridades e alocar recursos para a melhoria da mobilidade urbana (uma das demandas dos manifestantes) — disse o executivo.
Produção de aço na América Latina sobe 2,7% em julho
Relatório divulgado nesta terça-feira pela Associação Mundial de Aço (Worldsteel) estima que a produção sul-americana de aço bruto teve alta 2,7 % em julho na comparação anual, com destaques para crescimento de 34 % da produção da Argentina, que somou 462 mil toneladas, e de 26,7 % da Venezuela, para 265 mil toneladas, segundo a Worldsteel.
A Worldsteel informou ainda que a produção de aço bruto da China cresceu 6,2 % em julho sobre o mesmo mês de 2012, para 65,47 milhões de toneladas. No ano, a produção chinesa acumulada subiu 7,1 %, para 455,8 milhões de toneladas. Já a produção mundial no mês passado cresceu 2,7 % sobre julho de 2012, para 132,32 milhões de toneladas de aço bruto, de acordo com a entidade.