Comentando a Notícia
Um dos grandes problemas das esquerdas é não praticar aquilo que proferem no discurso. São campeões em vender como obra feita um produto que não passa de mera fantasia. Se querem como exclusivos da perfeição, da gestão extraordinária, do atendimento imediato das necessidades dos povos que, por desgraça, os escolheram para comandarem seus governos.
Contudo, a história está aí para provar o grande engodo que são os governos de esquerda. Exemplos, no caso do Brasil, é que não faltam. Não há um único serviço público básico que alcance ao menos uma nota regular. Todos estão em condições deprimentes, e isto o povo já se deu conta faz tempo.
O final de 2013 trouxe novo tormento para aqueles brasileiros residentes no Espírito do Santo e Minas Gerais. As chuvas torrenciais fizeram milhares de desabrigados, dezenas de feridos e também dezenas de mortos. O diabo é que este tormento se repete numa frequência assustadora, ano após ano. Contados os desabrigados, morte os e feridos, ficam para a posteridade os discursos de sempre, as promessas de ações que buscarão reduzir ao mínimo os prejuízos que as chuvas de verão vão contabilizando anualmente.
Agora não foi diferente. E lá se foi a senhora Rousseff, presidente do país, a sobrevoar as áreas atingidas e, rotineiramente, repetir os velhos discursos, as velhas promessas, destinando agrados e verbas que, passados algum tempo, acabarão ou no chavão comum do esquecimento, ou da inépcia, quando não no desvio para fins particulares. O coletivo, o interesse público que se dane.
Logo após ter sobrevoado os estados do Espírito Santo e Minas Gerais o que disse a senhora Rousseff? “Evitar mais mortes com enchente é prioridade...”. Segundo ela, é necessária ainda uma ação conjunta de prevenção entre os governos federal e estadual, com mecanismos de alerta. Ok, muito bonitinho, muito pomposo, mas por conta do que o seu governo liberou em 2013 apenas 28% do dinheiro destinado ao plano nacional contra desastres naturais? Eis aí: quem detém a maior parte dos recursos para tal fim é o governo federal. Mortes e desastres se repetem numa incansável sucessão de anos e o que se vê, ao fim e ao cabo, é um governo federal inerte sem cobrar de forma decisiva ações dos governos estaduais e municipais, ou mesmo que firmem parcerias com o governo central para o desenho de projetos de prevenção.
Depois, com o desastre instalado, fica fácil para um ministro boçal alegar que o governo não liberou recursos por falta de projetos por parte dos governos estaduais e prefeituras. As três pontas desta maçaroca estão erradas. E fazem de sua inépcia, de seu comportamento de descaso a razão maior para as tragédias anuais que as chuvas de verão irão provocar.
Como bem alerta manchete de texto da Exame.com, “não dá para culpar São Pedro pelas enchentes”. Ao que acrescentaríamos, não dá, também, para culpar as chuvas pelas tragédias humanas que o descaso do poder público acaba provocando.
Por enquanto, sofrem as populações do Espírito Santo e Minas Gerais. Mas se as chuvas vierem castigar o Rio Grande do Sul, é bom a população da grande Porto Alegre apelar aos santos para não sofrerem as mesmas agruras. Para se ter ideia, o Governo só liberou 28% do dinheiro destinado a plano nacional contra desastres naturais para projetos no Estados. Aliás, dizer-se “projetos” é apenas uma força de expressão.
Um ano depois de anunciados pelo Ministério do Planejamento para projetos emergenciais de combate às cheias na Região Metropolitana de Porto Alegre, R$ 793 milhões em recursos do Plano Nacional de Gestão de Risco e Resposta a Desastres Naturais ainda não foram usados pelo governo gaúcho. Os recursos deveriam ser destinados à construção de diques, casas de bombas, barragens e reservatórios. A previsão é de que o conjunto de intervenções esteja pronto apenas no fim de 2017.
Foram contemplados nove projetos no Rio Grande do Sul, envolvendo sete cidades da grande Porto Alegre. Embora as obras tenham sido consideradas na época pelo então secretário de Planejamento estadual, João Motta, como fundamentais para enfrentar as cheias, os avanços foram tímidos. Nenhuma das obras foi sequer projetada. O estudo hidrológico sobre a vazão do rio Gravataí, necessário à elaboração dos projetos, também não foi licitado.
Fica claro que se no discurso a prioridade “Evitar mais mortes com enchente”, na prática, nas ações efetivas, não passam de palavras vazios, puro descaso de quem é pago (e muito bem pago) para zelar pela vida, segurança e bem estar das pessoas. E mais: ninguém obrigou dona Rousseff a ser presidente do Brasil. Lá está por vontade própria e porque foi eleita para tanto, contando com uma plataforma de campanha que prometia o paraíso aos brasileiros e brasileiras, muito embora, 80% de suas promessas não passassem de doce ilusão, demagogia barata com intenções que se sabiam , não se realizariam ou sequer atingiriam os propósitos apresentados.
E que se observe: em 2014, o PT fechará um ciclo de 12 anos de poder, nos quais sempre pode contar com uma base parlamentar suficiente até para mudar a Constituição se pretendessem. Podia ter realizado verdadeira revolução virtuosa nos serviços básicos essenciais. E o que se tem é que estes mesmos serviços se degradam ano após ano. Sempre com a desculpa porca de se empurrar a responsabilidade para terceiros, acusando uma falácia de herança maldita não existente. Chega a ser criminosa a gestão petista na presidência da república. E, a descontar o campo da educação, nos demais serviços públicos o que não faltam são vítimas fatais ocorridas pela omissão federal. E, mesmo na educação, se todos ainda permanecem vivos, estão sendo condenadas muitas gerações ao desastre do analfabetismo funcional.
Em 2014, o PT pode até ganhar mais quatro anos de poder federal, mas nunca será por obra de suas virtudes,e sim por conta da falta de consciência crítica dos cidadãos brasileiros, cuja maioria prefere negociar sua consciência a preço de banana.