sábado, janeiro 18, 2014

Castigo imerecido.

Há muito tempo que criticamos o governo federal pela condução da política econômica. Ao invés de tornar o país mais atraente e, com isso, facilitar a atração de investimentos, faz-se o contrário. Criamos tamanha barreira e graus de dificuldades, tornando o ambiente de negócios tão nefasto, que acabamos por perder excelentes oportunidades  de associar o capital externo a investimentos produtivos aqui dentro  capazes de impulsionar nosso desenvolvimento. É visível o preconceito com que o governo petista trata o investidor privado.

Pois bem, toda a política econômica petista, mesmo a partir do governo Lula, incentivou  o produto importado e o investimento do Brasil no exterior. Geramos emprego e renda lá fora. Enquanto aqui, o povo precisa conviver com baixos salários, serviços públicos indecentes, alta carga tributária e completa falta de competitividade dos produtos produzidos pela indústria que sofre pela completa política industrial que a favoreça. Não se trata de criar barreiras aos importados, mas de descontaminar o produto brasileiro da imensa carga chamada “Custo Brasil”.   

Assim, anos a fio os brasileiros que podiam viajar para o exterior, foram incentivados a fazê-lo. E descobriram a mina de ouro que  era comprar no exterior similares aos nacionais, mas  com melhor tecnologia e preços bem mais atraentes. Face à explosão das importações, incentivadas principalmente para conter a inflação, e as compras exteriores que também explodiram, apesar da valorização do dólar, nosso déficit externo já atingiu impressionante marca de R$ 80 bi.  

Porém, ao invés de reduzir seus gastos para permitir uma gradual redução da carga tributária, criando condições para os produtos brasileiros se tornarem mais competitivos e atraentes, o governo Dilma decidiu seguir em direção oposta. Castiga aqueles que são penalizados justamente por suas más políticas. Para reduzir o volume de compras no exterior, vai tributar mais fortemente os consumidores, aumentando o IOF, mas sem aliviar a barra para a indústria nacional que, até pode tirar vantagem nesta medida, porque internamente poderá melhorar suas vendas. Porém, se pergunta se isto aumentará também sua produtividade capaz de oferecer produtos com melhores preços. 

Na medida recém tomada, não há nenhuma ação que sinalize tal possibilidade.  Vamos continuar produzindo menos, com menos qualidade  e com preços maiores.    Azar do consumidor que tenta fugir do preço alto, da má qualidade, com o propósito de valorizar seus ganhos. 

Fica claro que ao governo não interessa implementar, mesmo que modestamente, uma política  industrial consistente, permitindo ao empresário  investir em inovação, qualidade e produtividade, caminho mais curto para o país sair da pasmaceira em que se encontra. Do mesmo modo, não interessa ao governo proteger o consumidor, porque, no fundo, não importe o que se compre, seja produto nacional ou estrangeiro,  interessa que se consuma o máximo possível porque o governo continua ganhando do mesmo jeito. Só não ganha quanto o brasileiro gasta lá fora. Porém, tal alternativa só se tornou viável, graças a uma política econômica torta, improvisada, de curto prazo.  Assim, não faz sentido agora querer penalizar aquele consumidor que podendo comprar lá fora, produtos melhores e com menores preços, não encontrou no mercado interno condições de fazê-lo,  até porque o governo não lhe permitiu optar. 

Claro que o governo irá lucrar com  sua medida, como sempre, com o consumidor brasileiro pagando por erros do próprio governo.  E para piorar, esta medida  entra em vigor justo no início do período de férias, justamente quando as pessoas já haviam programado suas viagens.

Contudo, aquele rombo nas contas externas não deriva, em sua grande parte, das compras dos brasileiros no exterior, e sim, pela explosão da conta petróleo que, em 2013, importou cerca de 40 bi, também por conta da má gestão petista na Petrobrás além do crescimento vertiginoso dos derivados no mercado interno.  Ou seja, tanto o governo incentivou a indústria automobilística, mas sem nenhuma previsão ou cuidado, que agora o país paga o preço seja nos congestionamentos, seja na importação de derivados de petróleo.  Mas o penalizado é o consumidor, quando deveria ser o governo inepto, que criou esta situação absurda.  

Mas o consumidor ainda pagará, também, por dar crédito a um governo ruim, com políticas medíocres, mastodôntico, ineficiente, incompetente. Ah se o Brasil tivesse uma oposição digna do nome e que justificasse a confiança dos mais de 40 milhões  de votos recebidos em 2010! Talvez o consumidor fosse mais respeitado e a indústria nacional pudesse desenvolver-se sem precisar mamar nos favores federais!