quarta-feira, agosto 15, 2007

Para crescer que nem rabo de cavalo...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Qual tem sido a grande característica do governo Lula, dentre outras delinqüências, em relação ao Estado brasileiro ? O seu aparelhamento intensivo e promíscuo, certo ? Pois bem, atestam os mais de vinte mil cargos de confiança, cuja maioria foi preenchida por “cumpanheiros militantes” e por “sindicalistas pelegos”, em grande parte proveniente da CUT. Não precisava ter competência, nem formação específica para área de atuação do cargo a ser preenchido. Sequer precisava morrer de amores pelo trabalho, bastava isto sim ter a carteirinha ou do Partido ou da CUT. Nisto resumia-se a exigência do currículo do candidato a uma boca rica.

Fruto do aparelhamento indecente promovido pelo governo Lula, a gestão pública virou uma zorra. Bastante que qualquer brasileiro necessite de um serviço para a gente saber a que degrau de indecência e incompetência foi possível descer.

Claro que, na raiz para o baixo do crescimento que o país vem tendo, encontraremos muitas questões, e uma delas está visto é o inchaço da máquina pública feita de maneira tão sórdida quanto incompetente. Porém, os “cumpanheiro” que nos desgovernam sempre justificam este crescimento raquítico em razão da herança maldita, que herdaram deles próprios, mas que insistem em amaldiçoar nas costas do efeagacê.

Lula está no poder há mais de quatro anos, e neste tempo todo tem se notabilizado pela extrema obediência ao seu bom plano de marketing. O palanque para ele sempre está estendido, não importa em que solenidade, e onde vá ou se encontre. Qualquer microfone disponível e pronto: arma-se o palanque e o eterno sobe nas tamancas da sua verborragia que assassina a história, deturpa os fatos, enxovalha o idioma e idiotiza o bom senso.

Projeto de governo que é bom, bem, melhor deixar prá lá. Dentro de sua estratégia de poder, cuidou como os bons e já idos coronéis do Nordeste, de arregimentar seu curral eleitoral, do qual cuida com precisão científica: sempre tem à mão uma claque para bater palmas, sempre tem um discurso cheio de espirituosidades cênicas, e claro, “toma lá um tostão porque teu voto vale um milhão”.

Ao ganhar o direito de nos desgovernar por mais quatro anos, o mestre na arte da mistificação política, saiu-se com a história de que agora vai. O primeiro mandato servira para ele conhecer os caminhos das pedras, arrumar a casa e descobrir o que o país precisava para desembestar.

Em pouco tempo, armou o circo do PAC, sempre efusivamente lançado, inaugura-se com festas e pompas qualquer pedra fundamental que seja lançada. Até de obra que parou. Assim, temos hoje um pac, longa lista de obras que já estavam em curso e que agora “vai” porque o país precisa crescer... Mas e o dinheiro, presidente ?

Mas governo bom é aquele que pensa em projetos de longo prazo. Ah, que sacada, ô meu? Vamos criar a sealopra, chama o Mangabeira, faz ele voltar a falar português e que agora a coisa anda. Olha-se para o lado e descobre-se que existe uma entidade, um de tal de IPEA que andou sacaneando a gente no primeiro mandato, andaram dizendo umas verdades que atrapalhou muito nossa encenação poética. Ponha este gente no cabresto, e segue o baile.

Assim, chegamos ao professor Pochmann. Pelo nome, pouca gente será capaz de contestar. Assim, vamos conhecer a figura já na função. Em princípio a gente fica com um pé atrás destas invencionices do governo Lula por uma razão específica: se não conseguem seguer administrar um projeto mínimo de governo que seja no curto prazo, que crédito se pode dar a quem se julga competente para projetar a próxima década ?

Durante o primeiro mandato, Lula não poupou munição para seus afilhados das correntes partidárias e sindicais. Foram mais de cem mil novas vagas abertas no setor público. Tem repartição que está adotando o critério do rodízio: segunda, quarta e sexta trabalha uma turma e terça e quinta trabalha outra. Não há espaço físico útil para abrigar todos trabalhando ao mesmo tempo. Na semana seguinte, eles trocam: quem foi na segunda irá na terça, afinal não se pode conceder privilégios para esta gente boa.

E aí o bom Pochmann, chega e, para espanto geral da galera, ao assumir, deu a seguinte versão pessoal para a falta de crescimento do Brasil, (a notícia é da Tribuna de Imprensa):

O novo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Márcio Pochman, tomou posse do cargo ontem criticando a situação da máquina do Estado, que classificou de "raquítica". Pregando a redefinição do Estado, abrindo, inclusive, a discussão para a possibilidade de mais contratações, se for necessário, Pochman afirmou que houve "uma destruição do Estado nos últimos vinte anos".

"Perdemos 2,5 milhões de funcionários nos últimos vinte anos. Então, precisamos rever o papel do Estado nesse sentido. Não temos hoje um Estado preparado para o desafio do desenvolvimento em termos de tecnologia. O que nós temos hoje, em quantidade e qualidade, não nos permite dar o salto de que precisamos", afirmou.

Esta é primeira parte. A segunda, vocês verão, merece outro artigo (é quando ele saca da algibeira como exemplo de sua teoria, a obra do metrô ... de São Paulo).

Ou seja, se alguém imagina que o projeto de “longo prazo” vai contemplar um estado menor, mais enxuto, com melhor gestão, até para permitir reduzir a estúpida carga tributária, esqueçam. Eles vão é engordar a bichinha, e claro, nós continuaremos a pagar a conta do desvario. Aliás, o discurso de posse do Pochman é um perfeito cartão de visitas para quem deseja se manter no cargo de um governo comandado por Luiz Inácio. Se o camarada vai ser um bom técnico, o tempo vai dizer, mas politicamente, o homem promete...

Deste modo, nada de diminuir o peso do Estado para permitir redução de impostos e assim dar curso a novos investimentos. Nada de redução de gastos no bananal da bandalheira pública, porque neste quintal tá faltando mais mão de obra. Nada de reformas estruturais porque nesta piada que é o governo Lula o que está faltando é mais aparelhamento, mais burocracia, mais despesas. Belo discurso, senhor Pochmann, bela teoria.
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E agora, segue o baile porque vai começar o espetáculo do crescimento. Com quatro anos de atraso, é bem verdade, mas é que antes não havia a sealopra e o Mangabeira, havia aloprados freudianos. Agora, devidamente ajustados, o Haiti que nos aguarde: eles vão ver com que tamanho de Estado se faz um país crescer feito rabo de cavalo...