Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
O MST anda fazendo escola, até na própria escola. Durante audiência com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, o presidente da União Nacional dos Estudantes, Gustavo Petta, anunciou novas ocupações de reitorias em todo o País, por universitários dispostos a pressionar o governo para atender suas reivindicações. Não ficarão circunscritas à capital paulista e às cidades de Franca, Assis, Rio Claro e Presidente Prudente as pouco ortodoxas iniciativas estudantis de instalar-se em salas, salões, auditórios e corredores, ali permanecendo por dias e até semanas, impedindo a entrada dos dirigentes.
Convenhamos, o governo federal e os governos estaduais devem montes de medidas para minorar as agruras dos estudantes pobres. Precisam rever boa parte das posturas relativas às universidades públicas. Ampliar o leque das oportunidades a todos, cuidar da melhoria das condições de ensino e quanta coisa a mais? No entanto, apelar para a violência não constitui solução. Exprime retrocesso, pois se uns podem, por que não poderão todos? Vai para o espaço o estado de direito democrático, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra inaugurou faz muito tempo.
O grave, nesse episódio envolvendo os presidentes da República e da UNE, porém, é ter a autoridade pública maior sido contestada, ofendida e humilhada de corpo presente, sem que nenhuma reação acontecesse. Razões existiram para o jovem Gustavo Petta ter saído do Palácio do Planalto para a delegacia de polícia mais próxima, acusado de ameaçar o chefe do governo.
O presidente Lula continua oferecendo espetáculos de tolerância em sua própria casa. Mais do que de tolerância, de fraqueza. Não poderia, em momento algum, aceitar sem reagir a quebra de sua própria autoridade. Já imaginaram se um general comparecer ao gabinete presidencial e anunciar que as Forças Armadas, por conta de suas reivindicações não atendidas, vão ocupar praças, avenidas e até palácios, até que o governo se disponha a agir em seu favor? Ou se representantes do empresariado anunciarem, olho no olho do ministro da Fazenda, que deixarão de pagar impostos até a redução da carga fiscal?
Só em casos especiais
Aplausos gerais para a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, por ter suprimido o segredo de Justiça nos depoimentos e demais peças do processo envolvendo a Operação Navalha. Não havia sentido em ocultar sob o manto judicial acusações, denúncias, negativas e confissões dos acusados. Aliás, abre-se a oportunidade para uma revisão nesse instituto do segredo de Justiça. Claro que se torna necessário em certas situações.
Em processos de família, envolvendo constrangimentos das partes, justifica-se o sigilo, ao menos enquanto a sentença definitiva não tiver sido exarada. Talvez em um ou outro caso, também. Mas abrigar corruptos e ladravazes em nome da privacidade devida ao cidadão comum, de jeito nenhum. As acusações e a defesa têm que ser públicos. Expostos à sociedade.
Périplo
Mandou-se o presidente Lula para o exterior, num périplo que deverá durar nove dias. Estará hoje em Londres, esperemos que para dar sorte à seleção brasileira, na disputa com os ingleses. Em seguida tomará o rumo da Índia, em viagem para fortalecer os laços entre o Brasil e aquela nação. Retornará à Europa para, na Alemanha, participar como convidado da reunião dos chefes das nações mais ricas.
Repetirá performances anteriores, até protestando contra o egoísmo dos poderosos diante das dificuldades dos mais fracos. Jamais poderão ser criticadas as viagens do presidente, sempre defendendo nossos interesses. O diabo é que nove dias fora parece demais. O que acontece ou está por acontecer, aqui, será sempre mais importante do que se passa lá fora.
Cavaleiros
Reuniram-se as bancadas do PT. Discutiram estratégias de ação no Congresso, para avançar promessas do governo. Um grupo quer o partido na vanguarda de reformas capazes de apressar a ampliação da justiça social e enfrentar a corrupção. Outro grupo, mais aguerrido, teme que uma ação mais desabrida do PT possa ser entendida como contrária ao governo. Nada decidiram. Lembram os Cavaleiros de Granada, que alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca disparada. Para quê? Para nada...
