Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa
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A disputa pela presidência da Câmara vai deixando clara a habilidade de Aldo Rebelo. Foi sucinto ao afirmar que, prévias por prévias, era preferível convocar todos os líderes de partido e indagar-lhes o que desejam. Esperto: sabe que Arlindo Chinaglia tem imensas dificuldades de penetração na oposição. O PFL, através de Rodrigo Maia, fez doce: quanto mais candidatos ao comando da Casa, maiores são as chances de ganhar alguém que não o interessa. Como um Ciro Nogueira (PP-PI) ou um Inocêncio Oliveira (PL-PE).
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Daí que, embora não confesse, prefere Aldo a uma aventura. O PSDB também vê com bons olhos o ex-ministro da Coordenação Política, e por uma dessas estranhezas na política, pela primeira vez governo e oposição convergem na direção do mesmo candidato. Aldo, inclusive, lembrou isto a Lula na conversa que tiveram quarta-feira à noite, algo que é um elemento facilitador para os projetos que o Palácio do Planalto enviar para a Câmara.
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Lembrou ainda que Chinaglia padece do mesmo mal de uma certa categoria de petistas: não aprende com as experiências. Quando desafiou Aldo para as prévias na base, deixou claro que a oposição é uma espécie de incômodo penduricalho. O atual presidente da Câmara não se submeteria a algo do gênero por conta dos motivos mencionados aqui ontem - tal como vencer por uma estreita margem -, mas também não aceitaria concorrer num pleito restrito por saber que, mesmo lançado pela base, não vai representá-la apenas. Já Chinaglia...
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A visita de Aldo a Lula também serviu para, nas entrelinhas, pedir ao presidente que interfira na disputa. A seu favor, claro. Se o ex-ministro tenta a reeleição é por inspiração justamente do presidente, que dias depois de conquistar nas urnas o segundo mandato o convocou a continuar sendo o elemento pacificador da Casa. Depois do vendaval Severino Cavalcanti e dos vários escândalos que envolveram o PT e solaparam o governo, as coisas só não degringolaram mais porque Aldo domou governo e oposição.
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Daí que se Lula meter a colher em favor de seu ex-ministro a situação de acalma. E o presidente tem condições de fazê-lo: basta chamar Chinaglia e fazê-lo desitir. Afinal, não são colegas de partido? E Lula também não disse que o PT já tem o cargo mais importante do governo, o seu? Então, os próximos 10 dias de "dolce far niente" servirão para a amadurecer a idéia e a fórmula.
.Aldo espera que sim.
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Até FHC
Aldo tem obtido inesperados (porque não solicitados) apoios, sobretudo na oposição. Um dos que têm trabalhado pela sua reeleição é Fernando Henrique Cardoso. Elevado à condição de aglutinador do partido - que se desmilingüiu durante a corrida presidencial -, o ex-presidente não esconde que diante da possibilidade da aparição de alguém do baixo clero ou uma vitória petista Aldo é a opção mais palatável.
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FHC gosta do atual presidente da Câmara. O considera uma pessoa de fino trato e bem menos governista do que se imagina. E sobretudo é contrário à anistia dos cassados pelo mensalão.
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Governadores
No que depender de alguns governadores do PMDB, dia 9, quando o partido se reúne para escolher seu candidato à presidência da Câmara, Chinaglia dará o canto do cisne. Roberto Requião (PR), Sérgio Cabral Filho (RJ), Marcelo Miranda (TO), Eduardo Braga (AM) e Luiz Henrique da Silveira (SC) estão fechados com a reeleição de Aldo.
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A disputa pela presidência da Câmara vai deixando clara a habilidade de Aldo Rebelo. Foi sucinto ao afirmar que, prévias por prévias, era preferível convocar todos os líderes de partido e indagar-lhes o que desejam. Esperto: sabe que Arlindo Chinaglia tem imensas dificuldades de penetração na oposição. O PFL, através de Rodrigo Maia, fez doce: quanto mais candidatos ao comando da Casa, maiores são as chances de ganhar alguém que não o interessa. Como um Ciro Nogueira (PP-PI) ou um Inocêncio Oliveira (PL-PE).
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Daí que, embora não confesse, prefere Aldo a uma aventura. O PSDB também vê com bons olhos o ex-ministro da Coordenação Política, e por uma dessas estranhezas na política, pela primeira vez governo e oposição convergem na direção do mesmo candidato. Aldo, inclusive, lembrou isto a Lula na conversa que tiveram quarta-feira à noite, algo que é um elemento facilitador para os projetos que o Palácio do Planalto enviar para a Câmara.
