O direito de cada um seguir seu próprio caminho
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
A semana foi do papa Bento XVI. Ele visitou o Brasil, mas principalmente visitou os católicos do maior país católico do mundo. Quem não for católico, esta visita serviu apenas como curiosidade.
Cada indivíduo faz lá suas escolhas. E a ninguém é dado discuti-las. A religião é o caminho pelo qual mantemos contato e nos .ligamos ao deus ou deuses de nossa crença. Portanto, se vocês observarem e lerem atentamente tudo o que se escreveu neste semana sobre o assunto, o que não faltou foi lixo para ser jogado no lixo.
1.- A importância de Bento XVI para os católicos
O Papa para os católicos, é o seu maior guia espiritual. A ele cabe defender e difundir todos os princípios basilares do Catolicismo. É preciso prestar atenção a uma coisa: a religião católica foi construída ao longo de quase 20 séculos. Portanto, suas “verdades” não são fruto de um modernismo passageiro. Os dogmas e princípios nos quais se assenta sua profissão de fé se, de um lado, podemos discordar, de outro, não podem simplesmente serem ignorados.
O ser humano, regra geral, tem uma enorme tendência a dar vazão ilimitada aos seus instintos. Sejam bons ou não. Sempre que uma norma tente frear nosso comportamento, nos posicionamos contrários à norma. Temos um quê de rebeldia nos alimentando o tempo todo. A diferença entre os grandes homens da humanidade, aqueles que serviram como referência moral às gerações futuras, e os ordinários, os medíocres, os insossos, é que os primeiros sempre mantiveram uma certa disciplina para repelir e expulsar de si mesmos as más tendências, ao passo que os segundos sempre foram covardes, sempre se agacharam à última condição da moralidade para dar vazão aos seus instintos vagabundos.
Porém, a civilização humana sempre foi construída a partir dos primeiros. Eles é que guiaram os passos do ser humano na busca constante de seu aprimoramento moral, fugindo da barbárie, da selvageria.
Bento XVI serve exatamente como esta referência moral para os católicos. Em outras religiões, também se encontram referências. Aos que não concordarem com os dogmas e princípios desta ou daquela crença, sempre haverá o caminho de escolherem aquela que melhor se casa com o seu pensamento.
A visita de Bento XVI ao Brasil nada mais é do que um tributo, uma reverência especial ao país de maior comunidade católica do mundo. Mas é também a necessidade de reforçar todos os postulados básicos do catolicismo. Portanto, não faz sentido ouvirmos as vozes discordantes cobrando mudanças nestes postulados. Assim como não há nenhuma razão para a Igreja Católica ficar ao sabor dos “modernistas”, também não os há para estes “libertários” permanecerem ligados a uma religião da qual discordam dos dogmas e princípios morais que a norteiam e que foram os pilares de sua construção ao longo da história. É preciso ficar claro que, cabe aos indivíduos adaptarem-se aos princípios de sua fé religiosa, e não ao contrário. A Igreja Católica é um caminho. Segue quem quer. E sua escolha sendo livre, há que atender portanto aos postulados ditados pela igreja que escolheu.
2.- O direito à reciprocidade
Todos quantos têm cobrado uma “renovação” nos dogmas católicos fazem o mesmo em relação às demais religiões ? E estas, são receptivas em relação aos seus apelos de renovação ?
Ninguém pode ignorar que existem religiões e seitas que “obrigam” seus seguidores a cumprirem fielmente seus princípios. A desobediência é punida com a morte. No que a Igreja Católica é intolerante, em não ceder aos modismos ? Mas que modismos são estes, tão mais importantes do que princípios morais que são oferecidos à escolha de seus praticantes ? Se atentarmos para aquilo que Bento XVI tem pregado, e está perfeitamente claro em seus discursos, o fato da Igreja Católica posicionar-se contrária ao aborto, ao homossexualismo, ao divórcio, às uniões de casais sem o rito do casamento, dentre outras, no que tais recomendações modifica o dia a dia dos católicos ? O Papa não obriga ninguém a nada, a Igreja Católica não interfere na conduta de ninguém em relação às escolhas que cada um faz. A Igreja tanto quanto o Papa recomenda aquilo que sua doutrina entende como o melhor para o indivíduo. Já que teremos de escolher, que saibamos que alternativas temos para dentre todas escolhermos a que acharmos melhor. Cada um arcará, no final, acabará arcando com as conseqüências de sua boas e más escolhas.
3.- E no que a Igreja interfere na política brasileira ?
Em nada. A Igreja Católica por exemplo, recomenda que não se aprove a prática do aborto. E expõem claramente suas razões. Ponto. Por tal razão não tem sentido que alguns políticos fiquem histéricos diante do discurso papal. Quem for católico e acreditar que as recomendações de Bento XVI fazem sentido, e muitas fazem sim, que siga os ditames de sua consciência e pratique as recomendações ditadas pela maior autoridade espiritual de sua igreja. Como disse, a religião é uma escolha individual que não cabe a ninguém julgar. Portanto que aqueles políticos que ficaram enfurecidos com os discursos de Bento XVI se recolham à sua insignificância.
