Lula dobrou gastos de 2002 para se reeleger
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BRASÍLIA - Apesar das restrições à propaganda eleitoral que vigoraram nas eleições deste ano, a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve praticamente o dobro dos gastos da disputa presidencial de 2002. Em valores atualizados, a campanha nacional do PT gastou R$ 52,4 milhões em 2002 e R$ 104,3 milhões este ano. Na prestação de contas protocolada ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha declara uma dívida de R$ 9,876 milhões, assumida pelo PT.
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O Diretório Nacional do partido, apertado com uma dívida de R$ 46 milhões que vem desde o ano passado, não só assumiu as pendências como ainda conseguiu R$ 15 milhões para doar à campanha de Lula. "O PT foi o maior doador", disse o tesoureiro da campanha, José de Filippi.
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A prestação de contas da campanha petista mostra que um grupo de colaboradores preferiu investir no PT somente depois de o presidente estar reeleito. Um quarto dos R$ 88,768 milhões em doações financeiras foi arrecadado depois de 29 de outubro, ou seja, quando Lula já tinha sido reeleito. A lei permite que campanhas eleitorais recebam doações até um mês depois da votação.
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Segundo Filippi, a campanha arrecadou R$ 50 milhões no primeiro turno, R$ 16 milhões no segundo turno e R$ 22 milhões depois de encerrada a disputa presidencial. O tesoureiro confessou a frustração com o que considerou baixa contribuição de militantes. "Se a sociedade optar por continuar com o financiamento privado de campanha, devemos pensar em facilitar as contribuições de pessoas físicas. Tivemos uma dificuldade enorme.
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Talvez a busca de receita possa começar antes", afirmou Filippi - atualmente, a data é início de julho." Segundo ele, cerca de 2.800 doadores eram pessoas físicas, mas colaboraram com apenas R$ 3,5 milhões, ou 4% do total de contribuições financeiras. As diferenças são gritantes, com doações de pessoas físicas que vão de R$ 1 a R$ 1 milhão.
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No caso das empresas, a adesão também foi baixa, na avaliação de Filippi. Foram 300 pessoas jurídicas, que doaram R$ 85,2 milhões. A campanha pela reeleição, segundo o tesoureiro, mandou 8 mil e-mails para empresas pedindo apoio.
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Desse total, 3.500 enviaram "recusa formal" em colaborar, com alegações como falta de dinheiro, fato de ser multinacional e não querer interferir em assuntos nacionais e decisão de não contribuir para nenhuma campanha. O presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, calculou que mais de R$ 4 milhões já foram conseguidos com doações recentes e ajudarão a pagar os R$ 9,8 milhões devidos a quatro fornecedoras paulistas - duas gráficas, uma fabricante de etiquetas e adesivos e uma empresa de publicidade.
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"Os R$ 9 milhões vão sair do caixa do PT. Já temos uns R$ 4 milhões, temos que buscar mais R$ 5 milhões", disse o dirigente petista. Garcia dissociou o problema da dívida antiga do partido com as contribuições à campanha: "A dívida (antiga) do PT está absolutamente administrada, renegociada."
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Para chegar aos R$ 5 milhões que faltam, Filippi disse contar com contribuições de militantes quando receberem os 13º terceiro salário.
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O PT tinha previsto gastos de R$ 89 milhões no início da campanha e passou para R$ 115 milhões, com autorização do TSE, quando viu-se diante da necessidade de disputar o segundo turno. "Felizmente, não precisamos gastar todo o dinheiro. Deixaremos uma pequena dívida para o partido honrar", disse Marco Aurélio Garcia.
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Despesas
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Entre as despesas da campanha petista, estão R$ 4,8 milhões reembolsados à União, para pagamento das viagens de Lula no avião presidencial, conhecido como Aerolula, mais pagamento de combustível e lanche dos funcionários da Presidência da República, como motoristas e seguranças, que acompanhavam o presidente nos compromissos de campanha.
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Os principais gastos da campanha pela reeleição, segundo dados divulgados ontem pelo PT, foram com material impresso e placas de propaganda, que somaram R$ 39,3 milhões, incluindo os R$ 9,8 milhões que ainda não foram pagos. A propaganda no rádio e na televisão custou R$ 13,750 milhões, em dois contratos com o marqueteiro João Santana, no valor de R$ 8,250 milhões no primeiro turno e R$ 5,5 milhões no segundo turno.