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Lembrou ainda que Chinaglia padece do mesmo mal de uma certa categoria de petistas: não aprende com as experiências. Quando desafiou Aldo para as prévias na base, deixou claro que a oposição é uma espécie de incômodo penduricalho. O atual presidente da Câmara não se submeteria a algo do gênero por conta dos motivos mencionados aqui ontem - tal como vencer por uma estreita margem -, mas também não aceitaria concorrer num pleito restrito por saber que, mesmo lançado pela base, não vai representá-la apenas. Já Chinaglia...
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A visita de Aldo a Lula também serviu para, nas entrelinhas, pedir ao presidente que interfira na disputa. A seu favor, claro. Se o ex-ministro tenta a reeleição é por inspiração justamente do presidente, que dias depois de conquistar nas urnas o segundo mandato o convocou a continuar sendo o elemento pacificador da Casa. Depois do vendaval Severino Cavalcanti e dos vários escândalos que envolveram o PT e solaparam o governo, as coisas só não degringolaram mais porque Aldo domou governo e oposição.
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Daí que se Lula meter a colher em favor de seu ex-ministro a situação de acalma. E o presidente tem condições de fazê-lo: basta chamar Chinaglia e fazê-lo desitir. Afinal, não são colegas de partido? E Lula também não disse que o PT já tem o cargo mais importante do governo, o seu? Então, os próximos 10 dias de "dolce far niente" servirão para a amadurecer a idéia e a fórmula.
.Aldo espera que sim.
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Até FHC
Aldo tem obtido inesperados (porque não solicitados) apoios, sobretudo na oposição. Um dos que têm trabalhado pela sua reeleição é Fernando Henrique Cardoso. Elevado à condição de aglutinador do partido - que se desmilingüiu durante a corrida presidencial -, o ex-presidente não esconde que diante da possibilidade da aparição de alguém do baixo clero ou uma vitória petista Aldo é a opção mais palatável.
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FHC gosta do atual presidente da Câmara. O considera uma pessoa de fino trato e bem menos governista do que se imagina. E sobretudo é contrário à anistia dos cassados pelo mensalão.
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Governadores
No que depender de alguns governadores do PMDB, dia 9, quando o partido se reúne para escolher seu candidato à presidência da Câmara, Chinaglia dará o canto do cisne. Roberto Requião (PR), Sérgio Cabral Filho (RJ), Marcelo Miranda (TO), Eduardo Braga (AM) e Luiz Henrique da Silveira (SC) estão fechados com a reeleição de Aldo.
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Que recebeu ontem a adesão de mais dois governadores: Paulo Hartung (ES) e André Puccinelli (MS), que, aliás, esteve com Lula. Já são sete.
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Complicador
Um componente de última hora poderá ter a capacidade de embananar a eleição na Câmara: o lançamento do anticandidato. Como Ulysses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho o foram à presidência da República na sucessão de Médici, cresce entre um grupo de deputados a idéia de lançar um nome que talvez nem ganhe, mas marque posição. E firme.
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Complicador
Um componente de última hora poderá ter a capacidade de embananar a eleição na Câmara: o lançamento do anticandidato. Como Ulysses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho o foram à presidência da República na sucessão de Médici, cresce entre um grupo de deputados a idéia de lançar um nome que talvez nem ganhe, mas marque posição. E firme.
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Surge forte o nome do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Primeiro, porque peitou Severino Cavalcanti e disse-lhe na cara que tinha uma atuação vergonhosa. Segundo, porque foi implacável durante a CPI dos Sanguessugas, que ajudou a reelegê-lo com os pés nas costas.
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Novo status I
Diz o ditado que por trás de um grande homem existe uma grande mulher. Serve para Lula e dona Mariza. Decepcionado com velhos "companheiros", esquivo aos novos e nutrindo desprezo pelos de sempre, o presidente tornou a primeira-dama seu principal interlocutor político. Discute com ela as estratégias, verifica as manobras, se precavém das armadilhas.
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Dona Mariza começou o primeiro governo apenas como uma simpática e bela mulher de meia idade. Começa o segundo como principal confessora e conselheira presidencial.
