Integração da Swift pelo Friboi pode demorar até 5 anos
Natalia Gómez, Estadão online
A integração da recém-adquirida Swift pelo Friboi deverá demorar para ser concretizada porque a J&F, controladora de ambas, pretende melhorar os resultados da companhia americana para que não tenham um impacto negativo sobre o Friboi. A compra anunciada nesta terça-feira, 29, no valor de US$ 1,4 bilhão, será financiada com US$ 400 milhões provenientes do caixa da J&F e com uma captação de US$ 1 bilhão em nome da própria Swift, nos Estados Unidos.
O presidente do grupo, Joesley Mendonça Batista, disse que a integração entre as empresas pode levar até cinco anos para ser realizada. "Não temos intenção de unir as duas operações se isso não trouxer ganhos aos acionistas", disse o executivo, em entrevista à imprensa.
O principal desafio, segundo ele, é ampliar a margem Ebitda (relação entre receita líquida e Ebitda, que se trata do ganho antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Swift de 0,1% para 3% a 5% nos próximos dois anos, patamar considerado normal no setor de bovinos.
Para isso, conforme o executivo, não serão necessários investimentos em ativos fixos (imóveis, equipamentos e etc) ou reformas, mas a redução dos custos da operação da empresa e o melhor aproveitamento dos cortes de carne. Ele afirmou que a companhia ainda não definiu uma estratégia efetiva para melhorar os resultados da Swift, mas disse que uma decisão sobre a questão poderá ser tomada entre 50 a 60 dias.
Abate
A aquisição da Swift, que será fechada em meados de julho, elevará a capacidade de abate do Friboi de 24,1 mil cabeças por dia para 47,1 mil cabeças. Com isso, a receita líquida passa de US$ 1,9 bilhão para US$ 11,5 bilhões, de acordo com dados de 2006. No ano passado, enquanto o Friboi abateu 3,4 milhões de animais, a Swift abateu 6,2 milhões de cabeças.
Quando a Friboi e a Swift forem integradas, surgirá a maior empresa do setor de bovinos do mundo, com capacidade superior à Tyson (32,6 mil cabeças) e à Cargill (26,1 mil cabeças). Hoje, a Friboi está presente no Brasil e na Argentina. A Swift agregará plantas localizadas nos Estados Unidos e na Austrália. O número de 20 mil funcionários será duplicado com a operação.
Nos Estados Unidos, a Swift possui três fábricas de abate de suínos e quatro de bovinos, além de sete centros de distribuição, uma transportadora de carne com 120 carretas e um curtume com capacidade de produzir 8 mil peles por dia (cada pele é equivalente a um boi).
Na Austrália, a empresa tem quatro unidades exclusivas para bovinos. A partir da Austrália, a empresa pretende atingir os mercados norte-americano e japonês, que são rígidos no aspecto sanitário e pagam preços mais elevados do que a média. Pretende ainda conquistar Japão, Coréia com produtos fabricados no Brasil, disse Batista.
Segundo ele, uma vantagem da junção das duas empresas é a presença nos quatro países que correspondem a 45% do consumo mundial de carne: Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos. "Teremos condições de atender os blocos do Pacífico e do Atlântico, o que nos protege dos riscos das barreiras sanitárias", disse em coletiva à imprensa. Em termos de exportação de carne bovina, estes países representam 80% do total mundial.
Suínos
A aquisição permitirá à Friboi a entrada no segmento de suínos, em que hoje não atua. "Este não é o nosso ramo, portanto temos mais a aprender do que ensinar", disse. A Swift é a terceira maior produtora de suínos dos Estados Unidos. Batista informou que a empresa não decidiu se manterá as unidades de suínos ou se as venderá, mas disse que alguma posição será definida em seis meses ou um ano.
O executivo destacou que a Friboi continua com um foco de crescimento na América Latina e destacou que a empresa está analisando três oportunidades de aquisições na Argentina. Em 2005, a Friboi comprou a Swift Armour, na Argentina. Este ano, a exportação de carne em todo o mundo deve crescer 6,7%.
ENQUANTO ISSO...
