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Com informações Agência Reuters
Objetivo é criar califado islâmico ignorando limites estabelecidos há um século
(Rick Findler/AFP)
Na aldeia iraquiana de Basheer, membro das forças curdas passa por um tanque
durante uma pausa nos combates contra militantes sunitas liderados
pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL)
Jihadistas sunitas marcharam em direção ao leste de um posto de controle de fronteira entre o Iraque e a Síria neste domingo, capturando três cidades da província ocidental de Anbar, em mais um esforço para expulsar as forças de segurança iraquianas de regiões sunitas muçulmanas, disseram testemunhas e fontes de segurança. Os insurgentes, liderados pelo grupo extremista Estado Sunita Militante do Iraque e o Levante (ISIL), pressionaram o exército das cidades e vilarejos em todo o norte e oeste do Iraque nas duas últimas semanas, chocando o governo liderado pelos xiitas.
No sábado, os combatentes tomaram o posto de controle perto da cidade de Al Qaim, ajudando o ISIL a garantir as linhas de abastecimento para a Síria, onde ele tem se aproveitado do caos dos três anos de revolta contra o presidente Bashar al-Assad, para estabelecer uma importante presença na região. O objetivo declarado do ISIL é criar um califado islâmico que vai ignorar os limites estabelecidos pelas potências coloniais, há um século. Tribos sunitas nas regiões fronteiriças predominantemente desertas ocupam os dois lados da fronteira.
A queda de Qaim representou mais um passo para a concretização dos objetivos militares do ISIL, como uma fronteira do século 20 que pareceu desmoronar em um dia. No domingo, militantes sunitas liderados pelo ISIL, expandiram seu controle para a cidade de Rawa e Ana, ao longo do Rio Eufrates, ao leste de al Qaim, assim como a cidade de Rutba, mais ao sul, em uma estrada que liga a Jordânia a Bagdá.
Arte/VEJA
Mapa da área de influência do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL)
Um oficial da inteligência militar disse que as tropas se retiraram de Rawa e Ana depois que os militantes do ISIL atacaram os assentamentos na noite de sábado. "“Tropas do exército se retiraram de Rawa, Ana e Rutba hoje de manhã e o ISIL agiu rapidamente para controlar completamente essas cidades",” disse o funcionário, falando sob condição de anonimato. "“Eles conquistaram Ana e Rawa hoje de manhã, sem lutar".
O escritório do comando militar do primeiro-ministro, disse que não tinha comentários imediatos a fazer e que fará uma atualização dos acontecimentos em uma entrevista coletiva mais tarde, no domingo.
O Islamismo e suas subdivisões
• Muçulmanos ou islâmicos
São os seguidores do Islã ou Islamismo, a segunda maior religião do mundo, com mais de 1,6 bilhão de adeptos (atrás apenas do Cristianismo, com 2,2 bilhões de fieis). O Islamismo é uma religião monoteísta que tem o Corão como livro sagrado e Maomé como o principal profeta. O Corão é considerado a palavra revelada de Deus e os ensinamentos de Maomé, chamados de ‘suna’, são exemplos da conduta muçulmana. A população muçulmana se divide entre sunitas, 85%, e xiitas, 15%. Essas duas correntes, contudo, contêm diversas subdivisões.
• Divisão entre sunitas e xiitas
Maomé morreu no ano 632 d.C. sem deixar sucessor. Os califas (líderes espirituais) que o sucederam foram escolhidos por aclamação entre os fiéis. Porém, muitos muçulmanos queriam que a sucessão respeitasse os laços consanguíneos do profeta, o que apontava para Ali bin Abi Talib, primo e genro de Maomé, que também insistia na sucessão dentro da linhagem imediata da família.
A expressão Shi’atu Ali – “partido de Ali”, em árabe – deu origem ao termo “xiita”. Ali só foi aclamado califa em 656 d.C., depois que os três líderes religiosos anteriores morrerem. Sua ascensão deu origem a uma guerra civil e acabou com a unidade entre os muçulmanos.