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As credoras da campanha petista são a Braspor Gráfica e Editora (R$ 3,8 milhões), a Arthur da Silveira Leiva Votorantim Gráfica (R$ 2,2 milhões), a Star Door Publicidade e Representações (R$ 1,9 milhões) e a Mach Color Etiquetas e Adesivos (R$ 1,8 milhão). As contas da campanha da reeleição terão que ser julgadas pelo TSE até o dia 6 de dezembro, oito dias antes da diplomação do presidente Lula.
A prestação de contas do PT é mais confusa que dos demais partidos com candidatos à presidência, porque o partido faz opção por duas contas bancárias: uma do candidato e outra do comitê financeiro. Como o comitê faz doações ao candidato e ainda tem despesas próprias, técnicos do partido ficarão à disposição do TSE para esclarecer as dúvidas que certamente surgirão. Os outros partidos não usam conta do candidato e apenas uma contabilidade do comitê financeiro.
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Espetáculo do crescimento?
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Do Estadão
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BRASÍLIA - Apesar das restrições à propaganda eleitoral que vigoraram nas eleições deste ano, a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve praticamente o dobro dos gastos da disputa presidencial de 2002. Em valores atualizados, a campanha nacional do PT gastou R$ 52,4 milhões em 2002 e R$ 104,3 milhões este ano. Na prestação de contas protocolada ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha declara uma dívida de R$ 9,876 milhões, assumida pelo PT.
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O Diretório Nacional do partido, apertado com uma dívida de R$ 46 milhões que vem desde o ano passado, não só assumiu as pendências como ainda conseguiu R$ 15 milhões para doar à campanha de Lula. "O PT foi o maior doador", disse o tesoureiro da campanha, José de Filippi.
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A prestação de contas da campanha petista mostra que um grupo de colaboradores preferiu investir no PT somente depois de o presidente estar reeleito. Um quarto dos R$ 88,768 milhões em doações financeiras foi arrecadado depois de 29 de outubro, ou seja, quando Lula já tinha sido reeleito. A lei permite que campanhas eleitorais recebam doações até um mês depois da votação.
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Segundo Filippi, a campanha arrecadou R$ 50 milhões no primeiro turno, R$ 16 milhões no segundo turno e R$ 22 milhões depois de encerrada a disputa presidencial. O tesoureiro confessou a frustração com o que considerou baixa contribuição de militantes. "Se a sociedade optar por continuar com o financiamento privado de campanha, devemos pensar em facilitar as contribuições de pessoas físicas. Tivemos uma dificuldade enorme.
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Talvez a busca de receita possa começar antes", afirmou Filippi - atualmente, a data é início de julho." Segundo ele, cerca de 2.800 doadores eram pessoas físicas, mas colaboraram com apenas R$ 3,5 milhões, ou 4% do total de contribuições financeiras. As diferenças são gritantes, com doações de pessoas físicas que vão de R$ 1 a R$ 1 milhão.
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No caso das empresas, a adesão também foi baixa, na avaliação de Filippi. Foram 300 pessoas jurídicas, que doaram R$ 85,2 milhões. A campanha pela reeleição, segundo o tesoureiro, mandou 8 mil e-mails para empresas pedindo apoio.
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Desse total, 3.500 enviaram "recusa formal" em colaborar, com alegações como falta de dinheiro, fato de ser multinacional e não querer interferir em assuntos nacionais e decisão de não contribuir para nenhuma campanha. O presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, calculou que mais de R$ 4 milhões já foram conseguidos com doações recentes e ajudarão a pagar os R$ 9,8 milhões devidos a quatro fornecedoras paulistas - duas gráficas, uma fabricante de etiquetas e adesivos e uma empresa de publicidade.
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"Os R$ 9 milhões vão sair do caixa do PT. Já temos uns R$ 4 milhões, temos que buscar mais R$ 5 milhões", disse o dirigente petista. Garcia dissociou o problema da dívida antiga do partido com as contribuições à campanha: "A dívida (antiga) do PT está absolutamente administrada, renegociada."
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Para chegar aos R$ 5 milhões que faltam, Filippi disse contar com contribuições de militantes quando receberem os 13º terceiro salário.
