domingo, maio 13, 2007

Aborto contrapõe governo e igreja

Da Folha de S.Paulo

"Na véspera da chegada do papa, dois ministros, José Gomes Temporão (Saúde) e Nilcéia Freire (Mulheres), criticaram a Igreja Católica e grupos religiosos pela "agressividade" e tentativa de "censurar" o debate sobre o aborto. O presidente da CNBB, d. Geraldo Majella, acusou o governo de promover a promiscuidade no país.

Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que o aborto é uma questão de saúde pública. Sobre o posicionamento dos líderes católicos, afirmou: "Eu acho que a Igreja tem, primeiro, autonomia e idade pra tomar as decisões que melhor lhe convenha", disse Lula em São José (SC).

Seus ministros concordam, mas criticam a maneira como a igreja tem discutido o assunto.

"É um tema que deve ser tratado com delicadeza. Não tenho percebido isso em alguns setores da Igreja, que fizeram declarações muito agressivas e distantes dos ensinamentos de Jesus", disse Temporão à rádio CBN. "Não é possível ignorar que milhares de mulheres se submetem a esse procedimento e as pessoas digam que nada está acontecendo."

De O Globo

"A visita de cinco dias do Papa Bento XVl, que chega hoje, às 16h30m, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, mobiliza investimento de R$ 13,5 milhões, concentração de 3.600 jornalistas credenciados para cobrir os eventos, além de 20 mil homens trabalhando na segurança da comitiva. A estimativa dos organizadores é que cerca de dois milhões de pessoas compareçam aos eventos onde o Papa estiver, entre a capital paulista e Aparecida. Dois mil agentes de trânsito também foram solicitados, e pelo menos cinco mil voluntários ligados à Igreja Católica trabalharão na organização.

Há pelo menos dois meses, os governos municipal, estadual e federal abriram os cofres para preparar a recepção em São Paulo. Do total previsto para ser gasto apenas na cidade, R$ 4 milhões foram divididos entre governos estadual (R$ 1,2 milhão), municipal (R$ 1,2 milhão) e federal (R$ 1,6 milhão). O investimento inclui, por exemplo, montagem de palco, transporte e contratação de pessoal. A Arquidiocese de São Paulo bancará, com dinheiro arrecadado dos fiéis, despesa de R$ 1,5 milhão.

"O secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, disse ontem que a Igreja pode apoiar governos de esquerda. Ele é um dos cardeais mais próximos de Bento XVI.

— Se os governos de esquerda se preocuparem em ajudar os mais humildes, em distribuir melhor as terras, melhorar a assistência sanitária e a educação, promover políticas de emprego que desviem os jovens do tráfico de drogas e freiem a imigração, eles contarão com a colaboração da Igreja — disse Bertone, cujo cargo o coloca como o número dois na Cúria Romana, representando o Estado do Vaticano na ausência do Papa."

"Esse Papa fala muito bagulho bom", afirma J., um dos menores infratores internos na Fundação Casa (Antiga Febem) que vão participar do Encontro dos Jovens Brasileiros com o Papa Bento XVI, hoje à tarde. J. e mais 21 garotos foram escolhidos por bom comportamento para participar do evento organizado pela Arquidiocese de São Paulo, no Estádio do Pacaembu, às 18h.

— O Papa Bento XVI é legal, ele dá toques legais, como sobre o uso de drogas. Tenho amigos que perderam a consciência por causa das drogas— afirma J., de 18 anos, preso por roubo em um mercadinho de uma cidade do interior, há um ano."

"O novo secretário-geral e porta-voz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, que assume o cargo hoje, poucas horas antes da chegada do Papa Bento XVI ao Brasil, disse ontem que a sociedade atual cultiva o "senso do descartável" e condenou a prática do "ficar", comum entre os jovens:

— O senso do descartável do "ficar", que era próprio das garotas de programa, é hoje vivenciado pelas adolescentes. Os meninos apostam para saber quem fica com mais garotas numa noite. No dia seguinte, não sabem nem o nome delas, o que significa que a pessoa com quem "ficaram" não vale absolutamente nada. O problema é grave e atinge pré-adolescentes."

"Preocupada com a situação da Amazônia, tema da Campanha da Fraternidade de 2007, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil aprovou ontem, em sua 45 Assembléia Geral, que termina hoje em Indaiatuba (SP), a declaração "Fraternidade e Amazônia — Vida e missão neste chão". O objetivo do documento é manifestar a "grande preocupação" com a preservação e o cuidado com "tesouros de dimensões planetárias" representados pelas riquezas naturais, a sócio-biodiversidade e por ser a região um dos maiores reservatórios de água doce do mundo."


COMENTANDO A NOTICIA: Corre solta a discussão do momento em que começa a vida humana. Tem gente que defende a idéia de que enquanto não houver a completa formação do cérebro, ainda não existe vida humana, sendo possível até este ponto, ocorrer o aborto. Mas por Deus, de que vida esta gente está querendo falar? Por Cristo, se querem falar de vida “inteligente”, vá lá, até dá para se argumentar, mas falar de vida, pura e simplesmente, é papo furado e empulhação. Explico: tomemos o caso de um cravo ou um rosa, simples e rapidamente, me respondam, quando começou a vida, na raiz da planta, ou na flor desabrochada ? Uma coisa, senhores, é discutir quando começa a vida inteligente e outra quando começa propriamente a vida, porque neste, caso, perdoe-me os “tantos especialistas” e “entendidas“ na matéria. A vida começa na composição da primeira célula que se reproduzirá até a formação final do ser, e a partir do sua saída do ventre materno, para que possa exercitar e exercer sua vida inteligente e autônoma. Quem quiser desviar o foco, esteja a vontade: mas, a verdade é única, a de que o aborto, é sim, o assassinato de um inocente que não tem como se defender de seus algozes. Querem o aborto ? Vão lá e o cometam, mas não tentem criar cretinices e delinqüência em torno da questão com explicação e proselitismo canalha. Aborto é crime, e como tal deve ser considerado. A mulher pode sim dispor de seu corpo tanto quanto queira, desde que não prejudique a vida de terceiros. Se não quer ter filhos, há dois caminhos: ou se preserve quando praticar sexo, usando todos os meios que a moderna medicina lhe oferece para evitar a gravidez, ou simplesmente não pratique sexo. Neste caso, dizem, não há espírito santo capaz de forçá-la à contracepção indesejada. Outra coisa, é praticar-se o aborto consentido: aquele que preserva a mãe em caso de riscos de vida (ou de morte), e nos casos de estupros . Os demais, todos os demais, é puro assassinato.