quarta-feira, agosto 20, 2014

Chegou a hora da saudável e esperada alternância democrática no poder

Mário Assis
Tribuna da Internet

Em 1994, o embaixador Rubens Ricúpero, então ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, foi flagrado em um programa de TV, fora do ar, com a frase: “O que é bom a gente mostra. O que é ruim, a gente esconde”.

Nos 12 anos dos governos petistas e, notadamente, agora, nos seus estertores, o método Ricúpero foi adotado e praticado sem limites, às avessas. A Dilma não pode falar em herança maldita. Claro! Mas faz referências, ameaçadoras e amedrontadoras, sobre uma possível volta de condições ruins para os brasileiros, associando-as aos dois governos do PSDB – 1995/2002.

Dilma mostra à exaustão o Bolsa Família – que não é do PT. A origem é o Bolsa Escola implantado pelo senador Cristovam Buarque, no governo do DF. Dilma exibe Minha casa minha vida, a política externa, obras dos PAC’s e algumas outras poucas coisas mais!

Esconde, por conveniência política: que surfaram quase 10 anos nas ondas favoráveis e originadas nas transformações realizadas antes de assumirem o poder. Reforma da previdência; controle fiscal; superávits nas contas públicas; aumento da arrecadação; estabilidade econômica; câmbio flutuante; Lei de Responsabilidade Fiscal; Plano Real; o sistema de fixação de metas para a inflação; respeito aos fundamentos macroeconômicos; enfim um conjunto de iniciativas, muitas impopulares, mas que permitiram alguns avanços, usufruídos pelos governos petistas.

Apesar das promessas de campanha de que seriam revistos ou revogados, não foram e, ainda, foram aprofundados com o Palocci e o Meirelles. Lembrando, também, do instituto da reeleição, que teve forte resistência do petismo.

INCOMPETÊNCIA
Dilma não mostra e nem esconde, porque não tiveram uma gestão competente: os problemas na área de energia; as privatizações – algumas questionáveis e, agora, apresentadas com o sofisma de concessões; a má gestão na administração pública – estrutura organizacional inchada e fora de controle e a criação de inúmeros cargos comissionados, aparelhando a estrutura governamental com os “companheiros”.

Mas, não consegue esconder a corrupção e os malfeitos. Já em 2003, o escândalo com o Waldomiro, assessor do Dirceu na Casa Civil, flagrado no aeroporto de Brasília “negociando” com Cachoeira. Logo após, o “Mensalão”. Inicialmente admitido por um constrangido Lula, falando em traidores. Depois negado enfaticamente. Mentiras &Mentiras. Até que a Ação Penal 470 os condenou. As  alianças políticas espúrias e melancólicas, encobertadas com a alegação da tal governabilidade” contradisseram os históricos discursos petistas que pregavam a ética e a moralidade na política e na administração pública, até chegarem ao Poder. Jogaram a história política do partido na lama.

Para não me alongar muito, vamos ao período Dilma. Desastre total. Ela é patética. Governo meramente assistencialista. Educação, saúde, segurança, infraestrutura, enfim as questões centrais, de interesse direto da população, relegadas ao abandono. Desvios e desperdícios de dinheiro público, em obras superfaturadas, atrasadas e paralisadas.

OBRAS INCONCLUSAS
É preciso algum assessor mais corajoso alertar à presidente que desde 2007, quando foi nomeada “mãe do PAC”, ela própria é a principal responsável pela condução das grandes obras do Brasil. Segue então uma lista de obras inconclusas e mesmo superfaturadas da era PT:

Transposição do rio São Francisco: deveria ter ficado pronta em 2010, mas hoje tem só metade das obras concluídas. A promessa agora é terminá-la em 2015 ou 2016, ao custo de R$ 8,2 bilhões. O preço inicial era de R$ 4 bilhões.

A ferrovia Transnordestina deveria estar pronta em 2010. Dos 1,7 mil km previstos apenas 96 km estão integralmente prontos. O custo saltou de R$ 4,5 bilhões para R$ 7,5 bilhões.

A Ferrovia Oeste-Leste deveria começar a funcionar em sua primeira fase em julho de 2013. O orçamento passou de R$ 4,3 bilhões para R$ 5 bilhões. Não há novo prazo para a Fiol ser inaugurada.

A Refinaria Abreu e Lima quando ficar pronta será a mais cara já feita no mundo. O custo começou em R$ 4 bilhões e já chegou a R$ 35,8 bilhões. Por enquanto tem frequentado mais as páginas policiais do que as de economia.

A Refinaria Premium I foi uma das maiores promessas da então candidata Dilma para o Maranhão. Passados quase quatro anos, o local onde ocorreu a promessa é apenas um terreno com terraplanagem inconclusa.

A lista, na verdade, não tem fim. A presidente Dilma não tem sido capaz de entregar suas obras prometidas. Falta apenas admitir que ela comandou todo esse fracasso com mão de ferro nos últimos sete anos. A presidente tem tudo a ver com isso.

Nessa toada, pipocam os problemas com a Petrobras e na Eletrobras, misto de corrupção e incompetência. Mantega e sua atrapalhada política econômica, privilegiando a indústria automobilística, gerando problemas nos grandes centros, obrigando o país a importar mais combustíveis e tendo impactos pífios no  crescimento econômico.

Ainda temos uma situação inusitada, porque ao mesmo tempo, anunciam um baixo índice de desemprego e um aumento significativo no auxílio desemprego.

ARROCHO NA APOSENTADORIA
Desde os governos Lula, o arrocho nas aposentadorias e pensões do INSS está causando sérios problemas sociais entre os idosos. A revisão das tabelas do IR e das alíquotas,  promessas de 2002, até hoje não cumpridas e relegadas ao esquecimento.

Não tenho procuração tucana e nem ligação com o PSDB. Encontro-me numa confortável posição de isenção, livre de paixões políticas, podendo, do planalto, observar e fazer as leituras e avaliações que a independência me permite.

Por fim, avalio que o prazo de validade dos petistas no Poder venceu. É hora da mudança. É hora da renovação de ideias e práticas! A tal da saudável e esperada alternância democrática no Poder.