Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
O sinal de alerta, mesmo que timidamente, ou mais propriamente, de forma bastante sutil para não chamar a atenção, vem sendo dado aos poucos, mas mesmo que todas as políticas do governo Lula ainda estejam sendo encaminhadas, é possível descortinar os caminhos que seu governo tem dado: socialismo, sem tirar nem por. Claro, uns e outros, e o próprio Lula tratarão de desmentir. Mas, sinceramente, que crédito tem Lula para que acreditemos em sua palavra ? Um governante que nunca sabe de nada, ou diz não saber, não pode ignorar que as ações de seus ministros e auxiliares tenham o claro propósito de tornar o Estado brasileiro marcantemente socialista. Afinal, o governo é ele quem comanda, sendo assim, nada do que é proposto ou encaminhado como política, impossível acreditar que não tenha o crivo do presidente. A lembrar: Lula sempre disse que não existe política de ministros, e sim do presidente. Não apenas as políticas e teor de governo são de sua lavra, mas até os ministros e auxiliares por ele são escolhidos. O que pressupõe que as escolhas devam se pautar por estarem os escolhidos dentro do perfil do que o presidente pretenda em cada área de atuação de seu governo.
Dito isto, vejamos algumas linhas estatizantes e socializantes do governo Lula. Podemos indicar quatro setores básicos em que o governo tem atuado para transformar o Estado em um agente econômico equiparado às empresas que estão no mercado: petroquímico, telefonia, e energia elétrica. O quarto setor é na linha de comunicações, com seu projeto de TV Pública e uma rede de emissoras de rádio estatais. E aqui ainda podemos indicar que, mesmo não sendo o “proprietário”, também a mídia tem recebido a mão pesada do governo, na forma do uso das verbas publicitárias, cujo volume tem pautado a linha editorial de alguns veículos de comunicações.
Reparem que, nos últimos quinze dias, duas organizações internacionais de jornalistas, criticaram duramente o comportamento tanto do governo Lula quanto de seu partido em relação à mídia, comportamento, por sinal, que caracteriza a ação autoritária em relação não apenas a imprensa independente, mas também todo e qualquer veículo que contrarie seus fundamentos ideológicos. Estas manifestações se deram a partir do posicionamento anti-democrático do próprio petê e governo em relação às manifestações de protestos havidas a partir da tragédia do avião da TAM.
Mas este posicionamento nada tem de isolado. Desde que assumiu, Lula tem feito um esforço danado contra as vozes discordantes, seja no nível da imprensa, seja inclusive no próprio judiciário. Precisou recuar, mas desistiu. Tanto que a TV pública, cuja montagem confiou a Franklin Martins, está aí, cada dia mais próxima de se tornar realidade. Mas não só isso: sabe-se que o governo tem pressionado determinados veículos de comunicação para ajustarem suas “linguagens” sob conta e risco de perderem as verbas oriundas da publicidade estatal.
Também, dentro do melhor estilo populista, Lula se aferra como pode ao seu Bolsa Família, assistencialismo macabro que mais incentiva ao não trabalho, a permanência perene dentro do programa, do que oferecer oportunidades e portas de saída pela maior qualificação do indivíduo. Ninguém aqui está a dizer que o Bolsa Família deva ser eliminado, porém, como todo o programa social, ele deve ser usado como um auxílio temporário para atender dificuldades emergenciais das pessoas, e não definitiva vinculação destas ao Estado, que é o que caracteriza o assistencialismo vagabundo. Lula com o programa proposto da forma como se encontra, criou o maior curral eleitoral de que já se teve notícia no país. É disto que se fala e se critica o Bolsa Família. Portanto, antes de se comemorar o maior consumo das pessoas de baixa renda, seria o caso de se perguntar por que o governo não incentiva este aumento com a expansão da massa salarial ? Pela simples razão de que não temos ainda as condições otimizadas para um crescimento maior além do pífio percentual que só é superior, na América, ao do Haiti.