Os xiitas seguem uma forma mais interpretativa da suna, a compilação dos ensinamentos de Maomé, adaptando seus preceitos aos dias atuais. Os sunitas acreditam que se deve seguir a suna à risca, por isso, consideram os xiitas heréticos e os tratam como cidadãos de segunda classe nos países onde são minoria.
• Subdivisões entre os xiitas
Alauitas: Os alauitas veneram santos cristãos, comemoram o Natal e a Páscoa e não usam véu. Para eles, Ali é mais importante que Maomé. Consideram-se xiitas, mas, para muitos muçulmanos, não passam de uma seita peculiar.
Duodecimanos: maioria entre os xiitas. Para eles, existiram doze descentes de Ali com direito a guiar o Islã. O mais novo deles teria desaparecido no século IX e retornará um dia para liderar o povo muçulmano.
Ismaelitas: Distanciaram-se dos duodecimanos no século VIII e reconhecem apenas sete descendentes de Ali (o último deles se chamava Ismael).
Zaiditas: Reconhecem apenas os cinco primeiros imãs e divergem quanto à identidade do último deles. Não acreditam na infalibilidade dos imãs nem que eles tenham inspiração divina.
• Subdivisões entre os sunitas
Hanafitas: Membros da primeira escola jurídica, que estabeleceu o Corão, as tradições de Maomé e a analogia como bases para a lei islâmica. Apesar de se apoiarem na unidade da comunidade muçulmana mundial, aceitam os costumes locais como fonte secundária de aplicação da lei.
Malikitas: Para eles, a legislação se baseia principalmente nos costumes das comunidades que viviam na Medina antiga, priorizando as opiniões tradicionais e a analogia em um julgamento legal. A hadith (conjunto de narrações tradicionais de palavras e atos de Maomé) não deixa de ser utilizada, mas isso é feito mais arbitrariamente.
Shafitas: Fazem o julgamento legal com base principalmente no Corão e na suna e são mais rígidos em relação a decisões pessoais sobre temas que não estão no Corão. O consenso e a analogia são vistos como secundários, utilizados apenas para resolver possíveis ambiguidades.
Hanbalitas: Aceitam como guias apenas o Corão e a suna. Somente um imã tem autoridade para opinar, e, caso haja discordância entre dois imãs, a posição daquele que estiver mais de acordo com as escrituras prevalecerá.
Wahabitas: O wahabismo é uma forma puritana do sunismo que acredita que os livros sagrados devem ser seguidos literalmente. A interpretação dos sábios não é aceita. Os wahabitas mais conservadores consideram os xiitas e demais muçulmanos hereges.
Ibaditas: Não são considerados nem sunitas nem xiitas, apesar de terem mais semelhanças com os primeiros. Para eles, o líder muçulmano deveria ser escolhido pelos chefes das comunidades com base em sua sabedoria e piedade. Não deveriam ser consideradas a raça nem a ascendência do candidato.
• Salafistas
São adeptos de uma corrente mais radical do islamismo político. Entre os salafistas são comuns os casamentos arranjados e a poligamia. Alguns compram suas mulheres. Conhecidos por impor sua ideologia, almejam a restauração do Império Islâmico do século VII, cujo domínio se estendia por todo o Oriente Médio até a Espanha.
• Drusos
São uma pequena facção islâmica muito fechada e com ritos secretos. Eles habitavam a região das Colinas de Golã, território no sul da Síria ocupado por Israel na guerra de 1967. Em árabe, Golã significa ‘a montanha dos drusos’. Hoje, os drusos encontram-se espalhados no Líbano, Israel, Síria, Turquia e Jordânia.
• Bahais
Ex-xiitas que elaboraram uma nova religião monoteísta juntando conceitos islâmicos, judaicos e cristãos. Foi fundada por Bahau Lláh na Pérsia do século XIX, região que hoje abriga o Irã. Estima-se que existam entre cinco a seis milhões de bahais espalhados por mais de 200 países. Os bahais não possuem dogmas, clero, nem sacerdócio. Incluem entre seus mensageiros sagrados Krishna, Abraão, Buda, Jesus e Maomé. Hoje há cerca de 300 000 bahais no Irã, onde são perseguidos pela maioria muçulmana que os considera hereges.
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