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O PT tinha previsto gastos de R$ 89 milhões no início da campanha e passou para R$ 115 milhões, com autorização do TSE, quando viu-se diante da necessidade de disputar o segundo turno. "Felizmente, não precisamos gastar todo o dinheiro. Deixaremos uma pequena dívida para o partido honrar", disse Marco Aurélio Garcia.
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Despesas
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Entre as despesas da campanha petista, estão R$ 4,8 milhões reembolsados à União, para pagamento das viagens de Lula no avião presidencial, conhecido como Aerolula, mais pagamento de combustível e lanche dos funcionários da Presidência da República, como motoristas e seguranças, que acompanhavam o presidente nos compromissos de campanha.
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Os principais gastos da campanha pela reeleição, segundo dados divulgados ontem pelo PT, foram com material impresso e placas de propaganda, que somaram R$ 39,3 milhões, incluindo os R$ 9,8 milhões que ainda não foram pagos. A propaganda no rádio e na televisão custou R$ 13,750 milhões, em dois contratos com o marqueteiro João Santana, no valor de R$ 8,250 milhões no primeiro turno e R$ 5,5 milhões no segundo turno.
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As credoras da campanha petista são a Braspor Gráfica e Editora (R$ 3,8 milhões), a Arthur da Silveira Leiva Votorantim Gráfica (R$ 2,2 milhões), a Star Door Publicidade e Representações (R$ 1,9 milhões) e a Mach Color Etiquetas e Adesivos (R$ 1,8 milhão). As contas da campanha da reeleição terão que ser julgadas pelo TSE até o dia 6 de dezembro, oito dias antes da diplomação do presidente Lula.
A prestação de contas do PT é mais confusa que dos demais partidos com candidatos à presidência, porque o partido faz opção por duas contas bancárias: uma do candidato e outra do comitê financeiro. Como o comitê faz doações ao candidato e ainda tem despesas próprias, técnicos do partido ficarão à disposição do TSE para esclarecer as dúvidas que certamente surgirão. Os outros partidos não usam conta do candidato e apenas uma contabilidade do comitê financeiro.
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Espetáculo do crescimento?
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Do Estadão
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A Azaléia S/A, uma das maiores indústrias do setor calçadista da América Latina, anunciou a demissão de 234 dos 280 funcionários da sua unidade no município sergipano de Itaporanga D´Ajuda, a 29 quilômetros de Aracaju, e férias coletivas para outras 1.600 pessoas que trabalham nas fábricas de Frei Paulo, Carira, Lagarto e Ribeiropólis. Os motivos da demissão seriam a existência de uma super produção encalhada, prejuízos nas exportações em função do baixo valor do dólar e a concorrência com as indústrias chinesas que produzem nove bilhões de sapatos por ano. (...)
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O presidente do Sindtêxtil comenta que a grande preocupação dos funcionários agora é o destino das unidades da empresa em Frei Paulo, Carira, Lagarto e Ribeirópolis. "O nosso maior receio é que as demissões atinjam também essas unidades", informa. As férias coletivas nessas unidades começarão no dia 21 de dezembro e o retorno ao trabalho será em 8 de janeiro.
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O presidente do Sindtêxtil comenta que a grande preocupação dos funcionários agora é o destino das unidades da empresa em Frei Paulo, Carira, Lagarto e Ribeirópolis. "O nosso maior receio é que as demissões atinjam também essas unidades", informa. As férias coletivas nessas unidades começarão no dia 21 de dezembro e o retorno ao trabalho será em 8 de janeiro.
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A Azaléia foi chegou a Sergipe em 1986, em Aracaju, mas em 1989 foi transferida para Itaporanga, na época com 450 funcionários. Chegou a ter 800, mas hoje tem somente 280. No ano passado, foram implantadas mais quatro unidades - no povoado Brasília, em Lagarto; Ribeiropólis, Carira e Frei Paulo. Atualmente a Azaléia emprega 2.340 pessoas, produz 40 mil pares de calçados femininos por dia nestas unidades. A meta da empresa é produzir 50 mil até o final deste ano.
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Cerca de um quarto do que é produzido pela Azaléia Calçados, que tem sede no Rio Grande do Sul, sai de Sergipe e parte desta produção é exportada para 88 países. Com a crise cambial, o índice de exportação do grupo, presidido por Antônio Brito, caiu de 25% em 2004 para 10% este ano.