sábado, janeiro 20, 2007

A alta carga de impostos sobre a energia elétrica

Consumidores industriais querem investimentos em energia hidráulica
Da FolhaNews

Preocupados com o aumento do custo da energia, os grandes consumidores, representados pela Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), defenderam nesta quinta-feira, em reunião com o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, investimentos em geração de energia hidráulica e a redução de encargos do setor elétrico.
.
O presidente da associação, Mário Cilento, reclamou que a indústria vem perdendo competitividade nos últimos anos em função do aumento das tarifas do setor elétrico, da elevada carga tributária e da oneração dos investimentos na construção de usinas, além dos entraves ambientais.
.
O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, reclamou do encarecimento da energia nos últimos anos, e defendeu uma política de longo prazo para assegurar competitividade aos consumidores eletrointensivos.
.
Ao fim do encontro com o ministro, que durou cerca de duas horas, Cilento disse que o setor ficou "satisfeito" em ver que muitas das suas preocupações são compartilhadas pelo o ministro, principalmente no que diz respeito à ampliação dos investimentos em geração hidrelétrica, mais barata que a energia térmica. Os empresários também reivindicam a redução dos encargos e tributos que incidem sobre a energia elétrica e dos empecilhos que atrapalham a competitividade internacional.
.
Nova reunião
Silas Rondeau prometeu realizar na próxima semana uma nova reunião técnica com o setor para avaliar que variáveis poderão ser modificadas para que a energia não represente um problema de competitividade para a indústria nacional. Apesar de considerar que os consumidores do mercado livre deve arcar com os benefícios e também com os riscos das "intempéries da vida econômica", o ministro destacou que os grandes consumidores não estão preocupados apenas com os preços do mercado livre, mas da mudança na matriz energética, com a elevação da participação de usinas térmicas.
.
Segundo Rondeau, o que se deseja, entre os empresários e também no governo, é dar preferência aos empreendimentos hidrelétricos, visto que apenas um quarto do potencial hidráulico é aproveitado hoje.
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: De qualquer forma, apesar do esforço feito a partir do apagão de 2001, a matriz energética brasileira é maciçamente estruturada a partir da energia hidráulica. E justamente por esta razão é que não se entende, tampouco se justifica, o alto preço da tarifa paga pelos consumidores, residenciais ou industriais. E não se vá dizer que a elevação da tarifa acima do razoável seja fruto das privatizações ocorridas no setor elétrico. Já mesmo antes, quando tudo era estatal, a tarifa de energia brasileira, quando comparada com as de países cuja energia é em grande parte proveniente de termelétricas a carvão ou diesel, era alta demais. Também considere-se o seguinte: uma fatura de energia elétrica de um consumidor residencial em Cuiabá, por exemplo, em que o valor de consumo é de R$ 196,73, o preço final que este consumidor pagará é de R$ 305,45, sendo o restante do valor constituído por impostos. Portanto, mesmo que se invista apenas em energia hidráulica, isto não garantirá que o custo para o consumidor irá reduzir-se. E isto por conta, única e exclusiva, do governo que sobrecarrega o valor da tarifa com impostos abusivos.