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Novos status II
O ex-ministro José Dirceu está gostando da atuação como jornalista bissexto. Ainda que tendencioso, fez uma bela entrevista com o economista Amir Khair, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo nos tempos de Marta Suplicy. Que deixou claro que o Copom vai ter de continuar reduzindo os juros, se quiser permitir que Lula veja ainda este ano o espetáculo do crescimento.
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Dirceu está adorando as possibilidades que lhe permitem o blog. Reconhece que é uma versão moderna do clássico livro de Dale Carnegie "Como fazer amigos e influenciar pessoas" (de 1937!). Enquanto uma anistia não vem, é uma fabulosa maneira de passar o tempo fazendo política.
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Na parede
A Prefeitura do Rio será obrigada a convocar e nomear imediatamente 206 candidatos aprovados no concurso público realizado em 2004 pela Secretaria Municipal de Saúde. O Ministério Público do Estado obteve, do juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública, a antecipação de tutela que obriga o governo a tomar tal atitude. Caso não cumpra a determinação, a prefeitura terá como sanção multa diária de R$ 20 mil.
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Na ação civil pública impetrada, o MP alegou que o município vinha deixando de convocar os candidatos aprovados para contratar profissionais por intermédio das cooperativas Cooperar Saúde e Medicalcoop.
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Ê, vidão
Quem pensa que apenas em Brasília alguns parlamentares terão o benefício de trabalhar menos de 30 dias e desfrutar de um rechonchudo salário, engana-se. Na Alerj tomaram posse os suplentes dos deputados Noel de Carvalho (PMDB) e Carlos Minc (PT), que assumiram as secretarias estaduais de Habitação e Meio Ambiente, respectivamente, no governo de Sérgio Cabral (PMDB).
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Em seus lugares entraram os deputados Hugo Leal (PMDB) e Paulo Roberto Mustrangi (PT). Durante janeiro, cada um receberá R$ 9,5 mil brutos e poderá contratar, apesar do pouco tempo, 20 funcionários.
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Novo status I
Diz o ditado que por trás de um grande homem existe uma grande mulher. Serve para Lula e dona Mariza. Decepcionado com velhos "companheiros", esquivo aos novos e nutrindo desprezo pelos de sempre, o presidente tornou a primeira-dama seu principal interlocutor político. Discute com ela as estratégias, verifica as manobras, se precavém das armadilhas.
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Dona Mariza começou o primeiro governo apenas como uma simpática e bela mulher de meia idade. Começa o segundo como principal confessora e conselheira presidencial.
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Novos status II
O ex-ministro José Dirceu está gostando da atuação como jornalista bissexto. Ainda que tendencioso, fez uma bela entrevista com o economista Amir Khair, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo nos tempos de Marta Suplicy. Que deixou claro que o Copom vai ter de continuar reduzindo os juros, se quiser permitir que Lula veja ainda este ano o espetáculo do crescimento.
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Dirceu está adorando as possibilidades que lhe permitem o blog. Reconhece que é uma versão moderna do clássico livro de Dale Carnegie "Como fazer amigos e influenciar pessoas" (de 1937!). Enquanto uma anistia não vem, é uma fabulosa maneira de passar o tempo fazendo política.
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Na parede
A Prefeitura do Rio será obrigada a convocar e nomear imediatamente 206 candidatos aprovados no concurso público realizado em 2004 pela Secretaria Municipal de Saúde. O Ministério Público do Estado obteve, do juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública, a antecipação de tutela que obriga o governo a tomar tal atitude. Caso não cumpra a determinação, a prefeitura terá como sanção multa diária de R$ 20 mil.
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Na ação civil pública impetrada, o MP alegou que o município vinha deixando de convocar os candidatos aprovados para contratar profissionais por intermédio das cooperativas Cooperar Saúde e Medicalcoop.
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Ê, vidão
Quem pensa que apenas em Brasília alguns parlamentares terão o benefício de trabalhar menos de 30 dias e desfrutar de um rechonchudo salário, engana-se. Na Alerj tomaram posse os suplentes dos deputados Noel de Carvalho (PMDB) e Carlos Minc (PT), que assumiram as secretarias estaduais de Habitação e Meio Ambiente, respectivamente, no governo de Sérgio Cabral (PMDB).
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Em seus lugares entraram os deputados Hugo Leal (PMDB) e Paulo Roberto Mustrangi (PT). Durante janeiro, cada um receberá R$ 9,5 mil brutos e poderá contratar, apesar do pouco tempo, 20 funcionários.