Veja online
Com informações Estadão Conteúdo
Segundo jornal britânico, investidores acreditam que vitória da oposição traria mudanças positivas para o país; mas o eleitorado parece não enxergar os problemas econômicos
(Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/VEJA)
FT comparou estimativas do mercado
para crescimento da economia com "dança da cordinha"
Artigo publicado no blog Beyonbrics, do jornal britânico Financial Times, aponta a piora dos indicadores econômicos do Brasil, que se traduz na redução da perspectiva de crescimento para 2014 de 0,86% para 0,81%, mas anota que "os eleitores parecem não se incomodar".
O FT cita dados da pesquisa Ibope da última semana, que deu 38% das intenções de voto para a presidente Dilma Rousseff (PT), 23% para Aécio Neves (PSDB) e 9% para Eduardo Campos (PSB), praticamente os mesmos números da rodada anterior, de julho, em que a petista aparecia com os mesmos 38%, o tucano marcava 22%, e o socialista, 8%. A aprovação do governo da presidente oscilou de 31% no levantamento anterior para 32%.
"Nos últimos meses, os preços dos ativos no Brasil mantiveram tendência de alta numa correlação inversa com a subida ou queda de Dilma nas pesquisas. Mas esse tipo de raciocínio não parece estar no radar do eleitorado", aponta o texto. O FT cita ainda a intervenção do governo no caso Santander, que demitiu analistas por causa de um relatório que previa um cenário ruim para a economia brasileira com a reeleição de Dilma. "A opinião do mercado irritou o governo", informa o texto.
O FT também comparou as projeções da pesquisa Focus do Banco Central à "dança da cordinha", uma vez que a previsão para o crescimento da economia brasileira cai um pouco mais a cada rodada.
******* COMENTANDO A NOTÍCIA:
No artigo “It’s the economy, stupid!… Só falta explicar”, do Geral Samor para a Veja online, que reproduzimos nesta edição, fizemos um comentário que explica a pouca importância dada pela maioria do povo brasileiro às questões econômicas. Além da barreira que a pouca formação escolar e alto grau de desinformação, esta consequência da primeira, também pesa o discurso um tanto vazio das oposições diante de um eleitorado que “se vendeu” por bolsas miseráveis, mas que asseguram certa acomodação num padrão de vida pouca coisa melhor.
Esta é a razão maior da nossa crítica ao programa Bolsa Família, ela, indiscutivelmente, conduz grande parte dos beneficiários à acomodação. Não se trata, portanto, de um programa social na acepção da palavra, e sim um mero complemento de renda, quando a renda todas de uma família. Não há incentivo para os indivíduos se libertarem deste assistencialismo capenga. Não se impõem que cada um busque seu aprimoramento profissional e, deste modo, possa desfrutar de empregos com salários melhores.
E o exemplo que sempre trazemos de um programa que impõem este compromisso é o seguro desemprego. Há um limite para que cada um desfrute do auxilio financeiro. O Bolsa Família não limites, basta ser cidadão brasileiro pobre e o direito estará assegurado. E se tudo continuar na configuração atual do programa Bolsa Família, os beneficiários permanecerão nele a vida toda. Desculpem, mas isto tem outro nome, mas jamais o de “programa social”.
Além disso, a oposição precisa compreender uma coisa básica: este contingente de pessoas – são mais de 40 milhões de beneficiários – precisa de atenção e de ser ouvido em tempo integral. Aproximar-se deles apenas em vésperas de eleição, e achar que qualquer discurso será suficiente para conquistar-lhe a confiança, é acreditar em Papai Noel.
