sexta-feira, junho 01, 2007

ENQUANTO ISSO...

Senado pedirá para Chávez reabrir RCTV
Agência EFE

O Senado brasileiro aprovou nesta quarta-feira (30) um "apelo" pela reabertura do canal de televisão venezuelano RCTV, que sinal saiu do ar no domingo, por ordem do presidente Hugo Chávez. Segundo informou a Agência Senado, a moção foi aprovada por 15 senadores governistas e da oposição, que "se manifestaram contrários à decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de não renovar a concessão da emissora de televisão privada RCTV".
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A moção foi submetida à votação por requerimento da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e por iniciativa do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Os únicos votos contra o texto foram dos senadores José Nery (PSOL-PA) e Inácio Arruda (PCdoB-CE).
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Segundo Azeredo, é importante que o Senado brasileiro manifeste seu desacordo com "uma atitude contra da democracia". Ele lamentou que o presidente Lula tenha afirmado que o assunto não é do Brasil. Azeredo afirmou que "o fechamento da emissora não se deu por um motivo legal, e sim político".
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O presidente da Comissão, Heráclito Fortes (DEM-PI), lamentou a ausência de uma posição firme do Governo brasileiro sobre o episódio que "cerceia a liberdade de imprensa na Venezuela e merece ser repelido com veemência pelas democracias do mundo inteiro".
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Fortes apoiou uma proposta do senador Gerson Camata (PMDB-ES) de expulsar a Venezuela do Mercosul. O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) disse que apresentará um voto de censura e repúdio à atitude do presidente Chávez "pela forma ditatorial e antidemocrática de fechar uma emissora com mais de 50 anos de operações".
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Em defesa do governo da Venezuela, José Nery afirmou que a liberdade de imprensa é importante mas não pode estar acima dos preceitos constitucionais de um país. Inácio Arruda destacou que o governo "democrático e popular se impôs pela vontade do povo da Venezuela", o que segundo sua opinião incomoda as elites da América do Sul.
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ENQUANTO ISSO...
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Chávez envia condolências ao Brasil por ter um congresso "papagaio"
EFE

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enviou nesta quinta-feira (31) suas condolências ao povo do Brasil por ter um Congresso que "repete como um papagaio" o que diz o Congresso americano em relação à situação venezuelana.

"Que triste para o povo brasileiro! Minhas condolências para esse povo que não merece isso. Um Congresso que repete como papagaio o que dizem em Washington. Que dano faz esse Congresso à causa da integração latino-americana. Que tristeza que dá!", disse Chávez. A referência ao Brasil foi motivada por um documento emitido pelo Congresso do Brasil que convida o governante venezuelano a que modifique sua posição frente ao canal privado "Radio Caracas Televisión" ("RCTV").

"A esses representantes da direita brasileira posso lhes dizer que será mais fácil, muito mais fácil, que o império português volte a se instalar em Brasília do que o Governo da Venezuela devolva a concessão que colocou fim à oligarquia venezuelana", sentenciou o presidente.

Chávez acrescentou que os deputados brasileiros "deveriam se ocupar dos problemas do Brasil". "Que triste para esse Congresso aparecer agora subordinado ao Congresso de Washington, que também se envolveu em nossos assuntos", manifestou o governante venezuelano.
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Explicou que essa intromissão dos parlamentares brasileiros não é casual e obedece a um plano das forças direitistas e "fascistas" para atacar a Venezuela. Chávez reivindicou a legitimidade da decisão sobre a "RCTV" e reiterou que de nada servirão as pressões internacionais orquestradas pelas forças de direita.
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"Deveríamos voltar a formar uma nova internacional da esquerda", disse o líder como mecanismo de resposta à ofensiva que, segundo ele, foi lançada pela "oligarquia internacional".

COMENTANDO A NOTICIA: Diante da resposta de Chávez, como nosso presidente reagiu ? Leiam:

Lula: cada governo deve cuidar dos seus problemas
Lúcia Jardim, Redação Terra

Mesmo tendo sido pego de surpresa com a informação sobre as declarações do presidente venezuelano Hugo Chávez de que o Congresso brasileiro "é papagaio dos americanos e representante da direita brasileira", o presidente Lula comentou nesta tarde, em Londres, que cada governo deve cuidar dos seus problemas. Em entrevista na residência oficial da Embaixada do Brasil na capital britânica, onde Lula está hospedado para assistir à partida entre a Seleção brasileira e a inglesa hoje à noite, o presidente ressaltou o caráter democrático da imprensa jornalística no Brasil.

"Todos nós somos adultos e cada um tem responsabilidade pelo que fala. Eu penso que o Chávez tem de cuidar Venezuela, eu tenho que cuidar do Brasil, o Bush tem de cuidar dos Estados Unidos e assim por diante. Cada país faz isso ou faz aquilo da forma mais soberana que puder. No caso do Chávez com a televisão, eu disse e repito: é um problema do Chávez e da legislação da Venezuela, não é um problema do Brasil", afirmou Lula.

"Você veja como eu sou diplomático: eu não posso falar de um discurso de um chefe de Estado porque você está me fazendo a pergunta. Numa situação dessas, eu não sei se o Chávez falou ou não falou, eu não sei. Se falou, certamente o embaixador brasileiro em Caracas vai comunicar ao Itamaraty."

Apesar de inicialmente ter tentado escapar do assunto, o presidente concluiu destacando a liberdade de imprensa no Brasil. "O problema do Brasil é outro. Nós temos uma prática extremamente democrática na relação com a imprensa, ela está consolidada e eu acho que cada país tem que ter soberania para fazer o que acha que deve ser feito, nada mais do que isso."

Na verdade a reação de Lula foi pífia. O Brasil foi o único país da América Latina a ficar em silêncio absoluto diante da ação tirânica e fascista de Chavez. E ao conclamar a formação de uma nova internacional socialista, o venezuelano deu bem o tom do que realmente ele é. E Lula, com sua reação tímida, demonstrou que realmente não está preparado para defender não apenas os interesses do país, como no caso com a Bolívia, como sequer está interessado em defender nossas instituições. Não é a primeira que Chavez agrediu despropositadamente o Brasil: numa de suas visitas, ofendeu ao Jornal O Globo perante um monte de estrumes que babaram sua raiva sobre a mídia nacional.

Com sua reação patética, parece que Lula teme o ditador venezuelano Chavez. Parece que o presidente brasileiro sente incomensurável prazer em ver o país que preside ser esbofeteado lá fora. Nunca na história deste país um presidente foi tão “gelatinoso” quanto Lula.