4.- Jovens em busca de uma referência moral
Ouvi uma entrevista dada por um jovem católico sobre a importância para ele da visita de Bento XVI, e fui tomado por dois sentimentos contraditórios. Um, de felicidade, por conhecer pessoas que ainda preservam-se moralmente, apesar dos modismos. É sinal de que o mundo, mesmo diante dos apelos ensandecidos da grande maioria do “liberou-geral”, há quem realmente se preocupe com sua formação moral. Era assim ao tempo de Roma, quando o Cristianismo nasceu e se consolidou como crença religiosa mais importante do mundo ocidental, e continua sendo assim dois mil anos depois. O cristão preferia morrer na arena a ter de renunciar sua fé.
Saber que ainda é assim hoje, e diante de um apelo ainda mais forte a se atender, sabermos que há jovens que se mantém irredutíveis a prostituírem sua crença, é saudável. Há luz no final deste túnel.
O outro sentimento, porém, foi de tristeza. É doloroso constatar que se precisa de um alemão, residindo na Itália, investido de autoridade religiosa, precisar atravessar o mundo para vir servir como referência moral num país com mais de 180,0 milhões de pessoas ! Isto deveria servir de alerta ao Brasil. Não temos heróis contemporâneos em quem nos espelharmos como ideal humano. Se você tirar os grandes “craques” de futebol, o que sobra para o menino pobre da periferia ou dos grotões do país ? Quais são os heróis brasileiros, com repercussão nacional, para servirem de referência moral às nossas crianças e jovens ?
Acredito que esta visita do papa deveria servir de ponto de partida uma profunda reflexão de toda a sociedade brasileira, para o país que estamos formando. Que tipo de civilização estamos construindo dentro do nosso imenso e rico território? Qual a nossa contribuição para a renovação do ser humano no campo da moral e dos costumes ? E, se o que estamos oferecendo, é suficiente para melhoria do ser humano no seu crescimento interior ? Acreditem: deveriam aqueles que se julgam com poder (e não têm) para criticarem a Igreja em seus princípios e dogmas, aproveitarem o momento para se dedicarem a revisar e refletir sobre esta questão, muito mais ampla: o que o país está oferecendo para a formação moral de seu povo e se esta formação é suficiente para a composição de um brasileiro, no futuro, mais humano, mais feliz, mais evoluído, mais equilibrado, mais civilizado.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
A semana foi do papa Bento XVI. Ele visitou o Brasil, mas principalmente visitou os católicos do maior país católico do mundo. Quem não for católico, esta visita serviu apenas como curiosidade.
Cada indivíduo faz lá suas escolhas. E a ninguém é dado discuti-las. A religião é o caminho pelo qual mantemos contato e nos .ligamos ao deus ou deuses de nossa crença. Portanto, se vocês observarem e lerem atentamente tudo o que se escreveu neste semana sobre o assunto, o que não faltou foi lixo para ser jogado no lixo.
1.- A importância de Bento XVI para os católicos
O Papa para os católicos, é o seu maior guia espiritual. A ele cabe defender e difundir todos os princípios basilares do Catolicismo. É preciso prestar atenção a uma coisa: a religião católica foi construída ao longo de quase 20 séculos. Portanto, suas “verdades” não são fruto de um modernismo passageiro. Os dogmas e princípios nos quais se assenta sua profissão de fé se, de um lado, podemos discordar, de outro, não podem simplesmente serem ignorados.
O ser humano, regra geral, tem uma enorme tendência a dar vazão ilimitada aos seus instintos. Sejam bons ou não. Sempre que uma norma tente frear nosso comportamento, nos posicionamos contrários à norma. Temos um quê de rebeldia nos alimentando o tempo todo. A diferença entre os grandes homens da humanidade, aqueles que serviram como referência moral às gerações futuras, e os ordinários, os medíocres, os insossos, é que os primeiros sempre mantiveram uma certa disciplina para repelir e expulsar de si mesmos as más tendências, ao passo que os segundos sempre foram covardes, sempre se agacharam à última condição da moralidade para dar vazão aos seus instintos vagabundos.
Porém, a civilização humana sempre foi construída a partir dos primeiros. Eles é que guiaram os passos do ser humano na busca constante de seu aprimoramento moral, fugindo da barbárie, da selvageria.
Bento XVI serve exatamente como esta referência moral para os católicos. Em outras religiões, também se encontram referências. Aos que não concordarem com os dogmas e princípios desta ou daquela crença, sempre haverá o caminho de escolherem aquela que melhor se casa com o seu pensamento.