TRF mantém propriedade ao Frigoara
Caderno de economia do Diario de Cuiabá
Natalia Gómez, Estadão online
A integração da recém-adquirida Swift pelo Friboi deverá demorar para ser concretizada porque a J&F, controladora de ambas, pretende melhorar os resultados da companhia americana para que não tenham um impacto negativo sobre o Friboi. A compra anunciada nesta terça-feira, 29, no valor de US$ 1,4 bilhão, será financiada com US$ 400 milhões provenientes do caixa da J&F e com uma captação de US$ 1 bilhão em nome da própria Swift, nos Estados Unidos.
O presidente do grupo, Joesley Mendonça Batista, disse que a integração entre as empresas pode levar até cinco anos para ser realizada. "Não temos intenção de unir as duas operações se isso não trouxer ganhos aos acionistas", disse o executivo, em entrevista à imprensa.
O principal desafio, segundo ele, é ampliar a margem Ebitda (relação entre receita líquida e Ebitda, que se trata do ganho antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Swift de 0,1% para 3% a 5% nos próximos dois anos, patamar considerado normal no setor de bovinos.
Para isso, conforme o executivo, não serão necessários investimentos em ativos fixos (imóveis, equipamentos e etc) ou reformas, mas a redução dos custos da operação da empresa e o melhor aproveitamento dos cortes de carne. Ele afirmou que a companhia ainda não definiu uma estratégia efetiva para melhorar os resultados da Swift, mas disse que uma decisão sobre a questão poderá ser tomada entre 50 a 60 dias.
Abate
A aquisição da Swift, que será fechada em meados de julho, elevará a capacidade de abate do Friboi de 24,1 mil cabeças por dia para 47,1 mil cabeças. Com isso, a receita líquida passa de US$ 1,9 bilhão para US$ 11,5 bilhões, de acordo com dados de 2006. No ano passado, enquanto o Friboi abateu 3,4 milhões de animais, a Swift abateu 6,2 milhões de cabeças.
Quando a Friboi e a Swift forem integradas, surgirá a maior empresa do setor de bovinos do mundo, com capacidade superior à Tyson (32,6 mil cabeças) e à Cargill (26,1 mil cabeças). Hoje, a Friboi está presente no Brasil e na Argentina. A Swift agregará plantas localizadas nos Estados Unidos e na Austrália. O número de 20 mil funcionários será duplicado com a operação.
Nos Estados Unidos, a Swift possui três fábricas de abate de suínos e quatro de bovinos, além de sete centros de distribuição, uma transportadora de carne com 120 carretas e um curtume com capacidade de produzir 8 mil peles por dia (cada pele é equivalente a um boi).
Na Austrália, a empresa tem quatro unidades exclusivas para bovinos. A partir da Austrália, a empresa pretende atingir os mercados norte-americano e japonês, que são rígidos no aspecto sanitário e pagam preços mais elevados do que a média. Pretende ainda conquistar Japão, Coréia com produtos fabricados no Brasil, disse Batista.
Segundo ele, uma vantagem da junção das duas empresas é a presença nos quatro países que correspondem a 45% do consumo mundial de carne: Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos. "Teremos condições de atender os blocos do Pacífico e do Atlântico, o que nos protege dos riscos das barreiras sanitárias", disse em coletiva à imprensa. Em termos de exportação de carne bovina, estes países representam 80% do total mundial.
Suínos
A aquisição permitirá à Friboi a entrada no segmento de suínos, em que hoje não atua. "Este não é o nosso ramo, portanto temos mais a aprender do que ensinar", disse. A Swift é a terceira maior produtora de suínos dos Estados Unidos. Batista informou que a empresa não decidiu se manterá as unidades de suínos ou se as venderá, mas disse que alguma posição será definida em seis meses ou um ano.
O executivo destacou que a Friboi continua com um foco de crescimento na América Latina e destacou que a empresa está analisando três oportunidades de aquisições na Argentina. Em 2005, a Friboi comprou a Swift Armour, na Argentina. Este ano, a exportação de carne em todo o mundo deve crescer 6,7%.
ENQUANTO ISSO...
