Adelson Elias Vasconcellos
Nosso inimigo, fica visto, mora aqui dentro das nossas fronteiras. E ele dorme em Brasília.
Quando veio a público as denúncias sobre espionagem, praticadas pelas agências de inteligência americanas, no governo brasileiro e na Petrobrás, sei que fui contra a corrente. Afirmei, está registrado, é só conferir, que a denúncia não tinha a força de dar veracidade ao fato. Várias vezes voltei ao site do Fantástico, da Rede Globo, e revi as reportagens e, muito embora tentasse vislumbrar uma nesguinha que fosse sobre a ação bisbilhoteira, confesso que não mudei a primeira impressão. Continuo afirmando que, nas reportagens, o que se viu foram montagens em quadros que qualquer amador em computação é capaz de fazer. Não há uma única transcrição de conversas telefônicas que tenham sido interceptadas da presidente Dilma, como há uma única informação sobre a Petrobrás e suas estratégias.
O que há são roteiros de “como espionar” e não fatos e conversas espionadas. E mantenho a posição inicial: as tais denúncias vazadas por Snowden cheiram muito mais a uma vindita pessoal, fruto de algum ressentimento proveniente de alguma história mal terminada.
Disse, ainda, que o governo até estava em seu papel em recriminar os americanos, porém, tal condenação deveria ater-se aos meios diplomáticos, nada do tipo desafiador, ou pior, cancelar uma visita de Estado.
Complementei aqueles comentários dizendo que o governo brasileiro tem e mantém uma agência de inteligência,. a ABIN, que exerce igual função que a NSA americana, e que nossas embaixadas, principalmente, nas Américas do Sul e Central, ao seu modo, também exerciam o papel de bisbilhoteiros.
Semanas se seguiram e o que se viu foi que a mesma NSA, também, teria espionado outros países além do Brasil. Isto serviu para por as coisas nos seus devidos lugares: não éramos melhores do que ninguém. Claro que isto contribuir exacerbado para reduzir um pouco o ego dos nossos “patriotas”. Porém, o mesmo discurso estúpido permanece solto no ar. E não será com resoluções na ONU que o problema será contornado. Não mesmo!
E, ainda que se crie qualquer norma internacional que ponha freios à espionagem, tão certo quanto dois mais dois são quatro, é que ela continuará sendo exercida, porque ela faz parte dos costumes da humanidade desde tempos remotos.
Hoje, reportagem da Folha de São Paulo, surpreendeu o mundo nacionalista. Também o Brasil, e durante o governo petista, andou dando suas xeretadas em governos estrangeiros. Informação que acabou confirmada pela própria ABIN que, por outro lado, se mostrou indignada com o vazamento da ação bisbilhoteira.
Bem, creio que isto põe um ponto final nesta teatralidade protagonizada por dona Dilma e sua trupe. Como condenar nos outros ações que também nós, brasileiros, cometemos? Constrangedor, é o mínimo que se pode dizer.
Aliás, o país ainda fervilhava sobre os ecos das manifestações de rua. Dilma caia abruptamente nas pesquisas. E, em agosto, começavam a pipocar no noticiário os maus resultados da economia interna. Assim, arranjar um inimigo externo era oportuníssimo.
Deste modo, voltamos ao ponto inicial: se todos espionam todos, o que se espera dos governos é maior precaução e proteção, seja em seus sistemas de defesa cibernéticos, seja no monitoramento em tempo real para que este tipo de informação não vaze para o ambiente externo. Acho que estamos entendidos neste ponto. Em relação ao Brasil, o único inimigo que pode nos afetar são governos medíocres aqui dentro mesmo que, ao invés de assumir suas deficiências, tentam trans ferir a terceiros suas próprias culpas e responsabilidades. Nosso inimigo, fica visto, mora aqui dentro das nossas fronteiras. E ele dorme em Brasília.
Recorde de violência
O Brasil, se não tomar cuidado, e nossas autoridades continuarem omissas, logo se transformará no maior campo de batalha da História. Reportagens transcritas nesta edição, da Exame.com e do jornal O Globo, mostram que, ale de já termos alcançado a impressionante marca de 50.000 homicídios por ano, o número de estupros conseguiu ser maior: são mais de 52 mil/ano. Nem juntando todas as guerras em curso no planeta, se mata tanto quanto no Brasil, considerado por muitos como um país “pacífico”.
O tema rende mais do que breves comentários. Mas os números do 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública não deixam margem à dúvida, afinal são números oficiais: o estado brasileiro onde se mata menos permanece sendo São Paulo, onde, por coincidência, é onde também se tem o maior número de presos por 100 mil habitantes e, também, onde mais se investe em segurança.
Já a Bahia, sob o comando petista há quase sete anos, é onde os números da violência mais impressionam, negativamente. Naquele estado é onde menos se prende, e onde mais se mata.
Pode ser coincidência, mas creio que manter bandido preso é ainda o melhor caminho para se ter alguma segurança no país. Infelizmente, tanto nosso judiciário, a parte do Estado brasileiro contaminada pelo pensamento obtuso das esquerdas, parecem ir na direção contrária. Acham que bandido pode ser paparicado, acariciado e que, num sopro divino, eles se corrigirão sem precisar ir para a cadeia. Tornar-se-ão cordeirinhos num passe de mágica. Porém, tal ocorre só no mundo da fantasia. No mundo real, e as estatísticas estão aí para comprovar, a coisa acontece de maneira diferente.
O que esperam as autoridades que aconteça para tomarem a si maior responsabilidade em relação à segurança pública? Porque aqueles milagres todos prometidos por Lula, Tarso Genro, Dilma Rousseff, José Eduardo Cardoso, dentre outros menos importantes, estão longe de acontecer. Pelo contrário: quanto maior o milagre que prometem, mais violento se torna o país, mais brasileiros morrem todos os dias. Aqui, a pena de morte existe e é apenas para as vítimas.
