sexta-feira, fevereiro 16, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Alegando excesso de trabalho, carteiro deixa de entregar 3.000 cartas
Renata Baptista, da Agência Folha
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Um carteiro de Severínia (420 km de SP) deixou de entregar cerca de 3.000 cartas na cidade sob a alegação de que "não dava conta" do serviço. A maior parte das correspondências estava escondida na casa do carteiro.
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Na quinta-feira (8), após denúncia, a polícia recolheu 500 cartas em um terreno no centro da cidade. A regional dos Correios identificou que o responsável pelas entregas era o carteiro Diose Ferreira da Costa, 18, que trabalhava na empresa havia menos de um mês.
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Na casa de Costa, a polícia encontrou outras 2.500 cartas --incluindo faturas de cartão de crédito, boletos bancários e contas de luz e telefone-- que não foram entregues.Em depoimento à polícia, o carteiro disse que não estava conseguindo atingir a meta diária de entregas estabelecida pelos Correios. Com medo de ser demitido, resolveu esconder as cartas em casa. A estatal não informou qual era essa meta.
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Segundo a diretoria regional do interior paulista dos Correios, Costa não é empregado efetivo da estatal e foi contratado por uma empresa terceirizada para cobrir férias de carteiros da região. Ele já foi desligado de suas atividades na ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos).
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Ainda segundo os Correios, a área em que Costa trabalhava compreendia seis avenidas e uma parte de um conjunto residencial no centro da cidade. Severínia tem 16 mil habitantes.
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As cartas apreendidas pela polícia já começaram a ser distribuídas pelos Correios por dez carteiros de cidades vizinhas destacados para o trabalho.Costa será indiciado por violação de correspondência. Condenado, pode pegar de um a três meses de prisão, além de pagar multa. Ele irá responder ao processo em liberdade.
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Sem carta
A funcionária pública Ana Maria de Marqui, 46, que mora na área que teve a distribuição de cartas afetada, disse que pagou a conta do cartão de crédito com multa no banco.
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"Ligava para a empresa para pedir a fatura e eles diziam que tinham enviado. Cansei de esperar e, quando passou o vencimento, fui ao banco pagar." Marqui disse ainda que recebeu apenas hoje a conta de telefone, que vencia dia 24.

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Bispos preocupados com exploração
Karla Correia, Jornal do Brasil

CNBB quer debate sobre estrangeiros

A Igreja Católica quer estimular a sociedade a discutir a presença de estrangeiros na Amazônia, e o avanço da fronteira agrícola sobre a floresta, entre outras questões polêmicas relacionadas à região, anunciaram ontem o presidente e o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeais Geraldo Majella Agnelo e Odilo Scherer, ao explicarem a escolha da Amazônia para tema da Campanha da Fraternidade em 2007.

- Todos têm uma consciência vaga sobre os problemas que a Amazônia enfrenta, mas a sociedade brasileira não discute essas questões de forma suficiente. A Campanha da Fraternidade deste ano aproveita o momento de intenso debate sobre aquecimento global e chama a sociedade brasileira para sua responsabilidade com a Amazônia - disse dom Odilo.

Em entrevista na sede da entidade, em Brasília, o Cardeal Geraldo Majella criticou o avanço indiscriminado da fronteira agrícola sobre a floresta amazônica e destacou a necessidade de o governo brasileiro discutir novas fórmulas de exploração econômica da região. Segundo o presidente da CNBB, a economia do país se beneficia com os lucros de uma produção agrícola que "engole pedaços da floresta" ano a ano, mas não transfere esses ganhos para as populações locais.

- Há uma exploração voltada para o lucro, o benefício privado, e isso não leva em conta que a Amazônia é um patrimônio da humanidade. A exploração agropecuária pode ser muito lucrativa para os fazendeiros, para o próprio país, mas deixa populações inteiras à margem desses benefícios - argumentou dom Majella.

A Campanha da Fraternidade será lançada no próximo dia 21, na quarta-feira de Cinzas, em Belém (PA). De acordo com o presidente da CNBB, durante toda a campanha a Igreja recolherá doações para um fundo de assistência à população pobre da região amazônica.

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Chiqueirinho
Alerta Total
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A mais recente edição da revista inglesa The Economist lançou duros ataques à classe política brasileira, no editorial, “Parlamento ou chiqueiro?”
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O editorial aborda "a campanha fracassada para limpar uma legislatura corrompida". Em português, o título, comparando nossos parlamentares aos porcos, uma acusação das mais fortes contra os animaizinhos.
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Mas, em inglês, a expressão permite um jogo de palavras, que acerta em cheio a porcaria de nossos políticos. A expressão "pork" não significa apenas porco: é também o nome que se dá a projetos mal-intencionados, destinados a arrumar cargos e bons salários de livre indicação dos parlamentares.
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Ataque ao Lula
A revista ironiza a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer uma reforma política:
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"É como pedir aos perus que votem a favor do Natal."
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The Economist destaca que "é preciso um presidente mais determinado do que Lula para pilotar medidas impopulares junto a uma legislatura na qual as leis são aprovadas ou abolidas a partir de caprichos de interesses pessoais, claques regionais ou uma procura voraz de leis corporativas e outros benefícios".E a revista inglesa lembra: "A dificuldade de reunir uma maioria engasgou o governo Lula numa sucessão de escândalos".

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Cerco ao Meirelles
Alerta Total
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Eleito nesta semana presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) quer fazer do colegiado um "mecanismo de controle democrático" do Banco Central (BC).
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Crítico da atuação da autoridade monetária, que teria contribuído para frear o crescimento da economia, Mercadante proporá que a diretoria do BC participe a cada três meses de audiência pública na CAE para discutir câmbio e juro.
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Além disso, defenderá que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC volte a realizar reuniões mensais, a fim de ter mais chances de corrigir eventuais erros na fixação da taxa básica de juros da economia, a Selic, hoje fixada em 13% ao ano.
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Na verdade, Mercadante queria o lugar de Meirelles para ele...