TRF mantém propriedade ao Frigoara
Caderno de economia do Diario de Cuiabá
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A quinta turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF 1) decidiu por unanimidade ontem à tarde negar provimento ao recurso de agravo da JBS-Friboi, determinando que os efeitos das escrituras públicas de compra e venda da planta frigorífica localizada em Araputanga fiquem suspensos até o julgamento final da ação proposta pelo Frigoara. Com essa decisão, o grupo Frigoara mantém a propriedade formal da indústria, pelo menos até a decisão no mérito do processo que tramita na Vara Federal de Cáceres (225 quilômetros ao oeste de Cuiabá).
A quinta turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF 1) decidiu por unanimidade ontem à tarde negar provimento ao recurso de agravo da JBS-Friboi, determinando que os efeitos das escrituras públicas de compra e venda da planta frigorífica localizada em Araputanga fiquem suspensos até o julgamento final da ação proposta pelo Frigoara. Com essa decisão, o grupo Frigoara mantém a propriedade formal da indústria, pelo menos até a decisão no mérito do processo que tramita na Vara Federal de Cáceres (225 quilômetros ao oeste de Cuiabá).
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A discussão jurídica pela posse e propriedade da planta frigorífica de Araputanga (345 quilômetros a noroeste de Cuiabá) na Justiça Federal, começou em 2004 e tem por objetivo declarar a ineficácia do contrato de arrendamento feito em 2001. Os proprietários alegam que a posse do imóvel foi transferida precária e provisoriamente pelo contrato de arrendamento, que foi invalidado pelo não cumprimento das cláusulas pelo Grupo Friboi. Com o processo na Justiça Federal, o Frigoara busca provar na Justiça que o Friboi não pagou na totalidade o valor combinado à época.
A discussão jurídica pela posse e propriedade da planta frigorífica de Araputanga (345 quilômetros a noroeste de Cuiabá) na Justiça Federal, começou em 2004 e tem por objetivo declarar a ineficácia do contrato de arrendamento feito em 2001. Os proprietários alegam que a posse do imóvel foi transferida precária e provisoriamente pelo contrato de arrendamento, que foi invalidado pelo não cumprimento das cláusulas pelo Grupo Friboi. Com o processo na Justiça Federal, o Frigoara busca provar na Justiça que o Friboi não pagou na totalidade o valor combinado à época.
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A decisão no TRF é mais um passo para a planta de Araputanga voltar definitivamente para o Frigoara. Há menos de um mês, o Ministério da Integração Nacional cancelou a autorização dada pela Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos (UGFIN) – atualmente Departamento de Gestão (DGFI) - para que o projeto de reestruturação da planta em Araputanga recebesse financiamento da antiga Sudam.
A decisão no TRF é mais um passo para a planta de Araputanga voltar definitivamente para o Frigoara. Há menos de um mês, o Ministério da Integração Nacional cancelou a autorização dada pela Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos (UGFIN) – atualmente Departamento de Gestão (DGFI) - para que o projeto de reestruturação da planta em Araputanga recebesse financiamento da antiga Sudam.
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O advogado do Frigoara, Bruno Gutierres, explicou que a decisão do Ministério de Integração Nacional decidiu em definitivo negar a transferência da planta industrial ao Friboi. Gutierrez avaliou que somente esse parecer já serviria para colocar um fim à disputa pela planta de Araputanga. Segundo ele, com a decisão do TRF 1, o Friboi ainda poderá continuar no imóvel até a decisão do juiz federal em Cáceres, mas que essa decisão em caráter liminar mostra que a planta frigorífica ainda é do Frigoara.
O advogado do Frigoara, Bruno Gutierres, explicou que a decisão do Ministério de Integração Nacional decidiu em definitivo negar a transferência da planta industrial ao Friboi. Gutierrez avaliou que somente esse parecer já serviria para colocar um fim à disputa pela planta de Araputanga. Segundo ele, com a decisão do TRF 1, o Friboi ainda poderá continuar no imóvel até a decisão do juiz federal em Cáceres, mas que essa decisão em caráter liminar mostra que a planta frigorífica ainda é do Frigoara.
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O Diário não conseguiu localizar a assessoria de imprensa do grupo Friboi.
O Diário não conseguiu localizar a assessoria de imprensa do grupo Friboi.