Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa
.
Hugo Chávez assumiu ontem mais um mandato e vai ficar até 2013 à frente da Venezuela. Várias das coisas que vem dizendo devem ser observadas com certo cuidado, pois têm um quê de provocação. Tal como a proposta de reeleição indefinida do presidente, cuja idéia é antes de mais nada fustigar os Estados Unidos.
.
Duas análises podem ser feitas sobre tal projeto, que promete submeter ao Congresso venezuelano. A primeira e mais precipitada: de que adotará a mesma fórmula de Fidel para prosseguir indefinidamente no poder, pois em Cuba também há eleições presidenciais - embora sejam viciadas e com adversários inexpressivos.
.
A segunda hipótese e mais verdadeira: trata-se da fórmula encontrada para que os Estados Unidos deixem de patrocinar a oposição chavista. Estranho? É, mas coerente.
.
A grande preocupação de Chávez é a volta de um Carlos Andrés Perez ou um daqueles presidentes que jamais tiveram pruridos em jogar o país nas mãos de Washington para o deleite dele e dos seus. A elite predatória venezuelana, cuja face visível está na imprensa, sente saudades dos tempos em que fazia linha direta entre Caracas e Miami.
.
À medida que Chávez se consolide como força política invencível, restará à oposição negociar com ele e abrir mão de privilégios. Como parte expressiva continua dentro da Venezuela e não fora dela - como os cubanos -, a tendência é que os adversários aos poucos se descontaminem da influência norte-americana. Aí estará aberto o caminho para uma disputa mais eqüânime, sem o viés golpista que tem havido até então.
.
Não se trata de uma explicação ingênua. Mas terça-feira mesmo helicópteros norte-americanos bombardearam supostas bases da al-Qaeda na Somália. Ou seja: podem tudo, ainda mais quando há petróleo envolvido. E a Venezuela é pródiga, tanto que economicamente foi um dos países latino-americanos que mais sofreram manipulação dos EUA.
.
Apesar de todo rebuliço que Chávez possa inspirar com suas bravatas e gestos deselegantes, sabe que George W. Bush sai antes dele do poder. E que o próximo presidente norte-americano pode ser bem menos intervencionista que o atual.
.
Hugo Chávez assumiu ontem mais um mandato e vai ficar até 2013 à frente da Venezuela. Várias das coisas que vem dizendo devem ser observadas com certo cuidado, pois têm um quê de provocação. Tal como a proposta de reeleição indefinida do presidente, cuja idéia é antes de mais nada fustigar os Estados Unidos.
.
Duas análises podem ser feitas sobre tal projeto, que promete submeter ao Congresso venezuelano. A primeira e mais precipitada: de que adotará a mesma fórmula de Fidel para prosseguir indefinidamente no poder, pois em Cuba também há eleições presidenciais - embora sejam viciadas e com adversários inexpressivos.
.
A segunda hipótese e mais verdadeira: trata-se da fórmula encontrada para que os Estados Unidos deixem de patrocinar a oposição chavista. Estranho? É, mas coerente.
.
A grande preocupação de Chávez é a volta de um Carlos Andrés Perez ou um daqueles presidentes que jamais tiveram pruridos em jogar o país nas mãos de Washington para o deleite dele e dos seus. A elite predatória venezuelana, cuja face visível está na imprensa, sente saudades dos tempos em que fazia linha direta entre Caracas e Miami.
.
À medida que Chávez se consolide como força política invencível, restará à oposição negociar com ele e abrir mão de privilégios. Como parte expressiva continua dentro da Venezuela e não fora dela - como os cubanos -, a tendência é que os adversários aos poucos se descontaminem da influência norte-americana. Aí estará aberto o caminho para uma disputa mais eqüânime, sem o viés golpista que tem havido até então.
.
Não se trata de uma explicação ingênua. Mas terça-feira mesmo helicópteros norte-americanos bombardearam supostas bases da al-Qaeda na Somália. Ou seja: podem tudo, ainda mais quando há petróleo envolvido. E a Venezuela é pródiga, tanto que economicamente foi um dos países latino-americanos que mais sofreram manipulação dos EUA.
.
Apesar de todo rebuliço que Chávez possa inspirar com suas bravatas e gestos deselegantes, sabe que George W. Bush sai antes dele do poder. E que o próximo presidente norte-americano pode ser bem menos intervencionista que o atual.