sábado, janeiro 18, 2014

E o confisco salarial do PT ataca outra vez

Comentando a Notícia

Parece que o o governo federal considera que, aqueles que recebem dois a três salários mínimos/mês, são milionários para pagarem imposto de renda na fonte. E, como vem acontecendo desde que o PT assumiu o governo federal, mais uma vez ele confisca salários dos brasileiros. Enquanto a inflação do ano deve fechar em torno de 5,8%, com a maior cara de pau,  ele corrige o valor da tabela do imposto da renda abaixo do índice inflacionário, ou, mais precisamente, em 4,5%.

Nos anos anteriores, fomos vozes quase que isoladas na denúncia desta malfadada prática. Quase nenhum sindicato ou central de trabalhadores levantou sua voz para proteger  os trabalhadores com renda mais baixa. Protestos isolados foram ouvidos de forma isolada e, mesmo assim, timidamente. 

É um despropósito e um verdadeiro assalto aos trabalhadores de menor renda. Este é um confisco injustificável, haja visto que cem por cento acaba sendo restituído no ano seguinte. Se é desejo e necessidade do governo petista fazer caixa para cobrir seus rombos, frutos  da má gestão, que o faça sobre quem ganha mais, e não como tem sido regra, sobre quem ganha menos. De que vale arrotar para o mundo que os aumentos do salário mínimo são acima da inflação, se a carga tributária sobre eles pesa cada vez mais? É o mesmo que dar com uma, e depois tirar com outra das mãos. 

Menos mal que pelo menos a OAB resolveu protestar e ameaça ir ao Supremo para obrigar o governo Dilma a agir de forma decente e respeito com os assalariados. 

É mais do que hora de se rever a correção da tabela do IR. A correção de 4,5% baseou-se na ilusão de que a inflação ficaria no centro da meta. Mas o governo Dilma não conseguiu isso em três anos e nem se espera que o consiga em 2014.

Neste ano, ficaram isentos do IR na fonte os contribuintes receberam  até R$ 1.710,78 por mês, valor que passará a R$ 1.787,87 mensais em 2014.

Assim, a defasagem no período chegará a 66%. Em 2014, com a elevação do salário mínimo de R$ 678,00 para R$ 724,00, serão beneficiados os que percebem até 2,47 salários mínimos, apenas.

A correção da tabela do IR em porcentual inferior ao dos índices de preços significa que a inflação - cuja maior responsabilidade é do governo, dado o desequilíbrio fiscal - acaba servindo como instrumento de aumento da carga tributária.

As novas faixas já serão deduzidas na folha de pagamento em 2014 e valerão para a declaração do IR de 2015. 

Convenhamos que o discurso em defesa dos mais pobres, dos trabalhadores e das minorias, fica visto que não passa de pura demagogia.  Aumentar a carga tributária sobre os menores salários é uma comprovação do cinismo com que a senhora Rousseff e os militantes e políticos filiados ao seu partido se apresentam ao país.   

E este discurso só tem sido vitorioso, dada a covardia e falta de uma liderança política competente pelo lado da oposição.  Criticar de forma veemente o governo petista apenas em períodos de campanha eleitoral, como tem agido a turma do PSDB, que nada mais do que é o principal partido de oposição, tem sido determinante para o sucesso de público dos petistas, muito embora  haja um sentimento de completa insatisfação com sua atuação. 

Contudo, a fraqueza e praticamente ação de nulidade política da oposição, não justificam a má gestão da coisa pública com que o PT tem se comportado. Isto não torna sua inépcia mais ou menos virtuosa. Dada a fraqueza de seus adversários é que o PT está no poder, e não por sua virtudes, por suas realizações. Porque rigorosamente, naquilo que o PT tem acertado, seja no tempo de Lula, como no atual governo da senhora Rousseff, nada mais é do que a mera continuação do que já fora realizado por Fernando Henrique, seja na economia ou no campo social. No resto, vai muito mal, obrigado.

Aécio Neves, virtual candidato tucano  à sucessão presidencial, afirmou que é tempo do PT sair do governo. Ok, mas para por quem em seu lugar, o senhor Aécio cujo discurso sequer ser agradável aos seus colegas de partido, o que dirá à massa eleitora?  Primeiro, que ele cresça, depois apareça. 

Em relação ao confisco salarial que vem sendo praticado ano após ano, quando foi que o presidente do PSDB se posicionou de maneira veemente? Quando foi que acionou uma ação no Supremo obrigando o governo petista a reajustar a tabela do imposto de renda na fonte de modo equivalente ao índice de inflação? Até se poderá  ouvir, aqui e ali, algum muxoxo seu, diante da posição assumida pela OAB. Mas, estejam certos, ficará apenas na periferia.

Pelo mesmo lado, qual central sindical levantou sua voz para defender os trabalhadores a elas filiados? Ocorre que seu silêncio foi devidamente comprado pelo repasse de parte desta estrovenga ditatorial chamada de imposto sindical!

Fica claro, de forma cada vez mais límpida, que os trabalhadores brasileiros, de modo geral, estão largados à própria sorte. Como de resto, a população brasileira pobre, que padece com serviços públicos degradantes e uma carga tributária confiscatória e extorsiva.  

E. se os que trabalham tem seus salários tributados a cada ano com maior voracidade, os pobres aposentados da iniciativa privada veem sua minguada aposentadoria de quinta categoria, minguar cada vez mais. Neste 2014, mesmo sendo ano de eleição, esta classe esquecida e ignorada pelo poder público, apesar dos muitos anos de trabalho, sequer teve a felicidade de ser contemplada com a reposição da inflação. E olhe que a diferença foi até ridícula. Com boa vontade e respeito, o reajuste poderia ao menos ter empatado.  Mas qual?, nem isso!  Portanto, está na hora dos petistas reverem sua sigla: precisa transformá-la de partido dos trabalhadores, para trambiqueiros. O conjunto da obra diz tudo.