terça-feira, junho 26, 2007

TRAPOS E FARRAPOS...

O PROBLEMA DO RABO PRESO
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O caso Renam
A Revista Veja apresentou uma reportagem em que se dizia que Renam tivera um caso com a jornalista Mônica Veloso, do qual nascera uma filha e que o senador pagava a pensão alimentícia através de um lobista e que o dinheiro provinha da Construtora Mendes Junior. Quanto ao caso, a filha e a pensão, são todos assuntos da intimidade do senador, e não ser as pessoas que privam desta intimidade, a mais ninguém interessa a história. Contudo, a partir do momento em que sua obrigação de pagar alimentos é feita através de um lobista de uma empreiteira que mantém relações estreitas com o poder, e sendo o senador Renam presidente do Congresso e do Senado, bem aí a coisa muda de figura. Aliás, sobre isso já falamos e comentamos aqui.

Mas o interessante no caso, é que Renam acabou metendo os pés pelas mãos e se enredou de vez. Tivesse desde o início cobrado de quem o acusava as indispensáveis provas das acusações que lhe foram dirigidas, e muito provavelmente, o assunto ficaria restrito a palavra contra a palavra. Porém, o senador como que querendo ir além do que devia, acabou produzindo uma série de documentos, tornou-os de conhecimento público, e acabou exposto. Por que a atrapalhada ? Questão de rabo preso.

Como querendo demonstrar que os recursos para a pensão eram absolutamente seus, que tinha capacidade econômica - financeira para bancá-los, o senador produziu uma história surreal envolvendo compra e principalmente venda de gado. É como se a história já estivesse pronta para ser usada caso alguém duvidasse de sua capacidade financeira ou de seu patrimônio. “Se alguém duvidar, eu provo com atividade de venda de gado”. Consciência pesada, o senador não refletiu sobre ser ou não oportuno lançar sua história. Na primeira pressão, largou-a. E aí complicou-se todo. Rabo preso dá nisso.

O caso Roriz
O senador pelo Distrito Federal, Joaquim Roriz, também do PMDB, acabou pilhado numa conversa telefônica feita em março passado. De seu conteúdo, nasceu uma suspeita de uma relação bastante estranha com Nenê Constantino, sobre uma operação de empréstimo de R$ 300,0 mil. Empréstimo em favor do senador. Estranho é que sendo apenas uma operação de empréstimo, o cheque fosse de R$ 2,2 milhões, feito com cheque de um banco, e sacado em outro. Não seria mais simples, caso a história tivesse sustentação, que Nenê emitisse um cheque de R$ 300,0 mil direto para o senador ? Por que toda esta enrolação e estes atalhos ?

Mas o senador Roriz como querendo dar força a tese de uma relação comercial, justificou o empréstimo como necessário para comprar gado. E não se trata de um gado qualquer: um novilha, pelo estrondoso preço de R$ 300,0 mil. E aí a coisa começa a tomar contornos surreais. De novo. Questão de rabo preso. A consciência pesa quando se comete algum ato não muito, digamos... correto, e antes de sermos dele acusado, acabamos nos defendendo dele, mesmo que a acusação que nos é feita, seja por outra coisa sem nenhuma ligação com a nossa história.

É preciso lembrar que Roriz é velho caboclo de ações suspeitas e processos. Só de processos, ele responde a 28 no total. Se agora for cassado, provavelmente não será pelo empréstimo, nem tampouco por comprar uma novilha pelo preço que alega ter pago. Talvez ele ganhe o prêmio da cassação pelo conjunto da obra, muito embora, nem Senado, nem Câmara, tenham “desejos” de navalhar quem quer seja dentre seus pares.

Isto nos faz lembrar de outro emérito negociador: Marcus Valério. Quando pressionado sobre a dinheirama do mensalão estar percorrendo os céus do Brasil rumo à Brasília, saiu-se com a necessidade de transportar dinheiro vivo para comprar cavalos! Questão de rabo preso. Acabou “justificando” com uma história que deu margem para que se consubstanciassem todas as acusações de que ele montara um belo esquema mensaleiro.

Por quê dois senadores do PMDB agora?
Pois é: no início do ano, Lula não andou gostando de algumas “decisões” do Judiciário contra seu governo. Por “coincidência, a Polícia Federal deflagrou algumas operações que atingiram alguns juízes e magistrados.

Recentemente, alguns rebelados do PMDB por conta do atraso de Lula em efetivar algumas nomeações prometidas para o segundo escalão e não atendidas, andaram atropelando decisões no Congresso. Algumas ameaças de CPIs andaram turvando os céus de Brasília. E é no senado que Lula conta margem bastante apertada.

De repente, começam a vazar para a imprensa, algumas notícias sobre dois senadores e ambos do PMDB. Coincidência? É até pode ser, mas este governo tem rabo preso com ações policialescas e ameaça de ações autoritárias.

No primeiro mandato, Lula andou querendo “condicionar” as ações do Ministério Público com a famosa “Lei da Mordaça”. Depois, na medida que cresciam as investigações sobre o mensalão e a imprensa ia colocando a opinião pública a par do enorme esquema montado, por duas vezes o governo Lula tentou cercear a liberdade de expressão.

Com a chegada de Tarso Genro no ministério da Justiça, parece que as operações seguirão um roteiro pré-determinado. Como o que não faltam neste país rabos mais do presos, parece que logo descobriremos a imensa capacidade de muitos envolvidos em fazerem negócios estranhos. Principalmente , conheceremos excelentes pecuaristas. Enquanto a vaca com rabo preso se encaminha para o brejo, tem muita gente com rabo preso salvando-se num de competência nunca vistas. Principalmente a capacidade de criar histórias surreais... Rabo preso dá nisso ! Torna algumas figuras muito criativas e inventivas...

Preocupa-me não são os rabos presos: fico imaginando quantos dossiês guardados no freezer não estarão à espera de serem divulgados, para constranger muita cabeça coroada a votar contra seu interesse em favor de projetos feitos pelo governo ? E mais do que isso, que projetos seriam estes que precisam ser aprovados mediante chantagem e coação ?