O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna hoje ao comando do governo, depois de uma semana viajando pelo Caribe, e já marcou, em Brasília, reunião com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para fazer uma avaliação de emergência, com vários ministros, da crise financeira internacional e descobrir como apressar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que está empacado. O futuro do PAC, inclusive, depende da evolução da crise financeira internacional a partir de hoje. Se arrefecer, o governo pisa no acelerador do PAC.
Na área do próprio programa, existe também uma grande apreensão, pois a sua execução no futuro depende da evolução crise. Sobra um grande volume de recursos nos ministérios e o presidente quer cobrar dos ministros agilidade na execução. O programa foi concebido para puxar a economia e fazer o país acrescer a uma taxa mínima de 5%.
A Argentina, Cuba e Venezuela crescem há dois anos a uma taxa de 8% ao ano. O PAC quer colocar o país no mesmo estágio de crescimento. Mas o Brasil continua ainda lento em matéria de investimentos.
Sigilo total
A situação do governo é bastante complicada: previa para este ano investimento de R$ 29,4 bilhões nos projetos do PAC e de R$ 53,4 bilhões no âmbito das estatais. Mas, no primeiro semestre, só conseguiu investir R$ 11,3 bilhões, menos de 20% das disponibilidades em orçamento. Não estamos falando de recursos além do que está previsto para gastar. Na verdade, estamos gastando menos do que o previsto. São recursos não inflacionários, com total cobertura das receitas. Mas os ministérios não conseguem gastar os recursos orçamentários. Nas estatais, a situação é melhor, porque as empresas conseguiram gastar no primeiro semestre cerca de 40% das disponibilidades.
Comunicação
O presidente vai cobrar também um melhor desempenho da área de comunicação do governo no sentido de informar à população o que foi feito pelo PAC no primeiro semestre. O governo tem de mostrar o que fez. É pouco, mas tem de mostrar. O presidente Lula reclamou também com a ministra Dilma Rousseff que o governo não informa nada sobre projetos aprovados no Congresso, como a mudança da Lei da licitações, a aprovação das licenças ambientais para construir três grandes hidrelétricas na Amazônia, com investimentos de US$ 30 bilhões. Não foi feito nenhum comunicado. O mesmo ocorreu com relação à construção da usina Angra 3, que estava parada há 17 anos, e à retomada do Programa Nuclear, com construção de quatro usinas, e com investimento de US$ 25 bilhões. Mas o governo tomou a decisão e esqueceu de informar a população.
Bons resultados
A viagem do presidente Lula ao México e ao Caribe, na semana passada, deu bons resultados em termos de negócios. Aparentemente, foi uma viagem turística. Mas o Itamaraty acha que foi muito proveitosa como projeto comercial. Na realidade, o presidente viajou como garoto-propaganda para apoiar alguns negócios,
No México, ele foi vender o programa do álcool e a assinatura de um acordo entre a Petrobras e a Pemex, os dois gigantes do petróleo na América Latina, para a prospecção de petróleo em águas profundas. As duas empresas não precisam da proteção dos governos para conduzir estas negociações. Mas como os dois governos são os maiores acionistas das duas empresas, é necessária a benção dos dois presidentes. A Petrobras é hoje a empresa que tem a melhor tecnologia do mundo em pesquisa de petróleo em águas profundas. Agora, ela vai transferir.
Nos países do Caribe- Nicarágua, Honduras e Panamá - o presidente foi vender tecnologia e crédito para programas de produção de álcool. O Brasil está oferecendo usinas e tecnologia. No Panamá, o Brasil manifestou interresse em participar das obras de ampliação do Canal, um projeto de US$ 5,5 bilhões. O Brasil tem um consórcio liderado pela Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, que está disputando o empreendimento com financiamento do BNDES. O presidente Lula fez uma reunião com o presidente do Panamá e deixou gravado um apelo em favor das empresas brasileiras. O consórcio brasileiro só quer pegar US$ 1 bilhão.
Novo presidente
O economista Márcio Pochmann assume amanhã a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É a primeira indicação do ministro Mangabeira Unger, titular da Secretaria de Estratégia de Longo Prazo, criada para planejar os próximos 20 anos.
Pochmann tem o desafio de transformar o Ipea em um instituto inteiramente diferente do que é hoje, para ajudar o governo a pensar o Brasil para o futuro. Hoje, o Ipea vive de fazer estudo sobre os programas passados, avaliando o que foi feito e as suas conseqüências.
