O Globo
Liz Sly, Washington Post
Segundo governo iraquiano, cerca de 1.500 mulheres foram capturadas
AFP
Mulheres yazidis fazem fila para pegar comida, no campo
de refugiados em Bajid Kandala, na província de Dohuk
DAHUK, IRAQUE - Centenas de mulheres yazidis que foram capturadas por extremistas islâmicos durante sua varredura pela cidade de Sinjar estão sendo encarceradas por todo o Norte do Iraque, e isso cada vez mais parece uma tentativa deliberada de obrigá-las a virarem esposas de terroristas.
Assim que os militantes do Estado Islâmico, que aterrorizam o Norte do Iraque, há duas semanas, chegaram na região eles mostraram um interesse particular pelas mulheres, principalmente jovens e bonitas, segundo testemunhas.
Os yazidis capturados são separados por sexo, depois as mulheres mais jovens são separadas das mais velhas e e colocados em ônibus ou caminhões diferentes.
Aquelas que se convertem ao islamismo eles prometem uma vida boa, com uma casa própria e - implicitamente - um marido muçulmano, porque a interpretação extrema do Estado Islâmico é que mulheres não podem viver sozinhas.
Caso contrário, elas podem esperar uma vida de prisão por tempo indeterminado ou a morte.
Os números de captura e detenção das mulheres foram reunidos a partir de várias entrevistas com refugiados yazidis, testemunhas e ativistas e mulheres.
E apontam para um esforço deliberado para aproveitar as mulheres a serviço do projeto do Estado Islâmico para criar um califado em todo o mundo muçulmano, persuadindo-as a converter-se e depois se casar com os homens do grupo.
MAIS DE MIL MULHERES FORAM CAPTURADAS
— As mulheres são considerados apóstatas, e é haram (proibido) para os muçulmanos se casar com um não muçulmano — disse Hoshyar Zebari, um líder curdo sênior, que até recentemente serviu como ministro das Relações Exteriores do Iraque. Segundo ele, cerca de mil mulheres foram detidas.
— Muitos combatentes estrangeiros vieram sem esposas, então eles querem que mulheres para converter, com isso elas podem se tornar noivas dos jihadistas — disse.
O número de mulheres capturadas não é claro. O governo iraquiano afirma que foram detidas entre 1.500 mulheres e 500 homens foram executados em blitz brutal pelos extremistas na área de Sinjar, onde a maioria dos moradores são yazidis mas há também alguns cristãos, xiitas ou sunitas.
Mulheres de outras seitas também foram pegas, mas a maioria parece ser yazidis, cujas crenças são consideradas heréticas pelos extremistas islâmicos.
O Sinjar Crisis Group, formado por ativistas yazidis, em Washington, compilou uma lista de 1.074 nomes de mulheres cativas, informados por seus parentes.
No sábado, cerca de mais 100 mulheres entraram na lista. As recém-chegadas pegas na cidade de Kocho foram separadas das mais velhas e levadas para uma escola. Segundo uma testemunha, as mulheres mais jovens foram novamente separaradas, juntamente com uma dúzia de meninos entre as idades de 10 e 12, que aparentemente foram detidos com suas mães.
No ataque inicial contra Sinjar, todas as mulheres foram levadas para a prisão na periferia Badoosh da cidade de Mossul, de acordo com vários relatórios. Desde então, os grupos de mulheres foram removidos, levando a temer que elas podem ter sido mortas ou vendidas. Algumas dessas mulheres, porém, simplesmente apareceram em outros locais, alguns dias depois, e entraram em contato com seus familiares para dizer que estão bem, levando a crer que estão sendo manipuladas pelos extremistas.
Mas o destino de algumas das mulheres permanece desconhecido. Em vez de correr para as montanhas como muitas outras yazidis, Nouray Hassan Ali, 40, estavam abrigada na casa de um parente próximo com cerca de 40 outros membros de sua família, quando os jihadistas começaram sua ofensiva, em agosto.
Depois que os combatentes curdos e os yazidis ficaram sem munição e começaram a fugir, cerca de 10 extremistas do Estado islâmico invadiram a casa. Os homens ordenaram a família a sair, alinhando-os e, em seguida, dividindo em grupos de idade e gênero, de acordo com Ali, em uma entrevista no norte da cidade de Dahuk, onde se refugiou.
A maioria dos extremistas eram iraquianos, mas pareciam ser paquistaneses, disse ela. Um deles era um curdo, e falou com os familiares assustados em curdo.
— Ele disse que não queria nos machucar e que não devíamos ter medo — lembrou Ali.
Ali, seus outros seis filhos e as outras mães foram tiradas dentro de casa e colocadas em um quarto. Uma das crianças começou a chorar que estava com sede. O guarda pediu a um jihadistas ir buscar um balde de água. Quando ele voltou com a água, vislumbrou a filha de 15 anos de Ali e chamou ela para sair da sala.
Em seguida, as mulheres ouviram tiros, seguido de silêncio. Elas sairam. Os corpos de oito homens, incluindo o marido de Ali, estavam deitados ao redor da casa. As mulheres jovens, incluindo sua filha, tinham ido embora. Ela não teve mais notícias dela, desde então.
