quarta-feira, agosto 15, 2007

ENQUANTO ISSO...

Para Lula, EUA vão abandonar etanol de milho
Denise Chrispim Marin - Agencia Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que será inevitável para os Estados Unidos abandonar a produção do etanol a partir do milho e importar o produto derivado da cana-de-açúcar. Anteontem, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, criticou a produção de etanol a partir do milho. Embora Lula tenha insistido em que a questão dos biocombustíveis não pode ser ideológica, sinalizou que, assim como Hugo Chávez, presidente da Venezuela, se vale do petróleo como instrumento de influência política na região, o Brasil só tem os biocombustíveis a oferecer.

"Obviamente, vai haver um momento em que os próprios Estados Unidos vão chegar à conclusão de que não é possível continuar produzindo etanol de milho", afirmou Lula, referindo-se ao impacto nos preços do grão, que está na base da alimentação dos países da América Central e do México, onde a tortilla faz parte da merenda escolar.

"Nós não queremos ficar brigando com ninguém nem convencer o (George W.) Bush disso. Nós queremos que os fatos convençam o Bush e outros países que a gente pode produzir etanol de cana pela metade do preço de que ele produz de milho. Então, ele nos venda o milho para engordar nossas galinhas, e nós vendemos o álcool para engordar os carros dele. Essa é a boa troca que queremos fazer", completou Lula, referindo-se ao presidente dos Estados Unidos.

ENQUANTO ISSO...

Brasil ataca etanol dos EUA na OMC

Queixa é contra os subsídios agrícolas, mas o centro do debate é o milho, de onde se extrai o combustível

Jamil Chade, Estadão online

Genebra - O Brasil inicia uma disputa que poderá minar os mecanismos que permitem a produção do etanol nos Estados Unidos. Na semana que vem, o Itamaraty e a Casa Branca fazem a primeira reunião sobre a queixa do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios agrícolas dos EUA.Um dos principais temas será o programa de subsídios à produção de milho destinada ao etanol. Nos EUA, um número cada vez maior de políticos que querem chegar à Casa Branca em 2008 se declaram a favor do etanol. Mas pesquisas alertam que o interesse desses candidatos se baseia na estratégia de agradar ao lobby dos produtores de milho, que querem novos subsídios nos próximos anos em troca de votos.

A decisão do governo brasileiro foi a de atacar todos os subsídios americanos, principalmente, diante da falta de avanços na rodada de negociações da OMC. Além do milho, a ajuda ao algodão, açúcar, soja e outros produtos serão alvo do bombardeio. O caso foi inicialmente aberto pelo Canadá contra os americanos, mas já conta com outros interessados, entre eles a Índia.

Se o centro da disputa são os subsídios agrícolas, a realidade é que a guerra acabará contestando a base da produção americana de etanol, ainda que Brasília e Washington tenham, no início do ano, estabelecido uma parceria estratégica para promover o biocombustível no mundo.

Segundo a Global Subsidies Iniciative, os americanos destinam ao etanol subsídios de até US$ 7,3 bilhões por ano, tanto na forma de recursos para a produção como em incentivos fiscais.
"Parte desses subsídios é a ajuda que os produtores de milho recebem", afirma um especialista da entidade.

"Se o Brasil contesta os subsídios ao milho, inevitavelmente está atingindo a produção de etanol nos Estados Unidos ", afirma a organização.

O Itamaraty afirmou, ao Estado, estar consciente do impacto que sua contestação terá para a produção de etanol nos Estados Unidos. O que o Brasil alega é que o volume de subsídios dado pelos americanos ao milho já ultrapassou o teto estabelecido pelas regras da OMC e nos próprios compromissos da Casa Branca assinados nos anos 90.

O questionamento ocorre em um momento importante no debate sobre o futuro dos subsídios nos próximos quatro anos nos Estados Unidos. O Congresso americano está votando o assunto e várias propostas foram apresentadas sobre o futuro do apoio aos produtores de milho.

Se a reunião da próxima semana não chegar a um entendimento, o Brasil deverá, então, pedir que árbitros internacionais julguem as práticas americanas diante das alegações de violações das regras da OMC.
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Em sua viagem-passeio bancando o mascate ambulante do etanol, Lula se saiu com a gracinha de que, se alguém provasse da nossa cachaça, consumiria menos whisky. Vulgaridade a parte, o fato é que o Brasil está dando uma rasteira nos Estados Unidos, jogo que é perigoso de alto risco, e que pode nos trazer inúmeras dores de cabeça. Ora, mesmo com a injeção de subsídios, não há como o etanol derivado do milho competir em pé de igualdade com o etanol brasileiro derivado da cana de açúcar. E mesmo assim, enquanto destilava sua retórica de presidente de uma república de bananas, por outro lado encaminhava à OMC um contencioso contra os americanos.

É por ações ridículas e patéticas deste feitio, que Lula prejudica a imagina brasileira no exterior. Um país para ser respeitado precisa usar de honestidade e seriedade em suas negociações com os demais países. E isto não significa, de modo algum, ser subserviente. Que Lula se sinta glorificado com esta estratégia ordinária e vagabunda dentro de casa, vá lá: para um país de deslumbrados, com um povo cuja imensa maioria é analfabeta e desinformada, talvez seu proselitismo sejam imperial. Lá fora, contudo, a falta de seriedade de um presidente é levada à conta de exotismo, para não dizer leviano. Triste o país ser desgovernado com tamanha falta de caráter.