Rachar a base? Isso é misto de analfabetismo político, convencionalismo e corporativismo
Por Reinaldo Azevedo
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Já esbocei a tese aqui e ali e a exponho agora de maneira um pouco mais organizada. Ou as oposições encontram caminhos novos de articulação e de expressão política, fugindo de um formalismo e de um convencionalismo que já não têm mais virtude nenhuma, ou continuarão a ser permanentemente humilhadas pelo petismo e seus tentáculos.
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Por Reinaldo Azevedo
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Já esbocei a tese aqui e ali e a exponho agora de maneira um pouco mais organizada. Ou as oposições encontram caminhos novos de articulação e de expressão política, fugindo de um formalismo e de um convencionalismo que já não têm mais virtude nenhuma, ou continuarão a ser permanentemente humilhadas pelo petismo e seus tentáculos.
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Reparem na ausência de pefelistas na reunião marcada para a próxima segunda-feira (ler abaixo). É por isso que o PFL não é — e, neste ritmo, não será nunca — o tal partido conservador moderno de que o Brasil tanto precisa. Porque está preso a hábitos arraigados nas instâncias formais da política, ao statu quo, no que isso tem de mais negativo, de mais pernóstico.
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Qual é a análise que os pefelistas estão fazendo, no que contam com o apoio, por ora, da maioria dos tucanos? "Ora, vamos aproveitar este momento para rachar a base do governo. O PT quer Arlindo Chinaglia. Com somos antipetistas, então apoiamos Aldo”. É uma tolice do convencionalismo. Quer dizer que os nossos bravos oposicionistas vão apoiar o candidato de Lula para se opor ao PT, é isso? Tenham a santa paciência, não é? Ou haverá algum mago interessado em criar rusgas entre o Babalorixá e seu partido? Será esse o entendimento que essa gente tem da "dialética"? Huuummm... Se dialética existisse (não existe), seria outra coisa.
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Para quem vive ali o dia-a-dia da Câmara, ter um cargo na Mesa pode até ser algo muito importante. Para a população, isso não vale nada. É um zero à esquerda. O que os brasileiros não agüentam mais — e a isto as oposições deveriam ficar atentas — é o Parlamento aparecer, dia após dia, como vilão no noticiário. E a culpa, eu lhes asseguro, não é da mídia, mas dos fatos. A última esbórnia consiste em pagar R$ 86 mil para alguns suplentes assumirem o mandato por um mês. Aldo se tornou sócio dessa “cultura” com o seu ato imperial e ilegal ao reajustar os salários. Para quê? Para garantir votos.
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Rachar a base? Ora, não me façam rir muito, ou perco o ritmo de trabalho. Imaginem um Aldo vitorioso... Alguém o vê tendo uma atitude altiva em relação ao governo Lula? O PFL e setores do tucanato ficam parecendo o antigo Partidão, o “PCbão”, que tentava rachar a burguesia para, um dia, instituir o socialismo por um ato cartorial. Como vêem, não deu certo...
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Os nossos conservadores, às vezes, conseguem ser mais tontos do que os nossos comunistas... A tese de "rachar a base" é só um analfabetismo político encobrindo conformismo e corporativismo. Quem é só espertinho tenta rachar a base. Quem tem coragem busca uma alternativa. Nem que seja a anticandidatura.