sábado, janeiro 06, 2007

Acelerar, só em fevereiro

Fernando Nakagawa, Karla Correia e Sérgio Pardellas
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Segundo mandato - Lula e mais de 10 ministros estão em recesso extra-oficial este mês. Pacote e nova equipe esperam nas gavetas só em fevereiro
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O mote "acelerar" do discurso pronunciado na posse pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está convivendo com uma espécie de recesso, não declarado e não previsto em lei, na maior parte dos gabinetes da Esplanada dos Ministérios. Com as próximas férias conjuntas do próprio presidente Lula e de 10 ministros, alguns deles distantes de Brasília, a Esplanada está esvaziada e, em grande parte, sob o comando de ministros interinos.
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A indefinição presidencial sobre a futura equipe e o grande volume de despesas ainda por pagar (R$ 13 bilhões), acumuladas no ano eleitoral, embaraçam ainda mais o início de um segundo mandato anunciado para fazer "mais e melhor".
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Principal pauta dos ministérios da área econômica, o prometido pacote de medidas para destravar a economia está sendo concluído sob coordenação da ministra Dilma Rousseff em reuniões que não contam, por exemplo, com a presença do ministros da Fazenda, Guido Mantega, que retorna de férias no próximo dia 16, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Ambos devem comparecer à solenidade de lançamento do pacote, mas até lá, são os técnicos e secretários das duas pastas que correm contra o tempo.
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Até a próxima sexta-feira, quando o presidente Lula sairá em férias de 10 dias, o secretário executivo e ministro interino da Fazenda, Bernard Appy, e o responsável pela Secretaria de Política Econômica, Júlio Gomes de Almeida, têm diversas reuniões para finalizar os detalhes do pacote. Nesse período, Appy fica em Brasília e Gomes de Almeida despacha em São Paulo.
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Entre os demais itens da pauta do governo, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, também analisa os números do Orçamento da União para 2007 antes da sanção presidencial. Bernardo é um dos poucos ministros que não tirou férias e nem pretende ter dias de descanso no início de 2007. Caso se afaste de Brasília, segundo sua assessoria, será para resolver "problemas pessoais em um ou dois dias".
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A bronca presidencial sobre a área social do governo, cobrada terça-feira por não ter conseguido desenhar um modelo que integre as ações sociais distribuídas em 11 pastas, teve efeitos apenas pontuais. Exceção feita ao ministério da Educação, que por determinação do presidente Lula deve ser o primeiro a apresentar seu plano de integração aos demais projetos da área social, várias pastas do setor, como Saúde e Desenvolvimento Agrário, estão voltadas para a elaboração dos balanços das atividades de 2006. No Ministério do Trabalho, os gabinetes estão vazios. O ministro Luiz Marinho e a maior parte dos técnicos da pasta estão de férias, segundo a assessoria de imprensa.