sábado, janeiro 18, 2014

Nada de curtição; quase todos rolezinhos são políticos agora

Marina Pinhoni
Exame.com

Antes organizados por jovens da periferia de São Paulo, os rolezinhos agora são marcados por universitários, black blocs e movimentos sociais. 

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Os maiores rolezinhos esperados para as próximas semanas não defendem
 a "paquera" e a "curtição",  como os originais: Conotação política e de protesto estão presentes

São Paulo – Com o crescimento dos chamados rolezinhos - grandes encontros marcados por adolescentes da periferia em shoppings centers da cidade - o que antes tinha, segundo os organizadores, o objetivo de promover apenas o “lazer” e a “curtição”, agora ganhou ares políticos após os casos de repressão por parte da polícia e dos estabelecimentos comerciais.

Os grandes rolezinhos marcados para os próximos dias, em vários locais do Brasil, vão bem além da ideia original dos encontros: são organizados por universitários, movimentos sociais, coletivos identificados como de esquerda e até black blocs.

Eles começam a chamar atenção justamente no momento em que as reuniões marcadas por adolescentes estão sendo removidas do Facebook como resultado da pressão por parte de alguns shoppings.

Desde a confusão instalada no último sábado no Shopping Metrô Itaquera, em São Paulo, vários encontros começaram a ser marcados nas redes sociais em solidariedade aos adolescentes que teriam apanhado da polícia ou sido vítimas de discrimnação.

Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) se reúnem 
em São Paulo: grupo promete rolezaum em shoppings da zona sul nesta quinta-feira

Quem está marcando os novos rolezinhos
O rolezinho previsto para acontecer no próximo domingo no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, foi organizado por uma comunidade da rede denominada “Por que eu quis”,.

Ela defende, entre outras causas, a extinção da Polícia Militar. O evento, marcado para o domingo, 19, já conta com mais de 8 mil confirmações no Facebook.

No Rio Grande do Sul, o “Rolezinho Moinhos Shopping Porto Alegre”, também marcado para o domingo, destoa dos outros encontros que tiveram início em São Paulo. 

Entre os organizadores, está um professor de Geografia e um colunista de um site sobre filosofia. "Contra toda forma de opressão aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil", diz o convite.

Em Brasília, o "Rolezinho no Xópim Iguatemi do Lago Norte" foi organizado por quatro universitários e ex-universitários, alguns identificados em suas páginas com o PSTU. 

Até mesmo os black blocs, que atraíram opiniões contrárias ao promover depredações e confrontos com a polícia durante os protestos de 2013, já marcaram sua versão do evento. “O Rolezin Black Bloc na Zona Sul” está previsto para o próximo domingo, 19, na Avenida Delfim Moreira, no Rio.

“Acabou as férias cambada. Tirem o pretinho básico do armário e voltem às ruas. 2014 começou e temos muito trabalho pela frente”, diz o convite do grupo.

Ainda hoje, está marcado às 17 horas “O rolezão contra o Apartheid” (em referência à segregação racial que aconteceu na África do Sul), organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) nos shoppings Jardim Sul e Campo Limpo, ambos na zona sul de São Paulo.

A União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro) também convocou um “Rolé contra o racismo” para este sábado (18), em frente ao shopping JK Iguatemi, zona oeste de São Paulo.