Reproduzido do Blog do Noblat
Sob o título "A sombra do PMDB na Petrobras", a revista ÉPOCA deste fim de semana publicou longa reportagem com base no desabafo feito pelo lobista João Augusto Rezende Henriques.
Sob o título "A sombra do PMDB na Petrobras", a revista ÉPOCA deste fim de semana publicou longa reportagem com base no desabafo feito pelo lobista João Augusto Rezende Henriques.
Esta tarde, João Augusto distribuiu nota onde nega tudo ou quase tudo o que disse. Leia.
E em seguida ouça 10 trechos da entrevista gravada concedida por ele à revista.
A nota:
"Informo que não concedi entrevista à revista Época. O contato que mantive com o repórter da publicação tratava-se meramente de uma conversa informal, cujo convite partiu dele, na qual o repórter apresentou as situações descritas na reportagem. O que não significa que houve concordância com a versão do repórter.
Quanto aos fatos mencionados pelo jornalista, não exerço, e nunca exerci, qualquer interferência nos contratos da área internacional da Petrobras. Não recebi e nunca repassei qualquer recurso para pessoas nem tampouco partidos, sejam eles PT ou PMDB.
De fato, havia sido sondado pelo já falecido deputado Fernando Diniz para assumir um cargo na Petrobras, mas declinei do convite.
Conheci, e conheço várias pessoas da Petrobras porque lá trabalhei durante 23 anos, tendo sido, inclusive, diretor da BR Distribuidora. Não fui responsável por demissões ou indicações para cargos na estrutura da Petrobras.
No mais, o que expôs a publicação são ilações. João Augusto Henriques"
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Neste trecho, o lobista João Augusto confirma que repassava um percentual (propina) ao PMDB do que arrecadasse junto às fornecedoras da Petrobras
Neste trecho, João Augusto explica que pagava propina ao PMDB em contratos que fechasse na área internacional, sob controle do partido, mas não nos contratos fechados em outras diretorias da Petrobras.
Neste trecho, o lobista João Augusto explica como determinou aos apadrinhados do PMDB na Diretoria Internacional da Petrobras que contratassem a Odebrecht para realizar serviços ambientais - um contrato de quase US$ 1 bilhão. Diz como o PMDB pôs fim à CPI da Petrobras, em 2009, em troca da promessa de José Sérgio Gabrielli, do PT, então presidente da estatal, de não impôr dificuldades à assinatura do contrato. E detalha como acertou propina dentro da Petrobras, para o PMDB – e até para a campanha presidencial de Dilma Rousseff, por meio do tesoureiro João Vaccari. "Quem ajuda, ganha", diz. "Todo contrato é assim."
Aqui, o lobista João Augusto explica que repassaria, ao PMDB, o que fosse arrecadado junto ao empresário argentino Cristóbal Lopez, que pagaria propina para conseguir comprar a refinaria de San Lorenzo. Diz, também, que o repasse era centralizado pelo deputado Fernando Diniz (que veio a morrer logo depois), então líder da bancada de dez deputados do PMDB de Minas.
Neste trecho, o lobista João Augusto diz que, do US$ 6,8 milhões arrecadados em propina na venda da refinaria San Lorenzo, cerca de US$ 5 milhões seriam repassados ao PMDB. Ele também explica que o valor a ser repassado ao partido dependia da operação.
Neste ponto, o lobista João Augusto diz como operou a contratação, por US$ 1,6 bilhão, do navio-sonda Titanium Explorer, da empresa Vantage, junto à Diretoria Internacional da Petrobras. Ele diz que repassou US$ 10 milhões de sua comissão ao PMDB.
Neste trecho, João Augusto diz que repassava o dinheiro da propina do PMDB, no caso da contratação do navio-sonda Titanium Explorer, conforme recebesse da empresa Vantage. "Foi pago até 2012", ele diz.
Neste trecho, João Augusto explica que, sempre que possível, pedia às fornecedoras da Petrobras, como a Vantage, que remetessem o dinheiro da propina diretamente aos deputados. E diz que o partido usava doleiros para receber os pagamentos. "Era muita gente (recebendo)", diz.
Aqui, João Augusto critica os deputados, mas confirma que cumpria os acordos de propina.
Aqui, João Augusto reclama da cobrança dos deputados do PMDB, que insistiam em pedir dinheiro para campanhas políticas – e diziam que o então parceiro de João Augusto na Petrobras, Jorge Zelada, diretor da internacional da empresa, não "mandava dinheiro".