quarta-feira, outubro 24, 2007

Mesmo com CPMF, saúde pública vai de mal a pior

O Ministro da Saúde, dentro da ação de choque terrorista desencadeado pelo atual no sentido de arrancar a recriação da CPMF a qualquer custo, afirmou que seu ministério precisaria fechar se a contribuição for extinta, ou melhor, não for recriada, já que a extinção está prevista para 30 de dezembro próximo.

A cretinice do ministro não resiste a cinco minutos de análise e de uma simples visita a qualquer unidade de saúde da rede pública. A maneira como pacientes são tratadas dá bem a idéia do quanto o governo federal, sordidamente, mente para a população. Provavelmente, qualquer clínica veterinária mediana dispensa melhor tratamento aos animais do que a rede pública de saúde o faz com seres humanos. É indigno, indecente, imoral. Pagar o que pagamos de imposto, para recebermos a porcaria de serviços que o governo nos despeja, e ainda por cima ler o quanto o mesmo governo imundo não se gaba de jogar dinheiro fora em inutilidades e ostentação, como no caso dos “palácios” de justiça (?) que noticiamos ontem, chega a ser revoltante.

E que fique claro: mesmo que a CPMF seja recriada, em nada ela melhorará a nenhuma qualidade dos serviços públicos. Por quê? Porque este governo tem outras prioridades para gastar o nosso dinheiro. Seremos lembrados apenas nas próximas eleições.

Sem equipamentos, médicos usam papelão para imobilizar pacientes com fraturas

A escassez de recursos nos hospitais públicos do Rio transformou os improvisos em perigosa rotina nas emergências. Depois da denúncia do uso de furadeiras em neurocirurgias , agora na falta de colares cervicais e talas, médicos utilizam papelão e ataduras para imobilizar pacientes com fraturas e lesões na coluna. Doentes com traumatismo craniano também são internados em cadeiras e até mesmo em macas para cadáveres em hospitais do Rio e de Nova Iguaçu. A exemplo do que já foi feito pelo Ministério Público, a Defensoria Pública da União também entrou com ação na Justiça pedindo o reaparelhamento de unidades municipais e federais do Rio.

Fotos tiradas por funcionários do Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, em agosto desse ano, mostram um homem com fraturas na perna e no quadril, além de lesão na coluna, sendo imobilizado com pedaços de papelão e ataduras. Na cena, é possível notar o esforço de médicos e enfermeiros para apertar as ataduras e prender o doente à maca.

Para o vereador Carlos Eduardo, presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, improvisar virou rotina para os médicos da rede pública. Ele diz que imobilizações com papelão e ataduras e com frascos de soro para apoiar a cabeça dos doentes são extremamente comuns, assim como a utilização de luvas com a ponta de um dedo cortada, como drenos.

A Secretaria municipal de Saúde nega que haja falta de materiais nos hospitais. No caso do paciente fotografado numa maca para cadáveres e com colar cervical improvisado no Miguel Couto, o órgão disse que, provavelmente, ele já chegou nessas condições ao hospital e, depois de receber o primeiro atendimento, foi devidamente acomodado.