Mangabeira quer inverter o sinal. O Ipea vai pensar o país para frente e fazer estudos sobre a área de saúde, transporte, sistema financeiro, ocupação da Amazônia, energia e outros temas. Seja qual for o governo, o Brasil vai saber para onde caminha.
Na área do próprio programa, existe também uma grande apreensão, pois a sua execução no futuro depende da evolução crise. Sobra um grande volume de recursos nos ministérios e o presidente quer cobrar dos ministros agilidade na execução. O programa foi concebido para puxar a economia e fazer o país acrescer a uma taxa mínima de 5%.
A Argentina, Cuba e Venezuela crescem há dois anos a uma taxa de 8% ao ano. O PAC quer colocar o país no mesmo estágio de crescimento. Mas o Brasil continua ainda lento em matéria de investimentos.
Sigilo total
A situação do governo é bastante complicada: previa para este ano investimento de R$ 29,4 bilhões nos projetos do PAC e de R$ 53,4 bilhões no âmbito das estatais. Mas, no primeiro semestre, só conseguiu investir R$ 11,3 bilhões, menos de 20% das disponibilidades em orçamento. Não estamos falando de recursos além do que está previsto para gastar. Na verdade, estamos gastando menos do que o previsto. São recursos não inflacionários, com total cobertura das receitas. Mas os ministérios não conseguem gastar os recursos orçamentários. Nas estatais, a situação é melhor, porque as empresas conseguiram gastar no primeiro semestre cerca de 40% das disponibilidades.
Comunicação
O presidente vai cobrar também um melhor desempenho da área de comunicação do governo no sentido de informar à população o que foi feito pelo PAC no primeiro semestre. O governo tem de mostrar o que fez. É pouco, mas tem de mostrar. O presidente Lula reclamou também com a ministra Dilma Rousseff que o governo não informa nada sobre projetos aprovados no Congresso, como a mudança da Lei da licitações, a aprovação das licenças ambientais para construir três grandes hidrelétricas na Amazônia, com investimentos de US$ 30 bilhões. Não foi feito nenhum comunicado. O mesmo ocorreu com relação à construção da usina Angra 3, que estava parada há 17 anos, e à retomada do Programa Nuclear, com construção de quatro usinas, e com investimento de US$ 25 bilhões. Mas o governo tomou a decisão e esqueceu de informar a população.
Bons resultados
A viagem do presidente Lula ao México e ao Caribe, na semana passada, deu bons resultados em termos de negócios. Aparentemente, foi uma viagem turística. Mas o Itamaraty acha que foi muito proveitosa como projeto comercial. Na realidade, o presidente viajou como garoto-propaganda para apoiar alguns negócios,
No México, ele foi vender o programa do álcool e a assinatura de um acordo entre a Petrobras e a Pemex, os dois gigantes do petróleo na América Latina, para a prospecção de petróleo em águas profundas. As duas empresas não precisam da proteção dos governos para conduzir estas negociações. Mas como os dois governos são os maiores acionistas das duas empresas, é necessária a benção dos dois presidentes. A Petrobras é hoje a empresa que tem a melhor tecnologia do mundo em pesquisa de petróleo em águas profundas. Agora, ela vai transferir.
Nos países do Caribe- Nicarágua, Honduras e Panamá - o presidente foi vender tecnologia e crédito para programas de produção de álcool. O Brasil está oferecendo usinas e tecnologia. No Panamá, o Brasil manifestou interresse em participar das obras de ampliação do Canal, um projeto de US$ 5,5 bilhões. O Brasil tem um consórcio liderado pela Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, que está disputando o empreendimento com financiamento do BNDES. O presidente Lula fez uma reunião com o presidente do Panamá e deixou gravado um apelo em favor das empresas brasileiras. O consórcio brasileiro só quer pegar US$ 1 bilhão.
Novo presidente
O economista Márcio Pochmann assume amanhã a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É a primeira indicação do ministro Mangabeira Unger, titular da Secretaria de Estratégia de Longo Prazo, criada para planejar os próximos 20 anos.
Pochmann tem o desafio de transformar o Ipea em um instituto inteiramente diferente do que é hoje, para ajudar o governo a pensar o Brasil para o futuro. Hoje, o Ipea vive de fazer estudo sobre os programas passados, avaliando o que foi feito e as suas conseqüências.
Mangabeira quer inverter o sinal. O Ipea vai pensar o país para frente e fazer estudos sobre a área de saúde, transporte, sistema financeiro, ocupação da Amazônia, energia e outros temas. Seja qual for o governo, o Brasil vai saber para onde caminha.