quarta-feira, janeiro 10, 2007

Recado ao Grupo dos 30: só a anticandidatura salva!

Blog do Reinaldo Azevedo
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"O presidente Aldo se comportou como um auxiliar do presidente Lula. E o Chinaglia é resultado de uma aliança entre Zé Dirceu e Marta Suplicy. Chinaglia representa o retorno de mensaleiros e sanguessugas. Representa colocar na cadeira de presidente da Câmara o senhor José Dirceu e a abertura da anistia para quem foi condenado." A afirmação é de Raul Jungmann (PPS-PE), um dos líderes do grupo que busca uma candidatura alternativa à Presidência da Câmara e que se reúne hoje em São Paulo.
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Das duas uma: ou eles fecham em torno de um nome que pode ser da base aliada para tentar vencer a disputa ou lançam um anticandidato, para marcar posição. Na segunda hipótese, os nomes mais indicados seriam o de Fernando Gabeira (PV-RJ) ou do próprio Jungmann. Dá para vencer com qualquer um dos dois? Não. Como diz o próprio deputado do PV, eles não são exatamente populares junto a seus pares depois da batalha contra o reajuste de 91% dos salários dos parlamentares.
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Apoios e anticandidatura
Por enquanto, a candidatura de Aldo exibe mais musculatura. Ele conta com o apoio de 17 governadores: Roberto Requião (PMDB-PR), Yeda Crusius (PSDB-RS), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), José Serra (PSDB-SP), Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Aécio Neves (PSDB-MG), Paulo Hartung (PMDB-ES), Eduardo Campos (PSB-PE), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Wilma de Faria (PSB-RN), Cid Gomes (PSB-CE), Eduardo Braga (PMDB-AM), Ottomar Pinto (PSDB-RR), Alcides Rodrigues (PP-GO), Teotônio Vilela (PSDB-AL) e José Roberto Arruda (PFL-DF). Arlindo Chinaglia conta com os quatro do PT. Isso quer dizer voto? Não necessariamente, mas é um bom começo.
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Já lhe disse o que penso e reitero. Se fosse possível ganhar com um nome alternativo, seria o caso de tentar. Mas acho quase impossível. Nem mesmo estou certo de que Chinaglia não desista na reta final caso o Grupo dos 30 consiga mesmo viabilizar um nome da própria base governista para rachar votos. Os governadores de oposição, vê-se, conformaram-se em apoiar Aldo contra Chinaglia. Compreensível. Eles também enfrentarão disputas nas Assembléias Legislativas, e um acordo na Câmara acaba influindo nos confrontos regionais.
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O que interessa é fazer política, é alterar a qualidade do debate. Por isso defendo a anticandidatura. Ela concentra o teor certo de denúncia e protesto PARA QUE A SOCIEDADE CONTINUE A FAZER POLÍTICA ALÉM DAS PAREDES DO CONGRESSO. Governadores não vão embarcar em anticandidatura, é claro. Em certa medida, ela é a negação do statu quo, do qual eles participam — e nem têm como não participar.
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É a isso que chamo de um novo paradigma da luta política, de fuga do convencionalismo. A vitória está na denúncia dos meios, no protesto, no confronto permanente de idéias. É isso o que encarnam e simbolizam os chamados parlamentares de opinião. Assim, termino o meu texto sugerindo que Gabeira reconsidere a sua decisão de não ser o candidato. Sinceramente, eu não acho que dê para ganhar a eleição. Dá para ganhar a luta política. E a maneira de vencê-la é com a anticandidatura.
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Sim, há um quê de adolescência e juventude numa anticandidatura. E é disso que estamos precisando. A política brasileira está decrépita.