Beatriz Souza
Exame.com
Jovens que não querem sair da casa dos pais e mulheres com menos tempo para afazeres domésticos - o Brasil se modernizou nos últimos 10 anos. Veja o que diz estudo do IBGE
São Paulo - O Brasil se tornou um país mais moderno nos últimos 10 anos e adquiriu - ou aumentou - hábitos vistos com escalas diferentes em todo mundo. É o que mostra o estudo "Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2013", lançado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que compara os anos de 2002 e 2012.
A geração canguru, por exemplo - jovens com mais de 25 anos que permanecem morando com os pais - aumentou, assim como a quantidade de pessoas que vivem sozinhas. E as mulheres hoje passam menos tempo cuidando de casa (mas ainda fazem isso bem mais que os homens).
Muitas destas mudanças são claramente percebidas pela população - estão relacionadas à estabilização econômica e à consequente entrada de milhões de pessoas no mercado de trabalho formal - outras exigem a comprovação de pesquisas e números, o que pode ser Muitas destas mudanças são claramente percebidas pela população - estão relacionadas à estabilização econômica e à consequente entrada de milhões de pessoas no mercado de trabalho formal - outras exigem a comprovação de pesquisas e números, o que pode ser visto a seguir.
• Jovens não saem de casa tão cedo
Geração canguru é o termo que se dá para o grupo de jovens entre 25 e 34 anos que ainda moram na casa dos pais. Segundo o IBGE, este prolongamento da convivência entre pais e filhos é um fenômeno que vem crescendo cada vez mais.
Em 2002, a proporção de pessoas nessa faixa etária que ainda morava com os pais era de 20%. Em 2012, passou para 24%, sendo que 60% deles são homens. Os motivos que levam a prolongar a estadia sob teto familiar, segundo o IBGE, são muitos e vão desde o laço emocional a razões financeiras.
• As mulheres já não ficam tanto tempo cuidando de casa
Um efeito da maior participação das mulheres no mercado de trabalho é a redução do tempo gasto com os afazeres domésticos: elas diminuíram em duas horas por semana o tempo presas a esses serviços.
Segundo o IBGE, em 2012, as jornadas femininas no lar eram de 20,8 horas, duas a menos que em 2002. No período, nada mudou para os homens, que mantiveram as 10 horas dedicadas à própria casa.
Somadas as horas da jornada doméstica com a jornada no trabalho (42,1 horas deles contra 36,1 horas delas), vê-se que as mulheres ainda são mais sobrecarregadas que seus companheiros.
• Ter filhos ficou para mais tarde
A maternidade ainda pode ser o sonho de muitas mulheres, mas fica a cada dia para mais tarde. Enquanto em 2002 32,2% das mulheres entre 25 e 29 anos não tinham filhos, em 2012, esse indicador subiu para 40,5%, o que mostra que crianças estão ficando para depois dos 30.
Entre as mulheres mais velhas, 11,8% chegam a faixa etária de 45 a 49 anos sem ter filhos.
• Tem mais gente morando sem companhia
Uma mudança importante na formação dos lares brasileiros é o crescimento das pessoas que vivem sozinhas. Em 2002, elas representavam 9,3% dos domicílios. Dez anos depois, este número chega a 13,2%.
Segundo o IBGE, este crescimento é consequência principalmente da queda da fecundidade e do envelhecimento da população. É curioso notar que esta parcela da população que opta por viver só se distribui de forma diferente pelo país: no Norte, por exemplo, a maior parte são homens, enquanto no Sudeste e no Sul, há mais mulheres vivendo sozinhas.
• Crianças vão para escola cada vez mais cedo
Um grande avanço no caminho da universalização do ensino no Brasil é o fato das crianças estarem começando a estudar mais cedo - não é preciso esperar mais os 5 ou 6 anos. De acordo com dados do PNAD 2012, o acesso à educação infantil foi um dos que mais cresceu na última década.
A proporção de crianças de 0 a 3 anos que frequentavam a escola disparou de 11,7% em 2002 para 56,7% em 2012. O grupo de 4 a 5 anos na escola cresceu de forma igualmente impressionante, passando de 21,2% para 78,2% no período.
• O dinheiro no bolso aumentou (de verdade, não só para repor inflação)
Nos últimos 10 anos, o crescimento do rendimento real da população de 16 anos ou mais cresceu 27,1%. Segundo o IBGE, esse dado é uma das formas de avaliar se o crescimento e a formalização do mercado de trabalho significou também melhores remunerações aos trabalhadores.
O aumento real foi maior entre os trabalhadores informais (31,2%). Para a parte da população empregada em empregos formais, crescimento foi de 13,6%.
• Mais pessoas trabalham com carteira assinada
Com a estabilização da economia brasileira nos anos 90, o mercado de trabalho formal cresceu substancialmente. Entre 2003 e 2012, o Brasil viu o número de empregos formais saltar de 29,5 milhões para 47,5 milhões - um crescimento de 60%. Os setores de construção civil, comércio e serviços foram os que lideraram este aumento na oferta de trabalho.
• Menos gente vivendo sem esgoto
Uma forma de medir a melhora da qualidade de vida do brasileiro é pelo acesso a saneamento adequado, algo em que o Brasil não é exatamente um exemplo mundial.
Entre 2002 e 2012, o número de domicílios urbanos que tinham acesso a todos os serviços públicos adequados cresceu 7,3 pontos percentuais, passando a 70,3%.
Segundo o IBGE, o conceito de saneamento adequado engloba um conjunto de serviços que devem ser prestados aos domicílios simultaneamente: abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário ligado à rede geral - ou fossa séptica, simplesmente - e coleta de lixo.
A mudança é mais notável ainda nas classes mais pobres. Para a classe com rendimentos de até meio salário mínimo per capita, o acesso a saneamento saltou de 38,4% para 51,7% em 10 anos.

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