A razão para este crescimento ser tão baixo, apesar de todas as condições da economia mundial incentivarem a um crescimento mais expandido está na nossa deficitária infra-estrutura. Por exemplo, se nosso crescimento tivesse alcançado a média dos emergentes, que no período de 2002-2006 foi de 7,0 %, estaríamos já em 2008, vivendo o tormento do apagão energético. Estaríamos longe da produção auto-suficiente de petróleo. As filas nos terminais portuários seriam quilométricas, muito além das atuais. E, dado que este nível elevaria a oferta de empregos, muito provavelmente o senhor Luiz Inácio veria seu curral eleitoral, clientela cativa do Bolsa Família, reduzindo-se drasticamente.
Nos posts seguintes, vamos publicar uma série de artigos demonstrativos da tendência estatizante em termos econômicos das políticas em gestação no governo Lula. E também, análises das dificuldades que o país têm encontrado para alcançar vôos mais altos na expansão de sua economia. Ao cabo das leituras seguintes, será possível traçarmos um panorama final de que o país, mesmo com todas as oportunidades vividas pela economia mundial nos últimos cinco anos , não soube aproveitar este momento que provavelmente esteja chegando ao seu final. Acredito que Lula ao lançar o seu PAC, no início deste ano, chegou com quatro anos de atraso. E isto pode ter custado para o país um crescimento virtuoso de pelo menos outros dez anos. Uma pena. Agora, terá que pagar o preço político pelo atraso provocado, do mesmo modo que Fernando Henrique pagou pelo apagão de 2001. O triste é que, quem sofrerá as conseqüências da incúria, serão os que menos culpa têm.
A conferir portanto os próximos passos que o governo Lula dará nos campos da energia elétrica, telefonia e petroquímica. Eles serão determinantes para o país ou ir em busca da modernidade, ou, pelo viés estatizante se consolidando, abraçar o anacronismo e o atraso. Porém, tanto num caso ou noutro, os ventos favoráveis já estarão um pouco longe para nos beneficiarmos deles. Teremos, então, competência para andarmos apenas com nossos próprias pernas ? O tempo é que dirá.
O sinal de alerta, mesmo que timidamente, ou mais propriamente, de forma bastante sutil para não chamar a atenção, vem sendo dado aos poucos, mas mesmo que todas as políticas do governo Lula ainda estejam sendo encaminhadas, é possível descortinar os caminhos que seu governo tem dado: socialismo, sem tirar nem por. Claro, uns e outros, e o próprio Lula tratarão de desmentir. Mas, sinceramente, que crédito tem Lula para que acreditemos em sua palavra ? Um governante que nunca sabe de nada, ou diz não saber, não pode ignorar que as ações de seus ministros e auxiliares tenham o claro propósito de tornar o Estado brasileiro marcantemente socialista. Afinal, o governo é ele quem comanda, sendo assim, nada do que é proposto ou encaminhado como política, impossível acreditar que não tenha o crivo do presidente. A lembrar: Lula sempre disse que não existe política de ministros, e sim do presidente. Não apenas as políticas e teor de governo são de sua lavra, mas até os ministros e auxiliares por ele são escolhidos. O que pressupõe que as escolhas devam se pautar por estarem os escolhidos dentro do perfil do que o presidente pretenda em cada área de atuação de seu governo.
Dito isto, vejamos algumas linhas estatizantes e socializantes do governo Lula. Podemos indicar quatro setores básicos em que o governo tem atuado para transformar o Estado em um agente econômico equiparado às empresas que estão no mercado: petroquímico, telefonia, e energia elétrica. O quarto setor é na linha de comunicações, com seu projeto de TV Pública e uma rede de emissoras de rádio estatais. E aqui ainda podemos indicar que, mesmo não sendo o “proprietário”, também a mídia tem recebido a mão pesada do governo, na forma do uso das verbas publicitárias, cujo volume tem pautado a linha editorial de alguns veículos de comunicações.
