quarta-feira, agosto 20, 2014

Cidade dos EUA tem 31 detidos em nova noite de protestos

Veja online
Com informações Agência EFE

Ferguson, no Missouri, enfrenta distúrbios após morte de um adolescente negro

 Roberto Rodriguez/EFE/EFE 
Duas pessoas foram feridas a tiros e 31 detidas na madrugada desta terça-feira (19) 
em uma nova noite de violência na cidade de Ferguson, estado de Missouri 
(centro-oeste dos Estados Unidos), cenário de protestos relacionados com
 a morte de um jovem negro em uma ação policial 

A polícia americana prendeu pelo menos 31 pessoas após mais uma noite de distúrbios em Ferguson, no Missouri. A pequena cidade de 21.000 habitantes do meio-oeste dos Estados Unidos enfrenta mais de uma semana de protestos violentos e tensão racial após a morte deMichael Brown, um jovem negro alvejado por um policial branco. Para tentar conter a crise, o governador do Missouri, Jay Nixon, convocou a Guarda Nacional.

Na noite desta segunda-feira, horas depois do presidente Barack Obama pediu calma na cidade, centenas de manifestantes voltaram a ocupar a principal avenida de Ferguson em um protesto que começou pacífico e terminou em confronto com as tropas de segurança. O tumulto começou quando a polícia tentou desbloquear a rua e acabou alvo de garrafas e coquetéis molotov. As forças de segurança avançaram rumo aos manifestantes e usaram gás lacrimogêneo e bombas de fumaça para dispersar a multidão.

Os feridos foram atingidos por tiros dos manifestantes, anunciou o chefe de polícia de Ferguson, Ronald Johnson. Ele afirmou que os agentes não abriram fogo. Quatro policiais foram feridos por objetos lançados pelos participantes no protesto. Johnson destacou que a polícia teve que utilizar gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. O chefe de polícia não teve condições de falar sobre o estado de saúde dos feridos. O chefe da polícia pediu para que os protestos aconteçam durante o dia para evitar que “uma minoria de criminosos” provoque o confronto com as forças de segurança. Entre as 31 pessoas detidas após as manifestações da noite de segunda, há cidadãos de outros estados, como Nova York e Califórnia, informou Johnson.

Lucas Jackson/Reuters/Reuters 
Duas pessoas foram feridas a tiros e 31 detidas na madrugada desta terça-feira (19)
 em uma nova noite de violência na cidade de Ferguson, estado de Missouri
 (centro-oeste dos Estados Unidos), cenário de protestos relacionados 
com a morte de um jovem negro em uma ação policial 

Autópsia – Uma autópsia independente encomendada pelos pais de Michael Brown, o jovem negro morto por um policial de Ferguson, no estado do Missouri, em circunstâncias não esclarecidas, revelou que o adolescente foi baleado seis vezes. Segundo o legista Michael M. Baden, ex-chefe da equipe de legistas de Nova York, quatro tiros atingiram o braço de Brown, enquanto os outros dois entraram pela cabeça do adolescente. Embora um dos disparos tenha perfurado o seu olho e saído pela mandíbula, o jovem sobreviveria a todos os ferimentos, exceto ao que foi provocado pelo tiro que atingiu o alto de sua cabeça. Dadas às circunstâncias analisadas por Baden, Brown só poderia ter sido atingido por este disparo se estivesse com a cabeça inclinada para frente, seja em pose de cansaço ou correndo em direção ao policial.

Baden salientou que “não há sinais de luta” no corpo do jovem de 18 anos, o que derrubaria a hipótese de que ele tentou agredir o policial antes de ser baleado. Como só teve acesso ao corpo do rapaz e não pôde analisar os exames feitos pelas autoridades, Baden disse que não pode precisar o que de fato ocorreu na cidade de Ferguson. A autópsia, entretanto, leva a crer que Brown foi baleado à distância, uma vez que não havia sinais de pólvora em seu corpo. O jornal New York Times reportou que há a possibilidade de as roupas do jovem apresentarem os resquícios de pólvora, mas o legista também não pôde examiná-las.