terça-feira, junho 26, 2007

Continuar amarrado ao Mercosul é "atraso de vida"

O Brasil deve defender a liberdade de negociar acordos bilaterais isoladamente, sem precisar da concordância dos demais países do Mercosul. A avaliação é do especialista em comércio exterior Pedro da Mota Veiga, diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes). "O Brasil não cabe mais dentro do bloco. Pode até continuar fazendo parte, mas desde que não atrapalhe mais o País", critica o economista.

As regras atuais do bloco, composto ainda por Argentina, Uruguai e Paraguai, determinam que os países poderão negociar apenas em bloco acordos com outros países ou regiões. Na avaliação dele, o Brasil está se lançando ao mundo, com investimentos crescentes no exterior, ganhando maior visibilidade e respeito internacional. Além disso, mantém exportações diversificadas para vários países. Por isso, avalia que é "atraso de vida continuar amarrado ao Mercosul".

Motta Veiga explica que o país que faria a maior oposição a esta possibilidade seria a Argentina. "A Argentina só quer olhar para o próprio umbigo. Ignora o resto do mundo", afirma o especialista.

Para o diretor do Cindes, o Brasil pode partir para acordos bilaterais com a perspectiva de insucesso na Rodada de Doha. Ela ressalta, contudo, que o atual governo tem preferido buscar entendimentos multilaterais, que, basicamente, não incluem itens como serviços, investimentos e compras governamentais.

Cúpula
O especialista também analisa que o mais importante da cúpula de presidentes do Mercosul, prevista para este fim de semana, é o fato de o presidente Venezuelano, Hugo Chávez, não ir ao encontro. "Isso é sinal de que ele já percebe que o Mercosul não é o que ele estava querendo que fosse."

Motta Veiga é contra o ingresso da Venezuela no Mercosul. Ele explica que, diferentemente dos quatro sócios, a economia venezuelana não tem uma atividade agrícola forte, um assunto importante nas negociações do bloco, e está sendo conduzida na direção do socialismo.

Ele diz que "não é fácil, eu diria que é praticamente impossível fazer um acordo" entre economia de mercado dos quatro sócio e a venezuelana, que caracteriza como voltada ao socialismo. Isso porque, segundo ele, é incompatível discutir subsídios e regras comerciais praticadas por outros países com um país como o sócio no qual o Estado interfere na economia, oferece insumos pelo preço que quer e dá subsídios, referindo-se à Venezuela.