A visita de Bento XVI ao Brasil nada mais é do que um tributo, uma reverência especial ao país de maior comunidade católica do mundo. Mas é também a necessidade de reforçar todos os postulados básicos do catolicismo. Portanto, não faz sentido ouvirmos as vozes discordantes cobrando mudanças nestes postulados. Assim como não há nenhuma razão para a Igreja Católica ficar ao sabor dos “modernistas”, também não os há para estes “libertários” permanecerem ligados a uma religião da qual discordam dos dogmas e princípios morais que a norteiam e que foram os pilares de sua construção ao longo da história. É preciso ficar claro que, cabe aos indivíduos adaptarem-se aos princípios de sua fé religiosa, e não ao contrário. A Igreja Católica é um caminho. Segue quem quer. E sua escolha sendo livre, há que atender portanto aos postulados ditados pela igreja que escolheu.
2.- O direito à reciprocidade
Todos quantos têm cobrado uma “renovação” nos dogmas católicos fazem o mesmo em relação às demais religiões ? E estas, são receptivas em relação aos seus apelos de renovação ?
Ninguém pode ignorar que existem religiões e seitas que “obrigam” seus seguidores a cumprirem fielmente seus princípios. A desobediência é punida com a morte. No que a Igreja Católica é intolerante, em não ceder aos modismos ? Mas que modismos são estes, tão mais importantes do que princípios morais que são oferecidos à escolha de seus praticantes ? Se atentarmos para aquilo que Bento XVI tem pregado, e está perfeitamente claro em seus discursos, o fato da Igreja Católica posicionar-se contrária ao aborto, ao homossexualismo, ao divórcio, às uniões de casais sem o rito do casamento, dentre outras, no que tais recomendações modifica o dia a dia dos católicos ? O Papa não obriga ninguém a nada, a Igreja Católica não interfere na conduta de ninguém em relação às escolhas que cada um faz. A Igreja tanto quanto o Papa recomenda aquilo que sua doutrina entende como o melhor para o indivíduo. Já que teremos de escolher, que saibamos que alternativas temos para dentre todas escolhermos a que acharmos melhor. Cada um arcará, no final, acabará arcando com as conseqüências de sua boas e más escolhas.
3.- E no que a Igreja interfere na política brasileira ?
Em nada. A Igreja Católica por exemplo, recomenda que não se aprove a prática do aborto. E expõem claramente suas razões. Ponto. Por tal razão não tem sentido que alguns políticos fiquem histéricos diante do discurso papal. Quem for católico e acreditar que as recomendações de Bento XVI fazem sentido, e muitas fazem sim, que siga os ditames de sua consciência e pratique as recomendações ditadas pela maior autoridade espiritual de sua igreja. Como disse, a religião é uma escolha individual que não cabe a ninguém julgar. Portanto que aqueles políticos que ficaram enfurecidos com os discursos de Bento XVI se recolham à sua insignificância.
4.- Jovens em busca de uma referência moral
Ouvi uma entrevista dada por um jovem católico sobre a importância para ele da visita de Bento XVI, e fui tomado por dois sentimentos contraditórios. Um, de felicidade, por conhecer pessoas que ainda preservam-se moralmente, apesar dos modismos. É sinal de que o mundo, mesmo diante dos apelos ensandecidos da grande maioria do “liberou-geral”, há quem realmente se preocupe com sua formação moral. Era assim ao tempo de Roma, quando o Cristianismo nasceu e se consolidou como crença religiosa mais importante do mundo ocidental, e continua sendo assim dois mil anos depois. O cristão preferia morrer na arena a ter de renunciar sua fé.
Saber que ainda é assim hoje, e diante de um apelo ainda mais forte a se atender, sabermos que há jovens que se mantém irredutíveis a prostituírem sua crença, é saudável. Há luz no final deste túnel.
O outro sentimento, porém, foi de tristeza. É doloroso constatar que se precisa de um alemão, residindo na Itália, investido de autoridade religiosa, precisar atravessar o mundo para vir servir como referência moral num país com mais de 180,0 milhões de pessoas ! Isto deveria servir de alerta ao Brasil. Não temos heróis contemporâneos em quem nos espelharmos como ideal humano. Se você tirar os grandes “craques” de futebol, o que sobra para o menino pobre da periferia ou dos grotões do país ? Quais são os heróis brasileiros, com repercussão nacional, para servirem de referência moral às nossas crianças e jovens ?
Acredito que esta visita do papa deveria servir de ponto de partida uma profunda reflexão de toda a sociedade brasileira, para o país que estamos formando. Que tipo de civilização estamos construindo dentro do nosso imenso e rico território? Qual a nossa contribuição para a renovação do ser humano no campo da moral e dos costumes ? E, se o que estamos oferecendo, é suficiente para melhoria do ser humano no seu crescimento interior ? Acreditem: deveriam aqueles que se julgam com poder (e não têm) para criticarem a Igreja em seus princípios e dogmas, aproveitarem o momento para se dedicarem a revisar e refletir sobre esta questão, muito mais ampla: o que o país está oferecendo para a formação moral de seu povo e se esta formação é suficiente para a composição de um brasileiro, no futuro, mais humano, mais feliz, mais evoluído, mais equilibrado, mais civilizado.