O MST anda fazendo escola, até na própria escola. Durante audiência com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, o presidente da União Nacional dos Estudantes, Gustavo Petta, anunciou novas ocupações de reitorias em todo o País, por universitários dispostos a pressionar o governo para atender suas reivindicações. Não ficarão circunscritas à capital paulista e às cidades de Franca, Assis, Rio Claro e Presidente Prudente as pouco ortodoxas iniciativas estudantis de instalar-se em salas, salões, auditórios e corredores, ali permanecendo por dias e até semanas, impedindo a entrada dos dirigentes.
Convenhamos, o governo federal e os governos estaduais devem montes de medidas para minorar as agruras dos estudantes pobres. Precisam rever boa parte das posturas relativas às universidades públicas. Ampliar o leque das oportunidades a todos, cuidar da melhoria das condições de ensino e quanta coisa a mais? No entanto, apelar para a violência não constitui solução. Exprime retrocesso, pois se uns podem, por que não poderão todos? Vai para o espaço o estado de direito democrático, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra inaugurou faz muito tempo.
O grave, nesse episódio envolvendo os presidentes da República e da UNE, porém, é ter a autoridade pública maior sido contestada, ofendida e humilhada de corpo presente, sem que nenhuma reação acontecesse. Razões existiram para o jovem Gustavo Petta ter saído do Palácio do Planalto para a delegacia de polícia mais próxima, acusado de ameaçar o chefe do governo.
O presidente Lula continua oferecendo espetáculos de tolerância em sua própria casa. Mais do que de tolerância, de fraqueza. Não poderia, em momento algum, aceitar sem reagir a quebra de sua própria autoridade. Já imaginaram se um general comparecer ao gabinete presidencial e anunciar que as Forças Armadas, por conta de suas reivindicações não atendidas, vão ocupar praças, avenidas e até palácios, até que o governo se disponha a agir em seu favor? Ou se representantes do empresariado anunciarem, olho no olho do ministro da Fazenda, que deixarão de pagar impostos até a redução da carga fiscal?
Só em casos especiais
Aplausos gerais para a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, por ter suprimido o segredo de Justiça nos depoimentos e demais peças do processo envolvendo a Operação Navalha. Não havia sentido em ocultar sob o manto judicial acusações, denúncias, negativas e confissões dos acusados. Aliás, abre-se a oportunidade para uma revisão nesse instituto do segredo de Justiça. Claro que se torna necessário em certas situações.
Em processos de família, envolvendo constrangimentos das partes, justifica-se o sigilo, ao menos enquanto a sentença definitiva não tiver sido exarada. Talvez em um ou outro caso, também. Mas abrigar corruptos e ladravazes em nome da privacidade devida ao cidadão comum, de jeito nenhum. As acusações e a defesa têm que ser públicos. Expostos à sociedade.
Périplo
Mandou-se o presidente Lula para o exterior, num périplo que deverá durar nove dias. Estará hoje em Londres, esperemos que para dar sorte à seleção brasileira, na disputa com os ingleses. Em seguida tomará o rumo da Índia, em viagem para fortalecer os laços entre o Brasil e aquela nação. Retornará à Europa para, na Alemanha, participar como convidado da reunião dos chefes das nações mais ricas.
Repetirá performances anteriores, até protestando contra o egoísmo dos poderosos diante das dificuldades dos mais fracos. Jamais poderão ser criticadas as viagens do presidente, sempre defendendo nossos interesses. O diabo é que nove dias fora parece demais. O que acontece ou está por acontecer, aqui, será sempre mais importante do que se passa lá fora.
Cavaleiros
Reuniram-se as bancadas do PT. Discutiram estratégias de ação no Congresso, para avançar promessas do governo. Um grupo quer o partido na vanguarda de reformas capazes de apressar a ampliação da justiça social e enfrentar a corrupção. Outro grupo, mais aguerrido, teme que uma ação mais desabrida do PT possa ser entendida como contrária ao governo. Nada decidiram. Lembram os Cavaleiros de Granada, que alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca disparada. Para quê? Para nada...