quarta-feira, junho 25, 2014

Número de refugiados é o maior desde a Segunda Guerra Mundial

O Globo 
Com informações Agências Internacionais

Mais de 50 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas até o fim de 2013

FAROOQ NAEEM / AFP
 Uma mulher afegã refugiada carrega seu filho em um acampamento
 médico organizado pelo Acnur, da ONU, em Islamabad, no Paquistão  

BEIRUTE — Até o fim de 2013, 51,2 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em todo o mundo, seis milhões a mais do que no ano anterior, informou nesta sexta-feira a agência de refugiados da ONU. É o maior número de deslocados desde a Segunda Guerra Mundial. O balanço inclui refugiados e requerentes de asilo que fugiram para o exterior, bem como pessoas deslocadas dentro de seus próprios países.

Os dados constam no relatório anual sobre as tendências globais do Acnur, apresentado nesta sexta-feira em Beirute, na ocasião do Dia Mundial dos Refugiados. Os refugiados espalhados pelo mundo são superados em número pelos deslocados internos. A ONU estima que existam atualmente 33,3 milhões de pessoas que fugiram de suas casas, mas permaneceram dentro de seus próprios países.

O impressionante número é um reflexo de guerras e de perseguições sofridas por cidadãos em todo o mundo. Os conflitos na Síria, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro-Africana contribuíram consideravelmente para o aumento. Somente a guerra civil síria forçou nove milhões de pessoas a deixarem suas residências.

O Afeganistão ainda é responsável pelo maior número mundial de refugiados, e o vizinho Paquistão é o país que mais recebe deslocados, com uma estimativa de 1,6 milhões. Em todo o mundo, milhares de refugiados de crises quase esquecidas passam a melhor parte de suas vidas em campos.



Afeganistão lidera lista 
De acordo com as Nações Unidas, os refugiados não devem ser repatriados à força e não devem voltar a menos que seja seguro fazê-lo e tenham um local para ficar.

O alto comissário da ONU para os refugiados, Antonio Guterres, afirmou que o aumento representa um “desafio dramático” para organizações de ajuda.

— Tudo isso significa que não estamos diante de uma tendência de alta, mas de um salto abrupto do deslocamento forçado no mundo — disse Guterres. Os conflitos se multiplicam mais e mais. — E, ao mesmo tempo, conflitos antigos parecem não acabar nunca.

FAROOQ NAEEM / AFP
Filhos de refugiados afegãos se reúnem em acampamento médico
 especial organizado pelo Acnur no Paquistão

A ONU teme que a carga de cuidar dos refugiados está cada vez mais caindo sobre os países com menos recursos. Os países em desenvolvimento abrigam 86% dos refugiados do mundo, enquanto os mais ricos acolhem apenas 14%. Há dez anos, as nações mais prósperas hospedavam 30% dos refugiados, enquanto os países em desenvolvimento, 70%.

Devido à crise síria, Líbano, Jordânia e Turquia mantiveram suas fronteiras abertas. O Líbano hospeda no momento mais de um milhão de refugiados sírios, isto é, um quarto de sua população total é síria. A pressão sobre habitação, educação e saúde tem causado tensões em um país cuja história recente foi marcada por conflitos.

Antonio Guterres defende que a Europa faça mais pelos refugiados.

— Eu acho que é muito importante que a Europa assuma plenamente suas responsabilidades — afirmou à BBC.

O Acnur contabilizou ainda 1,1 milhões de requerentes de asilo em 2013, 7% a mais do que no ano anterior, e a maioria deles em países ricos. A Alemanha tornou-se o maior receptor de requerentes de asilo, com quase 110 mil, um incremento que a organização atribui ao aumento do número de solicitantes da Rússia e da Sérvia.