sexta-feira, junho 01, 2007

Vinhos, cocadas e papel higiênico

Tribuna da Imprensa

A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon, tem ouvido dos suspeitos na máfia das obras explicações no mínimo inusitadas para os flagrantes da Polícia Federal. O engenheiro da secretaria de Infra-Estrutura do Maranhão, José de Ribamar Ribeiro Hortegal, fez desabafo ao depor semana passada.

Falou de dinheiro uma única vez, ao mostrar a fragilidade de sua saúde: contou que há 18 dias se submeteu a uma cirurgia de vesícula que lhe custou R$ 3.800 "só a parte hospitalar". Hortegal também não reconheceu a própria vozem todos os diálogos ouvidos no depoimento.

Já o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano da prefeitura de Sinop (MT) Jair Pessine alegou que uma sacola preta carregada por ele até o prédio da Gautama, em Brasília, continha, na verdade, vinho. Pessine foi fotografado pela PF entrando, no dia 21 de março deste ano, na Gautama com a sacola e saindo sem ela.

No dia seguinte, ele a busca e a leva para o hotel onde estava. Mais tarde, segue com sacola para o aeroporto, mas desce do carro sem ela. Na versão de Pessine, ele carregava vinhos - não dinheiro, como desconfia a PF - comprados naquele dia.

Pessine diz que esqueceu a compra na empresa, onde voltou no dia seguinte para buscá-la. Na seqüência, vai ao hotel para pegar o resto de sua bagagem e, ao chegar ao aeroporto, esquece novamente as garrafas, dessa vez no carro de um amigo.

Cocada e colchão
Vicente Coni também deu sua versão à ministra. Ele negou que oferecesse vantagens a servidores e alegou que, apenas "por delicadeza e para agradar", levava "cocadas" compradas na Bahia, onde é a sede da empresa.
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Na sua vez de depor, o superintendente de obras do Maranhão, Sebastião José Pinheiro Franco, pego pela PF com R$ 600 mil em casa, afirmou que, por ter mais de um emprego, recebe mensalmente R$ 8 mil e que, por hábito herdado do pai, guarda dinheiro vivo em casa.

Braço direito do dono da Gautama, Fátima Palmeira deu a sua explicação inusitada para justificar episódio em que aparece no aeroporto de Brasília com o patrão, Zuleido Veras. Ela entrega a própria bolsa a ele, que entra com o acessório no banheiro. Segundo Fátima, a bolsa tinha papel higiênico, por isso foi levada por Zuleido até o banheiro.