Tarcisio Padilha Junior, engenheiro
A democracia assegura que a maioria deve prevalecer. Mas ela não é absolutamente um mecanismo adequado se não vem acompanhada de uma delegação de poderes em larga escala. A paixão pela uniformidade pode muitas vezes levar a maioria a controlar a minoria em questões que verdadeiramente não lhe concernem. O mero exercício tende a produzir a paixão pelo poder, muito perigoso na medida em que a única prova segura do poder é impedir que as pessoas façam o que querem fazer.
Quem leva em conta a história sabe que toda vez que uma questão nova e fundamental aparece a maioria se põe do lado errado por se deixar guiar pelo preconceito e pelo hábito. Assim, muitas gerações teriam de passar até que um filho pudesse escolher sua ocupação quando já grande o bastante para conhecer seus próprios gostos e aptidões.
Uma sociedade moderna e democrática, em que as condições de vida estão em constante e rápida mudança, exige, para uma adaptação bem sucedida, mudanças igualmente rápidas no panorama intelectual. Deveria, então, haver um esforço para incentivar a expressão de novos questionamentos capazes de apoiar tais mudanças.
Stuart Mill defendia a máxima diversidade de opiniões e estilos de vida - incluindo "não-conformidade" - para o efetivo revigoramento da sociedade. Daí sua antipatia por qualquer estrutura fixa que pudesse inibir a expressão da individualidade.
Preservar e reforçar o impulso criativo que produz a individualidade deveria ser o primeiro objetivo de todas as instituições políticas. Em geral, nosso sistema econômico esmaga o que dele sobra nos jovens - o êxito dos nossos atletas nos 15º Jogos Pan-Americanos fala por si. O resultado é que os seres humanos deixam de ser indivíduos; tornam-se maquinais, pusilânimes, convenientes para os burocratas de plantão, aptos a serem tabulados em estatísticas.
Grandes organizações, sejam políticas ou econômicas, são um dos traços distintivos do mundo moderno. Essas organizações não raro usam seu imenso poder para desencorajar a originalidade de pensamento e ação, quando, ao contrário, deveriam, por delegação, deixar tanto quanto possível uma parcela de controle nas mãos dos indivíduos e dos pequenos grupos.
Aqueles que resistem à autoridade quando ela invade a esfera legítima do indivíduo prestam um serviço à sociedade, independentemente de quão pouco a sociedade o valorize. No que diz respeito ao passado isto é universalmente reconhecido; mas não é menos verdadeiro em relação ao presente e ao futuro.
A democracia assegura que a maioria deve prevalecer. Mas ela não é absolutamente um mecanismo adequado se não vem acompanhada de uma delegação de poderes em larga escala. A paixão pela uniformidade pode muitas vezes levar a maioria a controlar a minoria em questões que verdadeiramente não lhe concernem. O mero exercício tende a produzir a paixão pelo poder, muito perigoso na medida em que a única prova segura do poder é impedir que as pessoas façam o que querem fazer.
Quem leva em conta a história sabe que toda vez que uma questão nova e fundamental aparece a maioria se põe do lado errado por se deixar guiar pelo preconceito e pelo hábito. Assim, muitas gerações teriam de passar até que um filho pudesse escolher sua ocupação quando já grande o bastante para conhecer seus próprios gostos e aptidões.
Uma sociedade moderna e democrática, em que as condições de vida estão em constante e rápida mudança, exige, para uma adaptação bem sucedida, mudanças igualmente rápidas no panorama intelectual. Deveria, então, haver um esforço para incentivar a expressão de novos questionamentos capazes de apoiar tais mudanças.
Stuart Mill defendia a máxima diversidade de opiniões e estilos de vida - incluindo "não-conformidade" - para o efetivo revigoramento da sociedade. Daí sua antipatia por qualquer estrutura fixa que pudesse inibir a expressão da individualidade.
Preservar e reforçar o impulso criativo que produz a individualidade deveria ser o primeiro objetivo de todas as instituições políticas. Em geral, nosso sistema econômico esmaga o que dele sobra nos jovens - o êxito dos nossos atletas nos 15º Jogos Pan-Americanos fala por si. O resultado é que os seres humanos deixam de ser indivíduos; tornam-se maquinais, pusilânimes, convenientes para os burocratas de plantão, aptos a serem tabulados em estatísticas.
Grandes organizações, sejam políticas ou econômicas, são um dos traços distintivos do mundo moderno. Essas organizações não raro usam seu imenso poder para desencorajar a originalidade de pensamento e ação, quando, ao contrário, deveriam, por delegação, deixar tanto quanto possível uma parcela de controle nas mãos dos indivíduos e dos pequenos grupos.
Aqueles que resistem à autoridade quando ela invade a esfera legítima do indivíduo prestam um serviço à sociedade, independentemente de quão pouco a sociedade o valorize. No que diz respeito ao passado isto é universalmente reconhecido; mas não é menos verdadeiro em relação ao presente e ao futuro.