Reparem que, nos últimos quinze dias, duas organizações internacionais de jornalistas, criticaram duramente o comportamento tanto do governo Lula quanto de seu partido em relação à mídia, comportamento, por sinal, que caracteriza a ação autoritária em relação não apenas a imprensa independente, mas também todo e qualquer veículo que contrarie seus fundamentos ideológicos. Estas manifestações se deram a partir do posicionamento anti-democrático do próprio petê e governo em relação às manifestações de protestos havidas a partir da tragédia do avião da TAM.
Mas este posicionamento nada tem de isolado. Desde que assumiu, Lula tem feito um esforço danado contra as vozes discordantes, seja no nível da imprensa, seja inclusive no próprio judiciário. Precisou recuar, mas desistiu. Tanto que a TV pública, cuja montagem confiou a Franklin Martins, está aí, cada dia mais próxima de se tornar realidade. Mas não só isso: sabe-se que o governo tem pressionado determinados veículos de comunicação para ajustarem suas “linguagens” sob conta e risco de perderem as verbas oriundas da publicidade estatal.
Também, dentro do melhor estilo populista, Lula se aferra como pode ao seu Bolsa Família, assistencialismo macabro que mais incentiva ao não trabalho, a permanência perene dentro do programa, do que oferecer oportunidades e portas de saída pela maior qualificação do indivíduo. Ninguém aqui está a dizer que o Bolsa Família deva ser eliminado, porém, como todo o programa social, ele deve ser usado como um auxílio temporário para atender dificuldades emergenciais das pessoas, e não definitiva vinculação destas ao Estado, que é o que caracteriza o assistencialismo vagabundo. Lula com o programa proposto da forma como se encontra, criou o maior curral eleitoral de que já se teve notícia no país. É disto que se fala e se critica o Bolsa Família. Portanto, antes de se comemorar o maior consumo das pessoas de baixa renda, seria o caso de se perguntar por que o governo não incentiva este aumento com a expansão da massa salarial ? Pela simples razão de que não temos ainda as condições otimizadas para um crescimento maior além do pífio percentual que só é superior, na América, ao do Haiti.
A razão para este crescimento ser tão baixo, apesar de todas as condições da economia mundial incentivarem a um crescimento mais expandido está na nossa deficitária infra-estrutura. Por exemplo, se nosso crescimento tivesse alcançado a média dos emergentes, que no período de 2002-2006 foi de 7,0 %, estaríamos já em 2008, vivendo o tormento do apagão energético. Estaríamos longe da produção auto-suficiente de petróleo. As filas nos terminais portuários seriam quilométricas, muito além das atuais. E, dado que este nível elevaria a oferta de empregos, muito provavelmente o senhor Luiz Inácio veria seu curral eleitoral, clientela cativa do Bolsa Família, reduzindo-se drasticamente.
Nos posts seguintes, vamos publicar uma série de artigos demonstrativos da tendência estatizante em termos econômicos das políticas em gestação no governo Lula. E também, análises das dificuldades que o país têm encontrado para alcançar vôos mais altos na expansão de sua economia. Ao cabo das leituras seguintes, será possível traçarmos um panorama final de que o país, mesmo com todas as oportunidades vividas pela economia mundial nos últimos cinco anos , não soube aproveitar este momento que provavelmente esteja chegando ao seu final. Acredito que Lula ao lançar o seu PAC, no início deste ano, chegou com quatro anos de atraso. E isto pode ter custado para o país um crescimento virtuoso de pelo menos outros dez anos. Uma pena. Agora, terá que pagar o preço político pelo atraso provocado, do mesmo modo que Fernando Henrique pagou pelo apagão de 2001. O triste é que, quem sofrerá as conseqüências da incúria, serão os que menos culpa têm.
A conferir portanto os próximos passos que o governo Lula dará nos campos da energia elétrica, telefonia e petroquímica. Eles serão determinantes para o país ou ir em busca da modernidade, ou, pelo viés estatizante se consolidando, abraçar o anacronismo e o atraso. Porém, tanto num caso ou noutro, os ventos favoráveis já estarão um pouco longe para nos beneficiarmos deles. Teremos, então, competência para andarmos apenas com nossos próprias pernas ? O tempo é que dirá.